Dólar fecha em alta de 2,34%, a R$ 5; Ibovespa cai 2,81% após nova taxa Selic

Rondando os R$ 5, o dólar reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influencia no fluxo de compra e venda do dólar

O dólar encerrou em alta de 2,34%, cotado a R$ 5,016, nesta quinta-feira (5), com a moeda se recuperando de perdas na véspera ao redor do mundo enquanto o mercado repercute as altas de juros tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

Já o Ibovespa caiu 2,81%, aos 105.304,19 pontos – o menor patamar desde 12 de janeiro, quando bateu 103.779 pontos. À época, os investidores refletiram a inflação acima do esperado.

O índice ao longo do dia devolveu os ganhos nos primeiros meses de 2022 e refletindo a perspectiva de juros elevados na maior economia do mundo, o que tende a retirar investimentos de outros mercados, e o desempenho ruim das bolsas ao redor do mundo, inclusive nos Estados Unidos.

Os juros altos no Brasil também prejudicaram a renda variável, em especial setores como o varejo, cujas ações estão entre as maiores baixas do dia. Papéis ligados a commodities e bancos também recuaram, e apenas as empresas do setor de celulose tiveram ganhos, favorecidas pela alta do dólar.

O Banco Central fez neste pregão leilão de mais de 11 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de junho de 2022. Especialistas entrevistados pelo CNN Brasil Business apontam que o movimento do BC, que acontece desde 6 de abril, pode ajudar a dar liquidez na moeda.

Na quarta-feira, o dólar caiu 1,26%, a R$ 4,90, enquanto o Ibovespa teve alta de 1,70%, aos 108.343,74 pontos.

Juros

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, teve um tom mais ameno que o esperado pelo mercado, descartando por hora uma possível alta de 0,75 ponto percentual e riscos de recessão no país, o que beneficiou as bolsas ao redor do mundo e moedas de países como o Brasil na quarta-feira (4).

Entretanto, a indicação de duas altas de 0,5 p.p. nas próximas reuniões ainda favorece o dólar, aumentando a atratividade do mercado norte-americano. A taxa de juros do país foi elevada em 0,5 p.p., a maior alta em 22 anos, e está agora no intervalo de 0,75% a 1% ao ano.

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros, a taxa Selic, em 1 ponto percentual, seguindo as expectativas. A indicação de uma nova alta em junho, mas em proporção menor, também não trouxe surpresas, com as atenções voltadas agora ao ciclo de aumento de juros nos Estados Unidos.

Estrategista da Casa do Investidor, esse é o mais longo ciclo de altas subsequentes na história, com 10 seguidas.

O máximo de altas seguidas foi no último ciclo encerrado em 2014, de 9 elevações. Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, explicou que o crescimento no ciclo foi interrompido pela eleição da época.

Moeda norte-americana

Rondando os R$ 5, o dólar reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influencia no fluxo de compra e venda do dólar.

Especialistas associaram essa valorização recente a dois principais fatores: a perspectiva de altas maiores de juros nos Estados Unidos e os temores em relação aos lockdowns estabelecidos em uma série de cidades economicamente relevantes na China.

Os juros norte-americanos maiores tendem a atrair investimentos para o mercado de títulos do Tesouro do país, retirando capital de mercados considerados mais arriscados que o dos Estados Unidos, caso do Brasil.

Já as medidas de controle de disseminação da Covid-19 na China, que afetam cidades como Xangai e Pequim, tendem a reduzir a demanda da segunda maior economia do mundo por commodities, prejudicando seus principais fornecedores, entre eles o Brasil, e influenciando negativamente nos preços desses produtos.

Reuters/CNN

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