Dando um “Rewind” na cultura

Estamos numa onda de homenagens póstumas a celebridades que fizeram história na nossa cultura. A Rede Globo nos últimos anos tratou de nos brindar no inicio de cada ano com algumas produções que merecem destaque.

Vimos algumas macro e micro séries que sem dúvida nenhuma ficarão gravadas nas mentes dos apaixonados por uma boa história. “Dalva & Erivelton”, “Gonzaga, de Pai pra filho”, “Tim Maia, vale o que vier”, “Elis, viver é melhor que sonhar”, ” Maysa, quando fala o coração”, “Dercy de verdade” são algumas das histórias contadas que nos fez conhecer um pouco mais da vidas desses personagens maravilhosos que marcaram as nossas vidas de alguma forma.

Atualmente tivemos algumas novas séries que na verdade são filmes reeditados para o formato de micro série, tais como “Hebe” e “Chacrinha” que ficaram ótimas. Faz algum tempo que a televisão brasileira não nos presenteava com projetos interessantes como esses de contar para a massa a vida e a arte de ícones de um país que muitas vezes se esquece de sua raiz e sua cultura. A verdade é que temos um rico acervo cultural que ainda não foi explorado e que seria de muita valia para as gerações novas que, por conta da velocidade de informações que vivemos, ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a nossa história.

Muita gente critica a Rede Globo, eu mesmo em alguns instantes, já a critiquei bastante e ainda critico alguns pontos que julgo sem sentido. Mas não posso negar o profissionalismo e o talento que seus produtores e diretores, além de seus escritores têm em produzir arte.

Independentemente da opinião política partidária, ideológica ou mesmo religiosa, eles sabem contar uma história e emocionar a população. Eu assisto a muitos canais de televisão. Como jornalista e crítico, procuro analisar friamente cada um dos canais, seja da TV aberta ou paga, para perceber e sentir o que realmente vale a pena assistir nos dias de hoje.

Todo início de ano, a Rede Globo traz uma superprodução que acaba nos emocionando. Esse ano, “Hebe” e “Chacrinha” foram as bolas da vez. O que me chamou a atenção foi que conhecemos um pouco mais da história de duas figuras emblemáticas da TV, dois dos maiores apresentadores da TV brasileira. A Hebe nos deixou não faz muito tempo, mas o Chacrinha nos deixou há quase 3 décadas e só agora foi homenageado tendo sua vida contada no cinema. Acho que já poderia ter sido contada muito antes.

A verdade é que ver o “Velho Guerreiro” na tela da TV me deu uma certa nostalgia. Viajar com sua história nas décadas de 70 e 80 me trouxe saudades de uma época que apesar de suas crises e dificuldades, eramos felizes e não sabíamos. Sei que alguns vão me questionar com a seguinte frase: “Mas era uma época de ditadura e coisa e tal, inflação, greves, etc.” E eu respondo: “Sim, eu sei. Mas tinha algo que nos fazia sonhar e ter esperança em dias melhores.” E isso, somente isso, já fazia a diferença.

Hoje, passados quase 30 anos, nós nos deparamos com uma realidade que esmagou aquele sonho lá atrás e nos fez pessoas mais frias.
E é nessa hora que o que nos resta como alimento para a alma é poder ler, assistir, trocar ideias, interagir, fazer valer nosso conhecimento e propagá-lo até onde pudermos, pois só assim teremos a certeza de que a cultura está sendo passada adiante, e não morreremos na praia desolados e sem uma identidade.

Que venham mais histórias ou documentários como esses que mencionei na coluna de hoje. Não quero aqui ser nacionalista, apesar de ser um fã de nossa cultura em todas as esferas, mas podemos sim, absorver a cultura universal. Somos seres humanos e só por isso já nos vemos inserido na pluralidade cultural.

Na próxima semana vou falar sobre outros trabalhos televisivos que também deixaram saudades e até hoje vive no imaginário coletivo do povo brasileiro. Até lá!

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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