Dólar cai e Ibovespa encerra com ganhos

A moeda caiu 0,44%, a R$ 5,219 – o menor valor desde 6 de setembro do ano passado (R$ 5,176)

O Ibovespa teve ganhos de 0,29%, aos 113.899,19 pontos, nesta segunda-feira (14). Esse é o quinto avanço consecutivo, enquanto o índice resiste ao clima de aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais em meio às tensões geopolíticas.

A bolsa operou estável ao longo do dia após um acirramento das tensões na Ucrânia na última sexta-feira (11), com os Estados Unidos afirmando que a Rússia já reuniu tropas suficientes para invadir o país.

O dólar também foi impactado com a notícia de que os Estados Unidos realocaram a embaixada na capital ucraniana para o oeste do país.

A moeda caiu 0,44%, a R$ 5,219 – o menor valor desde 6 de setembro do ano passado (R$ 5,176), com o real entre as divisas globais de melhor desempenho no dia, ainda embalado pelo atrativo juro oferecido pelo Brasil.

No exterior, as bolsas europeias e as asiáticas fecharam em queda devido à situação na Ucrânia. O índice DXY, que compara o dólar com uma série de moedas, avançou ao longo do dia, assim como o VIX, que busca medir a volatilidade no mercado, rondando os 30 pontos mas distante dos níveis de auge da pandemia.

Roberto Motta, chefe da mesa de derivativos da Genial, afirma que o real “continua extremamente bem suportado por causa da nossa taxa de juros”. Segundo ele, sinais de que uma nova reunião entre Rússia e Ucrânia foi mais “construtiva” também ajudaram a moeda brasileira.

“Os ativos de risco ao redor do mundo começaram a melhorar, as moedas emergentes começaram a performar também, e o real lidera esse movimento. Sempre lembrando que o real tem a taxa de juros real mais alta do mundo”, diz.

Na semana anterior, o dólar caiu 1,54%, na quinta semana consecutiva de perdas, a mais longa sequência do tipo desde maio de 2021. Já o Ibovespa acumulou alta de 1,2%, também pela quinta semana consecutiva.

Exterior

Uma possibilidade de invasão da Ucrânia pela Rússia – com uma resposta dos Estados Unidos e aliados – aumenta a aversão a riscos dos investidores e leva à busca pelo dólar.

O cenário ainda não supera, porém, os benefícios para o real e para o Ibovespa de um ciclo de migração de investimentos para mercados ligados a commodities, caso do brasileiro, que limita os efeitos das apostas em uma política de alta de juros agressiva pelo Federal Reserve.

O ciclo está ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China, enquanto pressões econômicas baixistas persistem, estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, disseram analistas, o que leva a altas nos preços.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do petróleo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado. Além disso, as tensões na Ucrânia fazem os preços subirem, já acima dos US$ 90.

Outro fator que pesa nesse movimento é a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos já no mês de março, de 0,5 ponto percentual, reforçada por dados de inflação levemente acima do esperado e de queda nos pedidos de auxílio-desemprego divulgados na quinta-feira.

Com isso, investidores estrangeiros têm saído do mercado de ações norte-americano e migrado para outros vistos como mais resilientes ou baratos.

Qualquer alta de juros no país, porém, pode afetar os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americana ainda mais atrativos para os investidores, pressionando negativamente o real.

Nesse sentido, estará no radar a divulgação na quarta-feira (16) da ata da última reunião sobre juros dos Estados Unidos, em fevereiro. Com a inflação americana batendo recorde em quatro décadas, o Fed vem dando indicações mais duras aos mercados, mas não está claro o tamanho e ritmo do aperto que o banco central americano fará, e a ata pode dar mais pistas.

Brasil

Na agenda doméstica, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em evento na sexta-feira que a autarquia usará todas as suas ferramentas para recolocar a inflação do país na meta. Ele estimou que a inflação deve começar a cair após um pico que deve ocorrer entre abril e maio.

Nesta segunda-feira, o Boletim Focus trouxe um aumento das expectativas do mercado para a inflação em 2022, que passou para 5,5%. Já a projeção para a taxa Selic é que ela termine o ano em 11,75% ao ano.

A principal ameaça fiscal no radar dos investidores é a chamada PEC dos Combustíveis, que permitiria a suspensão de impostos para esses produtos. Representando um possível descontrole de gastos, o tema afetou negativamente o real e o Ibovespa.

Segundos projeções da equipe econômica do governo, a perda de arrecadação pode chegar a R$ 100 bilhões na proposta mais abrangente, passando por R$ 54 bilhões no texto atualmente apoiado pelo Planalto e por R$ 18 bilhões caso o projeto se limite ao diesel.

Duas PECs sobre o tema já foram protocoladas, uma no Senado e outra na Câmara. Uma delas envolveria renúncias fiscais para reduzir o preço dos combustíveis.

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que a PEC dos Combustíveis não é o foco no momento, já que a Casa vai analisar dois projetos de leis sobre o tema que devem retirar elementos da proposta.

Analistas avaliam que a PEC dos Combustíveis menos ampla do que o esperado reduz o risco fiscal. Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, sinalizou que o governo deve focar na desoneração do óleo diesel, com custo de R$ 18 bilhões, bem menor do que a perda de arrecadação prevista de R$ 100 bilhões.

Neste pregão, o Banco Central fará leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de abril de 2022.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta segunda-feira:

Maiores altas

Banco Inter (BIDI11) +8,04%;

Petz (PETZ3) +6,59%;

Hypera (HYPE3) +4,35%;

Totvs (TOTS3) +3,76%;

Americanas (AMER3) +3,63%

Maiores baixas

Petrobras (PETR3) -2,58%;

Marfrig (MRFG3) -2,53%;

Via (VIIA3) -2,43%;

Petrobras (PETR4) -2,25%;

Carrefour (CRFB3) -2,10%

CNN

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