Dia Internacional da Cerveja: Brasil tem mais de 1.500 cervejarias registradas

O Brasil é hoje um dos principais produtores de cerveja no mundo, ficando apenas atrás da China e dos EUA

Desde 2007, a primeira sexta-feira de agosto é destinada mundialmente para a comemoração do Dia Internacional da Cerveja. Não há nada registrado oficialmente, mas diz a lenda que a data foi inventada em Santa Cruz, na Califórnia, por um grupo de amigos, e se espalhou pelo mundo. O grande propósito é reunir pessoas queridas e celebrar o universo cervejeiro, que tem particularidades que muita gente nem imagina.

O Brasil é hoje um dos principais produtores de cerveja no mundo, ficando apenas atrás da China e dos EUA. O mercado representou pelo menos 1,5% do PIB brasileiro em 2019, segundo estudo feito pelo Oxford Economics para a Worldwide Brewing Alliance (WBA).

O levantamento apontou ainda que o mercado cervejeiro atingiu mais de 1,9 milhões de vagas de empregos diretos e indiretos no Brasil – equivalente a 2,1% do emprego nacional.

Já segundo Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o país pode bater o recorde histórico de produção e fechar 2022 acima dos 15 bilhões de litros, superando a marca de 14,6 bilhões do ano passado. São 175 bilhões de reais de valor agregado à economia, ou seja, 2,2% do PIB.

Mais números do Brasil

De acordo com a Euromonitor Internacional, o volume total de vendas da bebida no país cresceu 8% em 2021: 14 bilhões de litros – o maior patamar registrado até então.

O faturamento do setor totalizou R$ 208,8 bilhões, um aumento de 11% em relação a 2020. O último levantamento da empresa, feito em 2021, mostrou também que o Brasil tinha 1.712 cervejarias registradas, um crescimento alto em relação a 2016, quando havia apenas 493, indo na contramão da expectativa de mercado da pandemia.

“A categoria de cervejas tem se mostrado ser incrivelmente resiliente aos diversos tipos de crise. Isso se deve muito a um percepção dos consumidores que veem no produto uma associação de indulgência e socialização, dando força principalmente para o consumo fora do lar, em bares e restaurantes, a partir do segundo semestre de 2021, como uma tentativa de compensar o tempo perdido e isolado”, afirma Rodrigo de Mattos, analista de bebidas alcóolicas e tabaco na Euromonitor International.

Além disso, segundo ele, as empresas têm trazido muitas novidades e produtos para todos os gostos, inclusive com apelos saudáveis, como alegações de baixas calorias ou zero álcool, por exemplo.

Uma curiosidade: cervejas sem ou com baixo teor alcoólico foi a categoria com melhor desempenho em 2021, tendo registrado um aumento no volume total de vendas de 44%, passando para 285 milhões de litros.

A chegada da cerveja ao Brasil

De acordo com Ronaldo Morado, cervejólogo e autor do livro “Larousse da Cerveja”, a paixão nacional pela bebida levou alguns anos para se popularizar.

No século 17, uma expedição holandesa desembarcou no Nordeste pela Companhia das Índias Ocidentais. A comitiva trazia cientistas e artistas, que abriram vários empreendimentos na região de Pernambuco, entre eles a primeira cervejaria do Brasil.

Em 1654, quando os holandeses deixaram o país, a cerveja foi com eles. Nada ficou aqui e todos os equipamentos e receitas foram levados pela expedição, o que apagou por um longo período a bebida da nossa história.

Ainda segundo os registros da época, com a fuga da Família Real para o Brasil e a abertura dos portos da colônia em 1808, as atividades cervejeiras foram retomadas por aqui.

“A bebida, entretanto, era produzida de forma artesanal, pelas mãos de imigrantes alemães e holandeses, que faziam essa produção caseira para consumo próprio. Não havia atividade industrial. Os ingredientes utilizados nessa produção também eram outros. O lúpulo e a cevada, que teriam de ser importados, não estavam na composição à época. O que se sabe é que insumos como arroz, milho, trigo eram utilizados”, explica Edu Passarelli, professor do Instituto da Cerveja.

As grandes marcas e diferentes opções

Em 1850, pequenas cervejarias começaram suas atividades. A primeira registrada foi a Bohemia, em 1853.

O ano de 1888, entretanto, é o considerado um marco para esse mercado no país. Foi quando as duas maiores cervejarias surgiram quase simultaneamente no Brasil.

Enquanto no Rio de Janeiro foi criada a Cia Cervejaria Brahma, em São Paulo nascia a Antarctica – anos depois as duas se fundiriam para criar a Ambev, maior produtora do país, que só cresceu de lá pra cá. Hoje, a empresa engloba diversas marcas, sendo uma das grandes referências do segmento.

As mais de 1.500 cervejarias espalhadas hoje pelo Brasil têm seus tamanhos variados. Os amantes da bebida encontram em qualquer estado ótimas opções para conhecer suas fábricas e degustar seus rótulos, seja de pequenos ou grandes produtores.

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