Cinema que fala de amor e beijos polêmicos

Quando se fala em filmes sobre amor, a primeira coisa que vem à mente são aqueles filmes “água com açúcar” ou comédias românticas. Só que não há apenas esse tipo de filme formando a lista. Há dramas, comédias ou mesmo suspenses com grandes romances e beijos marcantes, como ‘Titanic’, e até filmes de ação podem contar com inesquecíveis histórias de amor, como ‘Exterminador do Futuro’.

Por causa da polêmica na Bienal do Livro do Rio de Janeiro 2019, quanto a títulos de conteúdo ou com personagens LGBTQ+, sendo tratados como conteúdo pornográfico, é constatado que estamos em um novo momento importante da História Humana, equivalente aos tempos que o beijo entre o Capitão Kirk (William Shatner) e a Uhura (Nichelle Nichols) da série ‘Star Trek’, criada por Gene Roddenberry, foi visto como um escândalo. Tudo porque não aceitavam que pessoas com cor de pele diferente tivessem qualquer relacionamento afetivo.

Assim como um simples beijo entre pessoas com cor de pele diferente foi motivo para polêmicas a 50 anos atrás, atualmente produções cinematográficas ainda relutam em tratar o assunto do beijo entre pessoas do mesmo sexo, como parte natural da vida.

Foto: Divulgação

Um bom exemplo é o filme ‘Eu os declaro marido e… Larry’ de 2007, que mesmo com foco no drama de 2 grandes amigos, consegue mostrar com leveza e naturalidade esse “universo LGBTQ+” que parece assustar a muita gente ainda.

Retratando a realidade como é, mas com uma dose de humor, fazendo não só um dos personagens principais rever conceitos, o Chuck (Adam Sandler), machão declarado, que para ajudar o melhor amigo Larry (Kevin James) topa casar com ele e fingir ser seu marido; mas também faz o público pensar melhor na questão, ao mostrar os 2 amigos, que são bombeiros,  lidando com o falecimento da esposa de um deles e da necessidade de deixar os 2 filhos resguardados. Surgindo assim a ideia de bancarem um casal e é aí que eles conhecem os dramas das pessoas e famílias LGBTQ+.

No entanto, o assunto relacionado ao beijo ainda é tabu e mais de uma década depois do lançamento de ‘Eu os declaro marido e… Larry’ nada parece mudar. Não só quanto a censura e atos homofóbica, como o visto durante a edição 19 da Bienal do Livro carioca, mas ainda no cinema.

Um exemplo é a franquia nacional de grande sucesso, ‘Minha mãe é uma peça’, onde o personagem que representa o grupo LGBTQ+, Juliano, interpretado pelo ator Rodrigo Pandolfo, em ‘Minha mãe é uma peça 3’ vai casar, mas por conta do público alvo, o escritor e intérprete da personagem principal, Paulo Gustavo, decidiu que não vai ter beijo no filme, de acordo com declaração de Pandolfo.

Valendo lembrar que não faz muito tempo que algumas salas de cinema que exibiam ‘Bohemian Rhapsody’ no Brasil, filme sobre a vida de Freddie Mercury, contaram com vaias de alguns espectadores que não gostaram de ver o músico beijando um homem.

Agora é aguardar que, assim como aconteceu com o beijo de Kirk e Uhura, que as próximas gerações assimilem o beijo entre pessoas de mesmo sexo e como na peça de Shakespeare parem de fazer “muito barulho por nada”.

Por

Ex-repórter redatora da editoria de Cultura do webjornal O Estado RJ, atualmente colunista (Curtindo Adoidado).

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e