Coleção Sobrenatural da AVEC em português e inglês

Editora nacional acredita na literatura fantástica brasileira e vai atrás do seu reconhecimento mundial

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OERJ-vampiros_AVEC-CAPAA AVEC lança sua Coleção Sobrenatural reunindo contistas brasileiros de literatura fantástica em publicações no formato eBooks e livros impressos, que terão uma versão em português e inglês.

Disponibilizando para venda uma versão em eBook e também impressa, a AVEC quer mostrar que o Brasil tem muito a oferece em relação a talentos literários e que os brasileiros também sabem contar boas histórias sobrenaturais, das mais fantásticas.

‘Vampiros’ é o primeiro livro da coleção, uma inovadora antologia de contos vampirescos que ampliará o acesso do público e também ajudará na divulgação da Literatura Fantástica Brasileira fora do país.

Com prefácio de Lord A. e 10 contos ao todo, o volume de estreia trará vampiros bem menos românticos, do tipo mais assustadores, predadores noturnos que estão entre os vivos desde o princípio dos tempos. Alguns monstruosos outros sedutores, mas todos caçadores inescrupulosos e únicos.

Os autores envolvidos no projeto e seus contos

Entre os autores há algumas já bem conhecidos dos fãs de literatura fantástica no Brasil, outros nem tanto, mas todos são talentos nacionais que mostram o quanto o brasileiro pode ser criativo. São eles Giulia Moon, Fred Furtado, Simone Saueressig, Duda Falcão, Nazarethe Fonseca, Alexandre Cabral, Ju Lund, Carlos Patati, Carlos Bacci e Marcelo Del Debbio.

Alguns dos autores falaram com exclusividade para O Estado RJ, sobre o envolvimento no projeto e trabalho quanto a inspirações e composição de seus contos.

A autora Nazarethe Fonseca contou que recebeu o convite no final de 2013 e o aceitou, por causa da proposta de contar uma história com vampiros nada “bonzinhos”. Além de ter gostado do projeto da editora.

“O Duda Falcão e o Artur Vecchi são comprometidos com o projeto. Divulgam, estão no Facebook postando a capa do livro. Gosto de editores motivados, isso me conquista como autora, não espero menos dos editores com quem trabalho.”

Quanto a inspiração para compor o conto ‘Olho por olho’, Nazarethe explica que, além de estar na época finalizando o volume 1 de sua nova série literária (Pandora – Controle Sobrenatural), também lia a série ‘Hannibal Lecter’ de Thomas Harris.

“Deixei a poeira sentar e reuni as impressões,” afirmou a autora. Com anotações montou enredo, personagens e esperou um pouco mais para começar a escrever. “O que posso dizer é que, enquanto escrevo alterno na pele do mocinho e do vilão. O medo, o terror, precisa de uma forma, sadia e controlada, pelas paredes da imaginação, ser vivenciado.”

Já a autora Ju Lund falou que seu envolvimento no projeto se deu a partir de um convite durante sua “licença maternidade literária”, mas que a inspiração foi instantânea, assim que soube do tema, ouvindo um forró que da nome ao conto, ‘Anunciação’. “Tudo se desenhou e escrevi bastante impulsionada, quando meu bebê permitiu,” lembrou.

Giulia Moon, criadora da série Kaori, disse recebeu o convite de Duda Falcão, organizador da coletânea. Ela  revelou ainda, que só o aceitou por ter um conto inédito na gaveta, já que sua atual agenda não permitiria. E confessou que está animada em ter um conto traduzido para o inglês.

“Foi escrito por volta de 2006 para outra coletânea de vampiros, cujo convite viera de R. F. Lucchetti, grande escritor, roteirista e ícone do terror brasileiro pulp. Como a coletânea acabou não saindo, eu tinha o conto ainda inédito guardadinho.”

O conto ‘O Dia da Caça’ foi escrito para uma coletânea de R. F. Lucchetti e, na época, foi uma novidade para Giulia que tinha textos mais suaves e com protagonistas femininas. “Acho que Diego foi um dos meus primeiros protagonistas masculinos de destaque,” observou. “Eu me lembro até hoje de ter recebido uma carta de Lucchetti, elogiando a forma como eu começara o conto, ambientando-o num sebo.”

Mais nomes

Para Fred Furtado que já escreve há algum tempo tudo aconteceu após a publicação na Z Edições, contos para Kindle Market, que surgiu o convite para participar de ‘Vampiros’. Já a inspiração veio com um documentário. Por causa de seu interesse pelo dust bowl, a catástrofe climática que assolou o meio oeste norte-americano nos anos 20, que durante um documentário sobre o assunto, o qual via com a esposa, que ela sugeriu que seria um bom ambiente para o conto e assim surgiu ‘Sangue e poeira’.

“Já que a premissa era de vampiros monstruosos. Imediatamente, me lembrei de ‘Eu sou a lenda’ do Richard Matheson, onde as nuvens de poeira são parte do background. Percebi na hora que era uma ótima ideia e comecei a pensar sobre a trama.”

Outra autora que também recebeu o convite de Duda Falcão,  foi Simone Saueressig. Segundo ela,  sua inspiração para desenvolver o tema foi a fonte, ‘Drácula’ de Bram Stoker. Só que ao invés de ambientar ‘O orquidófilo’ em uma grande cidade, já que boa parte da trama acontece em Londres, foi para um território que poucos conhecem, a Amazônia.

“Queria escrever um conto que tivesse uma forte identidade com o clássico ‘Drácula’, mas que oferecesse algo diferente ao leitor. Por isso mantive a narrativa em forma de diário, que é como o romance de Bram Stoker se desenrola, mas mudei completamente o cenário.”

“Acho que é possível acontecer praticamente qualquer história que se imaginar sobre a Amazônia,” concluiu Simone lembrando de outro clássico, ‘O Mundo Perdido’ de H.G Wells.

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