Depois da tempestade… a lição

Como pode a vida mudar de uma hora para outra. Acho que ninguém em sã consciência imaginaria o que estamos vivendo. Lembro-me que semana passada estava aqui escrevendo sobre cultura e hoje, bem, hoje estamos falando sobre cultura novamente. Só que desta vez de uma forma bem diferente. É verdade, pois com a pandemia do coronavírus (COVID-19) tomando conta do planeta, chegando ao Brasil e mudando por completo toda forma de vida na Terra. Com certeza depois que passar esse turbilhão não seremos mais os mesmos. E espero que a mudança seja para melhor. Um melhor entendimento da vida como um todo. Torço para que esse dia chegue o mais rápido possível.

Começou na China e rapidamente se espalhou pela Europa e agora nas Américas. Tendo o epicentro na região da Itália, com um número assustador de vítimas fatais, essa pandemia é uma das piores já conhecidas no planeta. É muito triste ver pessoas agindo como se estivessem num filme de ficção científica ou mesmo de terror, pois ruas desertas e a busca por abastecimento das residências a todo vapor, acabando com os produtos essenciais nas prateleiras de supermercados e drogarias, causando uma histeria nunca antes observada.

O que fazer? O que não fazer? Eis a questão. São muitas as informações que chegam a todo momento e é difícil absorver tudo e fazer a filtragem do que é verdade e o que é fake news. O fato é que num mundo globalizado e tecnológico teremos sempre esses questionamentos e cabe o bom senso para não pirar. Eu amanheci segunda feira com as notícias mais pessimistas para começar uma semana. O coronavírus chegou ao Brasil e começa a fazer vítimas. Precisamos ficar em casa em quarentena ou isolamento, como queira chamar, o fato é que estamos presos em nossas casas sem poder sair com segurança. Quando ficamos em casa uma semana, por exemplo, sem colocar os pés na rua porque simplesmente não temos vontade é uma coisa; agora, ser orientado (obrigado) a ficar em casa é muito diferente. Imagino quem sofre de claustrofobia, como está se sentindo?

A cultura do nosso povo sofrerá sensível mudança depois que passar essa calamidade mundial. Talvez fosse necessário passarmos por um aprendizado cultural, vamos chamar assim para atingir um maior número de entendedores, pois aprendi que depois de toda turbulência que vivemos saímos mais fortes e experientes. Que esse momento que estamos vivendo nos faça mais humanos e com mais amor no coração. Que nos mostre o quão importante é cada vida que aqui está. Que ninguém é diferente de ninguém e que estamos todos no mesmo barco. E assim sendo, não temos que nos achar superiores ou diferentes uns dos outros. Na cor, no credo, na raça até podemos ter diferenças, mas lá dentro, no nosso interior, somos todos iguais ou deveríamos nos ver assim. Talvez boa parte de nossa população mundial passe a perceber a vida com outros olhos. É tudo que podemos receber de legado de uma das maiores pandemias de todos os tempos. Espero que seja apenas no quesito de preocupação e medo.

Espero do fundo do coração que fiquemos com um número bem pequeno de vítimas fatais. Que as pessoas que ainda não entenderam a veracidade do perigo passem a respeitar mais a vida e os idosos que são as pessoas mais vulneráveis. Eu moro com uma pessoa com certa idade, minha tia, e estou fazendo a minha parte. Tenho trabalhado em home-office e assim me encontro em isolamento. Se todos que puderem fazer o mesmo o fizer, será uma bela prova de amor. Todos nesse momento devem dar algo para ajudar a passarmos por isso. Depois, bem, depois seremos todos felizes e com uma visão mais apurada sobre a vida.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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