Coreia do Norte: o país mais isolado do mundo

Desde a obrigatoriedade em se curvar para as estátuas dos líderes norte-coreanos, até a proibição do uso da internet, a Coreia do Norte é, sem dúvida, um país com regras muito singulares.

Comunismo. Regime político restrito. Isolamento. 

Em geral, essas palavras são facilmente associadas à Coreia do Norte, o país mais fechado do mundo que tem sido governado, ao longo de sua história, em uma espécie de ditadura monárquica. Com um extensivo histórico de guerras e tentativas de dominação, o país vem criando barreiras em torno si mesmo, através da ideologia Juche, criada aproximadamente em 1950, pelo primeiro líder comunista do país, Kim Il-Sung (avô do atual presidente Kim Jong-Un).

Esta ideologia, com inspirações marxistas, sustenta-se na ideia de que a nação deve construir uma economia forte, autossuficiente e politicamente independente. Até hoje essa doutrina tem sido o alicerce fundamental para o governo norte-coreano, tornando compreensível um dos diversos motivos para a Coreia do Norte ser um país isolado e destacado das políticas internacionais.

Conhecida pelos constantes conflitos com os Estados Unidos, a Coreia do Norte pode ser facilmente riscada da lista de desejos de muitos turistas, mas, por mais improvável que pareça, o país não oferece nenhuma ameaça para estrangeiros. É um destino seguro desde que as normas sejam seguidas à risca.

Já houve casos de estrangeiros que sofreram punições por desrespeitar algumas regras do país. O exemplo mais recente disso é o americano Otto Warmbier, 22, que foi considerado culpado de roubar um cartaz com slogan político no hotel em que estava hospedado. Ele foi condenado a 15 anos de prisão e, alguns meses após ser preso, entrou em coma e foi levado de volta ao seu país de origem. Otto morreu uma semana após o seu retorno aos EUA.

Desvendando características da nação de Kim Jong-Un

Desde a infância, os norte-coreanos são ensinados a respeitar e exaltar, acima de tudo, os líderes Kim Il-Sung e, seu filho, Kim Jong-Il. Os dois ancestrais de Kim Jong-Un possuem estátuas em sua homenagem, localizadas na capital Pyongyang, e são reverenciados por todos os que passam por ali. Os nativos sempre se curvam para as estátuas e é recomendado que os turistas façam o mesmo, como demonstração de respeito aos líderes e, também, aos costumes do país.

Gabriel Britto, brasileiro, 43, visitou a Coreia do Norte em 2012 e vivenciou esta experiência: “Eles veneram seus líderes quase como deuses e, oficialmente, o Estado é ateu.”

Em relação aos estrangeiros, estes devem ser acompanhados por dois guias turísticos e um motorista durante toda a viagem. Inclusive, é proibido sair do hotel sem a permissão deles. Esta medida serve para garantir que as normas do país sejam respeitadas. Apesar da liberdade limitada dos turistas, eles são os únicos que podem ter acesso à internet. O celular é uma novidade recente para os nativos, porém, o uso da internet não é livre, tornando a população ainda mais isolada e, assim, impedindo que a autoridade do governo seja questionada ou criticada.

“O país tenta bloquear a entrada de informações do mundo exterior. Nenhum dos livros escolares contam que o homem pisou na Lua, porque quem fez isso foram os americanos. Nos anos 1990, quando entre 600.000 e 3 milhões de pessoas morreram de fome, a propaganda dizia às pessoas que o mundo inteiro estava no mesmo estado de caos, e que a Coreia do Norte ainda estava melhor que o resto”, afirma Greg Scarlatoiu, diretor do Comitê para os Direitos Humanos na Coreia do Norte.

Os norte-coreanos, embora tenham receio em conversar com estrangeiros, são gentis e sorridentes. Geralmente, eles não sabem o que acontece fora de seu país e acreditam que a Coreia do Norte é uma nação boa e, até mesmo, melhor do que outras. Uma das principais razões para isso é a publicidade que o Estado faz de si mesmo, propagando ideias que dão a entender que o país está progredindo econômica e politicamente. É mais comum se deparar com cartazes e campanhas publicitárias de viés político do que encontrar peças que promovam algum produto ou marca específica.

Mike Weiss, 35, teve a oportunidade de visitar a Coreia do Norte e explica como foi se comunicar com os nativos: “Na rua, as pessoas não param para conversar pois, obviamente, não estão acostumadas com a presença de estrangeiros e têm medo. Há barracas que servem chá grátis. Com a ajuda da guia turística, eu conversei com a servente, mas os assuntos foram questões superficiais e sobre o dia a dia. É interessante como eles não sabem das nossas personalidades. Falar de Frank Sinatra, Madonna ou Michael Jackson é inútil.”

O turista que optar por conhecer a Coreia do Norte deverá se preparar para a constante vigilância de um governo que não tolera comportamentos desviantes ao seu regime político.    

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