Com tensão maior na Ucrânia, Bolsa fecha em queda de 0,60% e dólar sobe 1%

Por outro lado, nos últimos dias, o real tem sido favorecido por um fluxo de entrada de capital estrangeiro apoiado nos juros altos no Brasil

O Ibovespa fechou em queda de 0,60%, aos 114.473,78 pontos, nesta sexta-feira (4), em sessão de aversão ao risco após nova ofensiva da Rússia contra a maior usina nuclear da Europa, a ucraniana Zaporizhzhia, elevar temores com a guerra e ofuscar dados macroeconômicos positivos.

O setor financeiro foi a principal influência negativa para o índice, enquanto mineradoras, siderúrgicas e outras exportadoras de commodities, como Suzano e Klabin tiveram desempenho positivo.

Já o dólar encerrou o dia em alta de 1,02%, cotado a R$ 5,078. A moeda refletiu o aumento de aversão a riscos dos investidores com a tensão na guerra na Ucrânia.

Por outro lado, nos últimos dias, o real tem sido favorecido por um fluxo de entrada de capital estrangeiro apoiado nos juros altos no Brasil, ativos na bolsa descontados (abaixo de seu valor) e uma busca por mercados ligados a commodities em meio à alta dos preços desses produtos. Assim, no acumulado da semana, o dólar caiu 1,51%.Em 2022 a desvalorização chega a 8,88%.

O fluxo de estrangeiros na B3 – a bolsa brasileira – bateu recorde, com a entrada de mais de R$ 60 bilhões.

No cenário doméstico, o foco dos investidores nesta sexta-feira foi a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, que veio acima das expectativas do mercado, com crescimento de 4,6%.

Além da guerra na Ucrânia, no cenário externo os investidores tiveram no radar o relatório Payroll de emprego nos Estados Unidos, que veio em linha com o esperado, reforçando o anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) de alta de 0,25 ponto percentual dos juros em março, com efeito reduzido no mercado devido à situação na Europa.

Na quinta-feira (3), o dólar caiu 1,62%, cotado a R$ 5,026. Já o Ibovespa fechou estável, com leve queda de 0,01%, aos 115.165,55 pontos.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques desta sexta-feira:

Maiores altas

Suzano (SUZB3) +6,70%;

Klabin (KLBN11) +4,83%;

Bradespar (BRAP4) +4,21%;

Taesa (TAEE11) +3,98%;

Gerdau (GGBR4) +3,89%

Maiores baixas

Azul (AZUL4) -7,77%;

Gol (GOLL4) -7,64%;

CVC (CVCB3) -6,67%;

Banco Inter (BIDI11) -6,06%;

Locaweb (LWSA3) -5,36%

Petróleo

O petróleo teve forte avanço nesta sexta-feira (4) repetindo o movimento da maior parte do restante semana. Temores de que a oferta global do óleo fique ainda mais apertada por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia dominam as mesas de operação de negociadores da commodity energética.

Com a alta desta sexta-feira, o petróleo acumulou ganho semanal de mais de 20% nos contratos mais líquidos em Nova York e Londres.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para abril subiu 7,44% nesta sexta (US$ 8,01) e 26,30% na semana, a 115,68. Já o do Brent avançou 6,93% na sessão de sexta (US$ 7,65) e 25,49% no acumulado semanal, a US$ 118,11, na Intercontinental Exchange (ICE).

Nesta sexta-feira, o petróleo WTI fechou a US$ 115,17, com alta de 6,98%, enquanto o Brent subiu 7,01%, a US$ 118,13.

Analistas já projetavam que ultrapassaria os US$ 100 ao longo do ano, o que ocorreu com a crise na Ucrânia. A commodity dos EUA saltou até 5,4% para US$ 116,57 o barril na tarde de quinta-feira — o maior comércio desde 22 de setembro de 2008, para fechar o dia em queda de 2,65% (US$ 2,93), a US$ 107,67.

Um levantamento com 35 economistas e analistas previu que o petróleo Brent teria uma média de cerca de US$ 91,15 por barril este ano, um salto em relação ao consenso de US$ 79,16 de janeiro, e a estimativa mais alta para 2022 em todas as pesquisas da Reuters.

O principal fator para a alta é o descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia, e o quadro foi intensificado com as tensões na Europa.

Guerra na Ucrânia

O foco dos investidores segue na guerra na Ucrânia e os seus desdobramentos. As forças russas assumiram o controle usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa. O governo ucraniano informa que os reatores estão preservados, mas o alerta de risco segue ligado.

A Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEA, na sigla em inglês) diz que está pronta para mediar conversas entre Rússia e Ucrânia para estancar a possibilidade de um desastre sem precedentes. Vale destacar que o ataque das forças russas não alterou os níveis de radioatividade no local.

Do ponto de vista econômico, o principal acontecimento envolvendo o conflito é a série de sanções anunciadas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

Dentre elas estão a expulsão de bancos russos do Swift, um sistema global de pagamentos, e o congelamento de reservas do banco central da Rússia. Os países que apoiam a Ucrânia já afirmaram que devem implementar novas sanções contra a Rússia, que viu sua moeda, o rublo, despencar e atingir uma mínima histórica.

Ao mesmo tempo, a invasão pela Rússia continua, com novos ataques em Kharkiv, segundo maior cidade da Ucrânia, e Kiev, capital do país, que está cercada por tropas russas. As duas nações realizaram uma nova rodada de negociações na quinta-feira, mas com poucos avanços.

A guerra, e as chances de novas escaladas no cenário geopolítico, aumentam a aversão a riscos dos investidores e a busca pelo dólar. O índice DXY, que compara a moeda frente a outras, sobe nesta sexta-feira.

Já o VIX, chamado de “índice do medo” por tentar medir o grau de volatilidade do mercado, avançava e rondava os 34 pontos, por volta das 10h30, após chegar ao maior nível desde setembro de 2020.

Outra consequência da invasão é a alta nos preços de commodities, principalmente as ligadas à Rússia e à Ucrânia, caso do milho, trigo e do petróleo. O tipo Brent, referência da Petrobras para a política de preços, segue subindo e já ronda a casa dos US$ 115.

Commodities

A situação na Ucrânia reduz os benefícios para o real de um ciclo de migração de investimentos para mercados ligados a commodities e vistos como baratos, com o Brasil beneficiado também pelos juros altos, que limita os efeitos das apostas em uma política de alta de juros agressiva pelo Federal Reserve.

O ciclo estava ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que levou a altas nos preços, reforçadas com a crise na Ucrânia. Por outro lado, intervenções do governo chinês no mercado têm gerado pressões de queda, em um sobe e desce na cotação. Reuters

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