Como controlar a erosão do solo em diferentes sistemas de plantio

A erosão do solo é um conhecido problema brasileiro no campo. A remoção da cobertura vegetal e o subsequente desgaste da cobertura do solo trazem problemas graves para o ambiente, em especial para as áreas de rios e mananciais.

No país, cada hectare perde uma média de 25 toneladas de solo por conta do processo de erosão, conforme estimativas do Instituto Agronômico de Campinas. A quantidade equivale a um bilhão de toneladas de solo perdido ao ano, ou o desaparecimento de cerca de um centímetro da camada superficial do solo de todo o Brasil.

As queimadas e o desmatamento em busca de novas fronteiras agropecuárias são citadas como frequentes causas do processo de erosão, mas não são as únicas. O uso inadequado de maquinários e implementos agrícolas e até mesmo o tipo de plantio podem engatilhar esse processo daninho.

Em essência, o manejo da terra e da cobertura vegetal do solo poupa muitas dores de cabeça. Mas como isso se aplica em diferentes sistemas de plantio, com diferentes características?

A seguir, algumas medidas úteis para controlar e até mesmo reverter o processo de erosão.

Solo coberto

O plantio direto é uma técnica agrícola introduzida na década de 1970 no Brasil. O sistema de plantio direto foi incorporado em muitas das principais culturas do país, inclusive a soja – e não foi à toa: a produção com plantio direto pode ser até 60% superior, especialmente em períodos de seca, conforme informações da Embrapa.

Os principais benefícios do sistema são:

*Diminuir o impacto da gota da chuva na superfície do solo

*Manutenção da temperatura em faixa ideal para as plantas

*Diminuição das perdas de água por evaporação

Porém, o sistema requer alguns cuidados, sem os quais pode levar a um processo de erosão ou danificação do solo e das culturas plantadas:

*Pouco revolvimento

*Manutenção do solo coberto por todo o ano

*Diversificação de culturas

Terraceamento com arado

O plantio direto é um sistema muito útil para algumas situações. Para outras, porém, não é o mais adequado. Desde que passou a ser utilizado no país, substituiu em muitas propriedades o plantio em curva de nível.

Porém, o plantio direto geralmente se aplica a terras com cultivares que cubram bem o solo ou produzam palha, e que dispõe de assistência técnica personalizada.

Para muitos casos, o preparo de uma propriedade para o plantio em curva de nível ainda é a melhor opção a fim de evitar a erosão no solo, reter água no terreno e manter a terra fértil.

Com ajuda de piquetes e uma mangueira de pedreiro, é possível calcular a declividade da propriedade rural. A depender da declividade e do tipo de solo, há uma distância ideal para dividir a área em curvas de nível.

O processo inteiro é resumido neste vídeo da Embrapa e em outros materiais didáticos preparados pela empresa.

Sistema de drenagem

Dutos para conter a movimentação de detritos e restos de matéria orgânica para dentro de rios e áreas de mananciais. A bitola dos dutos varia conforme a necessidade, o tamanho da propriedade e o volume de chuvas. Esse tipo de informação pode ser obtida em consulta com agrônomos e engenheiros ambientais.

Um tipo de sistema de drenagem para instalação é fazer a água percolar os tubos, ser absorvida por canalização e ser redirecionada para o reuso na própria propriedade rural.

A parte mais interessante dessa iniciativa de instalação de dutos é o custo-benefício: a instalação de um sistema relativamente barato de dutos não apenas soluciona o problema grave da erosão, mas também potencializa a produtividade da terra em questão.

Estradas florestais

Muitas propriedades rurais modernas contam com sistema de florestas plantadas. Nesses ambientes, a rede viária é a causa maior de perdas de solo e assoreamento de cursos hídricos.

Para esses sistemas, o planejamento e implantação de estradas florestais são de extrema importância: definirão não apenas o traçado das vias na propriedade, mas a chance de reter o escape de água, evitando danificação do solo e do entorno.

Além da seleção cuidadosa dos caminhos e sua boa execução, a construção de um sistema eficiente de drenagem, a revegetação dos taludes de rios e a manutenção regular das estradas são medidas que evitam a erosão em propriedades desse tipo.

Por

Webjornal O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e