Dólar fecha a R$ 4,80; Ibovespa recua 0,82%

Semelhante ao mês de maio, junho começou com uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível recessão global

O dólar fechou em alta de 0,38%, a R$ 4,795, nesta segunda-feira (6), apesar do desempenho ruim no exterior. O real foi prejudicado por uma aversão a riscos por parte dos investidores, que estavam cautelosos por conta de possíveis medidas que prejudiquem o quadro fiscal do país por parte do governo federal na tentativa de conter os preços dos combustíveis.

O Banco Central fez nesta sessão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC pode ajudar a dar liquidez na moeda, mas especialistas apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,82%, aos 110.185,52 pontos, prejudicado pelo cenário interno de incertezas diante das discussões sobre combustíveis. Esse é o menor patamar desde 20 de maio, quando bateu 108.488 pontos.

Com o resultado, o mercado brasileiro descolou do exterior, com bolsas em alta e beneficiadas pelo otimismo após a China anunciar uma redução nas restrições para combater a Covid-19 na capital, Pequim.

O movimento gera expectativas de uma retomada da economia chinesa, reduzindo temores do impacto de lockdowns no país para a economia global, e favorece fluxos de investimentos para mercados mais arriscados, mas o quadro interno prejudica esse movimento no Brasil.

Na semana, o foco dos investidores estará na reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que pode subir os juros para enfrentar a inflação na zona do euro, e nos dados de inflação nos Estados Unidos, que dará mais pistas sobre os possíveis próximos passos do ciclo de alta de juros do país.

Na sexta-feira (6), o dólar caiu 0,18%, a R$ 4,777, mas encerrou a semana com uma alta de 0,83% após três recuos semanais consecutivos. Já o Ibovespa teve queda de 1,15%, aos 111.102,32 pontos, desvalorizando 0,75% na semana.

Combustíveis

O Senado segue analisando um projeto de lei aprovado na Câmara que fixaria um teto de 17% na cobrança do ICMS para combustíveis, mas a pressão dos estados pode levar à busca por outras alternativas, como mudanças em impostos federais, apesar do quadro apertado nas contas públicas.

A aprovação do projeto significaria também uma arrecadação menor por parte dos estados. Segundo estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI), os estados deixaram de arrecadar em 2020 mais de R$ 92 bilhões.

A economista e professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Virginia Parente, comentou o Projeto de Lei (PL). “O projeto de lei dá uma contrapartida aos estados, é diferente de decretar uma alíquota para todo o país, que tem situações fiscais diferentes e onde o ICMS é a principal fonte de arrecadação para bancar a saúde, a educação, a segurança e vários outros pagamentos, inclusive o carregamento da dívida”, explicou.

“Se você reduz a arrecadação, sua proporção dívidas e gastos precisa manter um percentual que vai se modificar.”

O texto gerou críticas por parte de estados e municípios, que argumentam que a receita será fortemente afetada.

Sentimento global

Semelhante ao mês de maio, junho começou com uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível recessão global.

Uma série de altas de juros pelo mundo, que tendem a desacelerar a economia global. A principal ocorreu nos Estados Unidos, anunciada pelo Federal Reserve em 4 de maio. Apesar de descartar altas de 0,75 p.p. ou um risco de recessão, a autarquia sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança, mas prejudica as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Por outro lado, com Xangai retomando as atividades nesta quarta-feira após dois meses de isolamento, a expectativa é que a demanda chinesa retorne aos níveis anteriores, o que voltou a favorecer exportadores de commodities e aliviou uma parte das pressões sobre o real. Reuters

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