Cofres públicos: União leva rasteira de R$ 140 bilhões do BNDES, diz Guedes

O banco afirmou que em janeiro de 2021, o TCU determinou a irregularidade dos empréstimos concedidos ao BNDES pela União

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aplicou uma rasteira na União ao adiar a devolução de recursos aos cofres do Tesouro Nacional. A declaração foi nesta segunda-feira (20), durante evento que comemorou os 70 anos do BNDES.

“Ainda estão devendo. Não devolveram os R$ 400 bilhões não. Estão devendo e aplicaram uma rasteira na gente”, disse.

Guedes também criticou o fato de o banco público ter entrado no Tribunal de Contas da União (TCU) para reduzir o ritmo de devolução argumentando que teria perdas por estar gastando mais com subsídios.

“O jurídico do BNDES teve a coragem de ir ao TCU e o TCU caiu. Falaram que se devolver (tudo) agora estaria impondo uma perda ao banco. É ao contrário: estão se beneficiando do subsídio. Deveria estar devolvendo porque o Brasil está em guerra e precisando desse dinheiro”, completou.

O ministro discordou de um dos participantes do evento que alegou que o BNDES já retornou R$ 400 bilhões aos cofres públicos. De acordo com Guedes, apenas R$ 260 bilhões foram pagos, faltando então R$ 140 bilhões.

“E tem que pagar até o fim do ano. Vocês precisam falar com o jurídico de vocês e pedir para colaborarem. Não obriguem a gente a pedir dividendos. Se não vamos ter que pedir 100% dos dividendos”, reforçou.

Petrobras e novo fundo

No evento, Guedes também voltou a dizer que o crescimento econômico do Brasil já está garantindo, independente do cenário externo. O ministro também repetiu a confiança no papel do país como fornecedor de energia e alimentos no comércio exterior nos próximos anos.

“O Brasil é parte da segurança energética do Ocidente, particularmente da Europa. Eles já sabem que precisam do Brasil. Então, deve ser mais rápido nosso acesso à OCDE, deve ser mais rápido fechar acordo MercoSul-União Europeia”, argumentou.

O ministro ainda destacou a ideia de o BNDES ficar responsável por dois novos fundos, um de erradicação da pobreza e outro de reconstrução da infraestrutura nacional, originados de uma possível privatização da Petrobras.

“Só de você falar que vai privatizar a Petrobras e fazer uma migração para o novo mercado, o valor dela sai de R$ 450 bilhões para R$ 750 bilhões. E a União tem mais de 1/3 e passa, no mínimo, de R$ 150 bilhões para R$ 250 bilhões. O que fazer com esse dinheiro? Acho que tem que ser devolvido ao povo brasileiro. Vamos fazer um fundo de erradicação da pobreza, de um lado, e o fundo de reconstrução nacional de outro lado. Dois fundos e vamos botar o BNDES gerindo isso”, afirmou.

Em nota, o banco afirmou que em janeiro de 2021, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a irregularidade dos empréstimos concedidos ao BNDES pela União.

“Em março de 2021, foi estabelecido entre o banco e o órgão regulador um cronograma de pagamentos. O BNDES vem seguindo estritamente o acordado. Até hoje já foram pagos R$ 565,1 bilhões, R$ 22,7 bilhões em 2022. O saldo remanescente é de R$ 81,0 bilhões”, diz a nota.

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