Como tratar um profissional em seu evento

Na hora de fechar uma negociação as clientes são simpáticas, agradáveis e só faltam te pegar no colo, tudo por um desconto! Mas, na hora do evento o comportamento muda.Vem o poder do salto!! Nos tratam com arrogância e nos ignoram, até parece que somos empregadas e não prestadoras de serviços. Flávia Cristina

Nos últimos encontros que tenho feito com amigas empreendedoras e principalmente as que trabalham em eventos sociais, percebi que as reclamações de como são tratadas por seus clientes tem crescido bastante. E os pontos acentuados são os mesmos: a falta de respeito!

Na hora de pedir um orçamento e fechar um contrato o cliente até pede atendimento em domicílio, serve cafezinho à moda da casa, com aconchego e tudo mais!! Tudo para conseguir um bom desconto. E a empreendedora muito feliz e contagiada pelo tratamento recebido, fornece seus descontos, até trocar seis por meia dúzia. Na maioria das vezes, ela pensa: “Vou liberar este desconto, sei que não vou ter lucro, mas posso conseguir mais clientes neste evento negociado e pela simpatia do mesmo, ele vai me indicar para muitas outras pessoas.” Mas… Será?! Eis a questão!

Fornecer descontos já faz parte de qualquer negociação, seja em qualquer empreendimento, mas ter prejuízos não é nada inteligente, principalmente quando o evento ou trabalho for extremamente cansativo e desgastante. Você precisa pensar sempre nestas questões. Ao fazer um orçamento, você precisa priorizar sua mão de obra, além das despesas a serem pagas. A mão de obra é o fator primordial a ser valorizado em uma negociação. Por isso, se ao trabalhar demais, se existir qualquer desgaste físico ou emocional, o valor cobrado pode compensar!!! Não quero dizer com isso, que você seja obrigado a aturar ou engolir faltas de respeito e educação. Para essas ausências de comportamento do seu cliente não existe preço.

Dou ou não desconto? Como vou ser tratada no evento?

Jucilene, uma profissional na área de fotografia, em um dos seus eventos teve um problema com sua cliente: ao chamar a criança aniversariante de 2 anos por Belinha, foi repreendida por sua mãe (cliente) na frente dos convidados, dizendo que a filha dela não é Belinha e sim Isabela. Na verdade, a Jucilene chamou a aniversariante de “Belinha”, que julgava ser um gesto carinhoso para atrair a menina para seu clique. Em seguida, a mãe chamou a atenção de Jucilene (de novo no evento na frente dos seus convidados), pedindo que deixasse sua filha brincar ao invés de posar para a foto, mas a profissional estava ali para fazer seu trabalho, nem que seja de longe, mesmo assim, foi repreendida.

E, dentro deste mesmo aniversário, Jucilene nos contou que em momento algum foi chamada por seu nome, e sim de psiu. Ao solicitar uma foto, sua cliente a chamada de sempre de psiu!!! E na hora de pausar em suas atividades para beber uma água, a cliente não deixou e proibiu a equipe de buffet de servir os profissionais em serviço, inclusive a Jucilene. Mas na hora de fechar o orçamento o tratamento foi outro. Que feio, não é mesmo???

Tratar profissionais com falta de respeito não é nada educado, sem contar que ainda gera um desconforto no ambiente, fazendo do trabalho um peso, um fardo. O profissional não consegue fazer seu trabalho com excelência e em muitos casos, ele nem faz questão, simplesmente por ser tratado com mau humor. O cliente precisa ter em mente que o trabalho contratado é “contrato” e não “vínculo empregatício”. Portanto, se o profissional abandonar o serviço no meio do caminho, por alegar falta de respeito do seu contratante, não sofrerá pena, e o valor pago ainda pode ser banido do contrato. O profissional não precisa devolver, e se existir parcelas do cliente a serem pagas o profissional não fará questão de receber. Tudo para evitar novo contato com o cliente sem educação. O profissional não é obrigado a permanecer em um ambiente hostil.

Para evitar este estresse com o seu cliente, cito algumas dicas:

– Na hora do orçamento: não troque seis por meia dúzia. Cobre o valor justo, e pense em sua mão de obra e no desgaste que vai ter durante sua atividade;

– Não deixe que os elogios por seu trabalho e sua pessoa, através de seus clientes, te envaideça ao ponto de você querer presentear ao invés de cobrar. O cliente sempre vai te cobrar o serviço feito, com muito rigor e como se tivesse pago o valor enorme. Ele ao receber seu produto, não vai lembrar que pediu desconto e muito menos se você o presenteou ou não.

– Faça um contrato e dentro dele descreva todas as suas exigências. Digo: todas. Só assim você terá direitos de reclamar, caso algo fuja do controle.

– Não aceite tratamento desrespeitoso, no primeiro desconforto sinalize seu cliente e se for um ato contínuo durante o evento entregue o serviço e depois faça um registro (BO) alegando assédio moral.

Existiram muitos outros depoimentos de empreendedoras nesta conversa, mas não vai para citar todas aqui nesta matéria, voltarei com este assunto semana que vem, pois achei o tema bem oportuno, pois muitas empresárias estão perdendo o estímulo de permanecer com seus projetos, por conta da falta de respeito e consideração dos clientes. E isso é muito sério!

E voltaremos também com mais dicas para você não sofrer danos!

Você precisa do cliente ou da realização do trabalho, mas o cliente precisa entender que o serviço contratado requer perfeição, mas para tal é necessário um bom ambiente, onde nele existe respeito e educação.

Até semana que vem!

Eu acredito em você!

Por

* Radialista, Fotógrafa e Palestrante Motivacional.

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