Dólar fecha no maior patamar em seis meses, a R$ 5,46; Ibovespa encerra estável

No começo da sessão, o real encontrou espaço para valorização, mas a moeda norte-americana foi beneficiada por um aumento da aversão a riscos e cautela antes das decisões de juros na zona do euro e nos Estados Unidos

O dolar encerrou em alta de 0,75%, cotado a R$ 5,46, nesta quarta-feira (20). Esse foi o maior valor desde 24 de janeiro, quando ficou a R$ 5,507. A mínima do dia foi de R$ 5,391 e a máxima foi de 5,471.

O risco fiscal elevado no Brasil segue prejudicando o real e afastando investidores. O presidente Jair Bolsonaro afirmou à CNN que pretende manter o Auxílio Brasil em R$ 600 se for reeleito, indicando uma continuidade de aumento de gastos e uma fraqueza do teto de gastos.

No começo da sessão, o real encontrou espaço para valorização, mas a moeda norte-americana foi beneficiada por um aumento da aversão a riscos e cautela antes das decisões de juros na zona do euro e nos Estados Unidos.

Já o Ibovespa fechou em alta de 0,04%, aos 98.286,83 pontos, em um pregão marcado por forte volatilidade. O índice foi prejudicado pela queda do petróleo, mas tomou fôlego devido o desempenho positivo das bolsas norte-americanas.

A Vale (VALE3) protagonizou uma das principais quedas do dia, cuja ação caiu aproximadamente 2% após a divulgação de dados de produção e vendas.

Na terça-feira (19), o dólar caiu 0,12%, a R$ 5,419. Já o Ibovespa teve alta de 1,37%, aos 98.224,80 pontos.

Bancos Centrais

Na próxima quinta-feira (21), o Banco Central Europeu (BCE) deve iniciar o ciclo de alta de juros na zona do euro, mas ainda não está claro se a autarquia fará um aumento de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.

Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve se reúne na próxima semana para realizar a quarta alta consecutivo nos juros. A expectativa do mercado é de uma elevação de 0,75 ponto percentual, já indicada por dirigentes da autarquia mesmo com uma inflação de maio maior que o esperado.

O movimento global de alta de juros gera cautela e aversão a riscos entre os investidores, já que alimenta apostas em uma recessão econômica generalizada e leva à retirada de investimentos de mercados considerados arriscados, caso do Brasil.

Sentimento global

Os investidores ainda mantêm uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 4 de maio. A alta foi de 0,75 ponto percentual, maior desde 1994, e novas elevações na mesma magnitude não foram descartas.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Entretanto, o combate do país à maior inflação em 41 anos gera crescentes temores de uma recessão na maior economia do mundo devido à necessidade de um aperto monetário agressivo. O risco leva a uma aversão a riscos, favorecendo o dólar e prejudicando ativos considerados arriscados, caso do mercado brasileiro.

Por outro lado, novas restrições em cidades da China foram anunciadas no início de julho, revertendo um cenário de otimismo sobre uma retomada da economia do país após meses de lockdown em Xangai e Pequim. O quadro reforça temores de uma desaceleração econômica chinesa e consequente queda na demanda por commodities.

No cenário doméstico, a PEC dos Benefícios, que cria ou expande benefícios sociais com custo estimado em R$ 41 bilhões, foi mal recebida pelo mercado, já que reforça o risco fiscal ao trazer novos gastos acima do teto.

Com a combinação de ambientes interno e externo adversos, a retirada de investimentos prejudica o Ibovespa e favorece o dólar em relação ao real. CNN

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