Clark Kent, quem diria, parou onde?

As más línguas diriam que ele deu um pulinho nas praias do Rio, voou até São Paulo, tomou caldo de cana e zarpou mundo afora. Krig-rá- bandolo

Qual é seu super- herói favorito? Nem venha dizendo “meu pai, minha avó, meu irmão mais velho”. Não esse tipo de super-herói, todos eles são mesmo. Ou somos. Quero saber com qual se identifica, tipo Super-Homem, Mulher Maravilha, X-men e por aí vai. Super-heróis mesmo, daqueles que voam, somem, fazem o mundo terráqueo parecer mais protegido, mesmo que para isso eles tenham que explodir uma grande parte do mundo.

Dessa forma, fiquei vendo toda a balbúrdia que fizeram em torno da sexualidade do Super-Homem, o filho de Khal-El, vindo de lá de Krypton, planeta que foi dizimado, e enviado à Terra numa nave-berço por seus pais. Analisando sob esse lado, é mais do que claro que ele veio para uma Terra imaginária, caindo nos Estados Unidos imaginário, criado numa fazenda por uma família imaginariamente perfeita e tomou as características terráqueas para si. Mas é um alienígena. Sempre foi, assim como a Mulher Maravilha, linda, gostosa. E alienígena.

Oras, e se eles fossem mesmo sexualmente digamos mais “maleável”, o que isso importaria se eles existissem de verdade? Vieram nos salvar, vieram para cá para tentar pôr uma ordem nesse planeta e não para uma galinhagem metauniversal. E se fosse isso o problema, qual é o problema? Os caras vêm de lá do espaço, não têm culpa se a atmosfera terráquea os tornou super alguma coisa.

BBC Brasil - Notícias - Livro reúne charges de super-heróis decadentes
Decadance Avec Elegance

Deu mesmo foi uma superfofoca que não vai dar em nada, ao menos aqui no nosso mundo. Para quem importa uma suspeição dessas? E se eles forem mesmo “super-heróis flex”, em que isso mudaria seu conceito? Você pode então optar pelos seus lados digamos “normais”. Temos no cardápio então: Clark Kent e Diana Prince, dois personagens esquizofrênicos. Lindos, mas esquizóides e que vieram pra salvar nosso mundo. Junte-se a eles o Hulk, o Homem-Aranha, o Batman e o seu fiel escudeiro Robin e toda a série Marvel de salvadores do nosso mundinho já tão frágil.

Se eles fossem reais, queria vê-los aqui no Brasil, essa sim uma terra de bipolares, que fazem fantasia e pulam o tempo todo, reclamam de tudo e comemoram tudo, comem feijoada e caipirinha e saem nas ruas correndo, pulando e beijando. Na sequência, reclamam, queimam e quebram tudo, batem panelas e berram. Muito. Saem dali, pegam ônibus, trem e metrô lotados, fila em todos os lugares, acordam cedo, tomam café, quando tem, e começam tudo de novo.

E ainda são felizes e têm a esperança de que dias melhores virão. Vendo assim, me alivia a alma saber que os super-heróis não existem, pois não temos concorrentes no quesito chupar cana e assobiar ao mesmo tempo. Qual o pobrema? Somos heróis, viva nóis, véio!

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 4 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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