Dólar fecha em queda, no menor valor desde julho

O alívio de tensões entre Ucrânia e Rússia também reforça um fluxo favorável de investimentos estrangeiros no Brasil

O dólar fechou em queda de 0,99%% nesta quarta-feira (16), cotado a R$ 5,129. Esse foi o menor valor desde 29 de julho de 2021 (R$ 5,079).

O real foi beneficiado pelo cenário geopolítico e pela alta elevada dos juros no Brasil. A moeda brasileira e o principal índice da B3 também foram favorecidos pela ata do Fed, que indicou que o banco central deve subir os juros nos Estados Unidos na próxima reunião, mas com pouco direcionamento sobre o tamanho da alta.

O Ibovespa operava em alta de 0,57%, aos 115.505,54 pontos, por volta das 17h, horário de Brasília. O índice ainda tem ajuda da alta dos papéis de commodities, acompanhando os preços do minério de ferro e petróleo.

O alívio de tensões entre Ucrânia e Rússia também reforça um fluxo favorável de investimentos estrangeiros no Brasil.

Dentre as ações do Ibovespa, os destaques na ponta positiva eram as petroleiras, em especial a Petrobras (PETR3 e PETR4). Na ponta negativa estavam a Weg (WEGE3), após divulgação de balanço trimestral, e a JBS (JBSS3), após uma venda de ações atribuída ao BNDES.

Na terça-feira (15), o dólar fechou em queda de 0,75%, a R$ 5,18. Já o Ibovespa subiu 0,82%, aos 114.828,18 pontos, maior patamar desde 15 de setembro de 2021.

Exterior

Na terça-feira, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que algumas tropas localizadas próximas à Ucrânia estão retornando para suas bases. O ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov, sugeriu que Moscou deveria continuar na trajetória diplomática para resolver as tensões.​

Uma possibilidade maior de invasão da Ucrânia pela Rússia – com uma resposta dos Estados Unidos e aliados – aumenta a aversão a riscos dos investidores e leva à busca pelo dólar.

O cenário ainda não supera, porém, os benefícios para o real e para o Ibovespa de um ciclo de migração de investimentos para mercados ligados a commodities, com o Brasil beneficiado também pelos juros altos, que limita os efeitos das apostas em uma política de alta de juros agressiva pelo Federal Reserve.

O ciclo está ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China, enquanto pressões econômicas baixistas persistem, estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, disseram analistas, o que leva a altas nos preços.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do petróleo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado. Além disso, as tensões na Ucrânia fazem os preços subirem, já acima dos US$ 90.

Outro fator que pesa nesse movimento é a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos já no mês de março, de 0,5 ponto percentual, reforçada por dados de inflação levemente acima do esperado e de queda nos pedidos de auxílio-desemprego divulgados na quinta-feira.

Com isso, investidores estrangeiros têm saído do mercado de ações norte-americano e migrado para outros vistos como mais resilientes ou baratos.

Qualquer alta de juros no país, porém, pode afetar os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americana ainda mais atrativos para os investidores, pressionando negativamente o real.

Com a inflação americana batendo recorde em quatro décadas, o Fed vem dando indicações mais duras aos mercados, mas a ata da última reunião do banco não deixou claro o tamanho e ritmo do aperto que o banco central americano fará, indicando que as decisões ocorrerão a cada reunião pelo contexto econômico.

Brasil

Na agenda doméstica, os olhos estão na agenda do presidente Jair Bolsonaro em Moscou. O governo diz que o motivo da viagem é o fortalecimento das relações comerciais do Brasil com a Rússia, já que o agronegócio nacional depende do fornecimento de fertilizantes da região.

Em um encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Bolsonaro afirmou que o Brasil prega a paz e respeita “quem age desta maneira”. Ele também destacou potenciais relações bilaterais na área de energia, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico com o país.

No radar dos investidores também está a chamada PEC dos Combustíveis, que permitiria a suspensão de impostos para esses produtos. Representando um possível descontrole de gastos, o tema tem potencial para afetar negativamente o real e o Ibovespa.

Duas PECs já foram protocoladas, uma no Senado e outra na Câmara, com cálculos de perda de arrecadação indo de R$ 18 bilhões até R$ 100 bilhões dependendo do conteúdo, mas o foco no momento são dois projetos de lei sobre o tema que podem ser votados na próxima semana.

Um dos PLs determina um valor fixo de cobrança do ICMS para combustíveis, com o tributo estadual deixando de variar seguindo flutuações de preço do produto, e expande o chamado vale-gás para famílias brasileiras.

Já o outro criaria um fundo de estabilização do preço do petróleo e derivados (diesel, gasolina e GLP), com uma nova política de preços internos de venda para distribuidores.

O Banco Central fará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de abril de 2022. Reuters

Por

contato@oestadorj.com.br

Webjornal Oerj - O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e