Das cinzas às cinzas. Do diamante à memória eterna

Como uma amizade, um amor ou um amigo de quatro patas se transforma em diamante

Marilyn Monroe eternizou a música “Diamonds are a girl’s best friends” (Diamantes são os melhores amigos das garotas). Ah, se ela soubesse que hoje os diamantes podem ser criados para serem seus melhores amigos a partir de pelos e/ou cabelos de seus melhores companheiros para sempre…

A história não é assim simples, muito menos barata. É diamante real, obviamente criado a partir de cinzas de entes queridos, sejam eles humanos ou animais de estimação. Seu processo também não é simples, rápido ou barato. Mas para quem escolhe uma pedra dessas para ser símbolo máximo de amor, não há pressa. Não é necessário que a pessoa ou o animal morram, o diamante pode ser feito de mechas de cabelo ou pelos e crinas dos animais preferidos.

Pelé já fez isso, seu cabelo foi transformado num diamante e doado à sua mãe, que o doou a um hospital infantil paranaense. Mesmo que o diamante não tenha valor de mercado, a peça, por ser do Pelé já vale algo mais. Mais um gol do Rei.

Sustentado por uma bandeja que impede o contato direto com o fogo, o caixão é submetido a altas temperaturas, que vão de 1200° C a 1700° C. Com essa temperatura, a madeira do caixão e as células do corpo se evaporam ou volatilizam. O caixão e a roupa queimam, restando apenas o esqueleto da pessoa deixado após a cremação.

Apenas de 10 a 20 gramas de cabelo ou 300 gramas de cinzas são suficientes para se produzir o Diamante Memorial, como esse diamante é chamado. Para os animais, o processo para separar o carbono é o mesmo, só que animal não usa roupas, deixando tudo mais simples.

Zezé di Camargo e Luciano, Manoel Carlos entre outros notáveis, também já fizeram uso desse tipo de homenagem para seus familiares e entes queridos. Donos de pets também são públicos-alvo, mas nenhum Rin-Tin-Tin ou Garfield se prontificou a dar um depoimento.

O corpo humano resulta em cerca de 2,5 kg de cinzas na cremação

Na pequena cidade de Coire, na Suíça, a empresa Algordanza recebe a cada mês entre 40 e 50 urnas funerárias procedentes de todo o mundo: “O processo consiste de diferentes fases, que se repetem até obter o carbono existente nos elementos das cinzas. Com tecnologia HPHT (High Pressure High Temperature) cria-se o ambiente adequado para a realização de uma cultura e conseguir, em questão de semanas, a gema desejada.”

O tamanho do diamante depende do tempo de crescimento

Mylena Cooper, diretora da Vaticano, o qual o Memorial Diamond faz parte, e presidente da AFAI – Associação Funerária de Assuntos Internacionais – através de sua assessoria, explica que, com a tecnologia HPHT, o carbono é submetido a alta pressão e alta temperatura, transformando-se em grafite e posteriormente diamante. Quanto mais tempo dentro do equipamento, mais o diamante cresce.

Os tamanhos variam nos quilates, podendo chegar até 1,5 quilates (7,3mm). Há ainda as opções de cores, pode-se escolher a tonalidade amarela, azul ou branca.Um rigoroso controle de qualidade é feito. São avaliados o peso, o corte, a autenticidade e a cor do diamante. Esses dados são emitidos na certificação de que foi produzido com 100% dos cabelos codificados.

Adrian John Loughrey, diretor da Diamond Legend, empresa fornecedora e também produtora desses diamantes no Brasil, diz que esses diamantes “são cultivados em nosso laboratório. São os mesmos que os diamantes encontrados na natureza e  o processo é o mesmo, para natural ou em um laboratório, você só precisa de pressão e calor e carbono e em 4 ou 5 meses já tem em suas mãos o diamante.”

O preço é alto (começa em torno de R$ 2 mil), a demanda aqui no Brasil é pequena e dúvidas ainda surgirão por muito tempo. Mas os diamantes são eternos, podem esperar.

Por

Jornalista, redatora publicitária e revisora. Todos unidos fazem um texto ser compreendido, assimilado e discutido. Sem dúvidas.

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