Da praticidade ao risco

Quadrilhas especializadas sequestram, ameaçam e obrigam a realização de transferências via PIX

Com a chegada do PIX, nome dado ao sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central do Brasil, as transferências gratuitas a qualquer hora, e em segundos, tornaram mais fáceis as transações bancárias. Desde 16 de novembro de 2020, quando passou a vigorar no Brasil, a utilização da modalidade, tem crescimento constante. Em maio deste ano contava com 235,5 milhões de chaves cadastradas, o que ultrapassa curiosamente a população do país, de 213 milhões, segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Sem limites de horários, já que ele funciona 24 horas por dia e sete dias por semana, a opção se tornou a queridinha dos brasileiros. Dados do Banco Central apontam que de novembro a maio deste ano, foram realizadas 2 bilhões de transações, que movimentaram R$1,4 trilhão.

Como tudo que envolve dinheiro é sempre observado de perto por bandidos, não demorou muito para que eles entrassem na onda do PIX e tentassem tirar proveito de alguma forma de tal facilidade. Eles pensaram na mesma rapidez que as execuções de transferências bancárias realizadas pelo novo processo. Quadrilhas especializadas estão agindo em São Paulo, sequestrando e extorquindo pessoas para que façam transferências por esta forma de pagamento. O retorno do sequestro, crime que estava sumido dos holofotes e noticiários, tem trazido pânico as pessoas e fazendo o Banco Central repensar ações para impedir prejuízos aos usuários do serviço. Apesar das polícias do Brasil ainda não terem as estatísticas desse tipo de crime, sabe se que houve um grande aumento desde o início da operação do PIX no Brasil.

Órgãos de defesa do consumidor cobram de bancos e operadoras de celulares medidas para deter o avanço dos crimes relacionados as transferências bancárias. O banco central anunciou que em novembro passará a funcionar um mecanismo que permitirá devolução de valores que tenham sido transferidos de maneira irregular, mas enquanto isso, o Procon de São Paulo cobrou das operadoras de celular e dos bancos que criem formas de evitar transferências fraudulentas. Outra preocupação, é que após a liberação de pagamentos e transferências via whatsapp, ele se torne também um risco para as pessoas.

Autoridades já se mostram preocupadas devido a tal funcionalidade no aplicativo de mensagens. Apesar de algumas pessoas já estarem desinstalando aplicativos de bancos por segurança, o de mensagens continua nos celulares, o que pode facilitar a vida dos criminosos, já que também permitem a transferência de dinheiro. Devido ao gigantesco número de golpes, todo cuidado é pouco. É importante avaliar bem a liberação da opção de transferência por ele, pois ainda não estão criados pelo Facebook, empresa que o administra, mecanismos de proteção dos usuários em meio ao cenário de violência em que vivemos.

Por

cristiane.lopes@oestadorj.com.br

* Jornalista e especialista em Gestão Cultural. Amante da cultura e das artes.

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