Celular faz mal?

A interferência do celular, se utilizado de forma indiscriminada, pode não ser benéfica para a saúde humana

Qual o impacto do celular no nosso cérebro e no nosso corpo? Faz dez anos que carregamos a internet com a gente dentro dos nossos celulares. Mas há uma grande questão latente. O celular vicia? Hoje já temos uma resposta para tal questionamento. O vício é real. A dependência do celular irá alterar o nosso comportamento e a forma como o nosso cérebro funciona. Hoje há um nome para isso, nomofobia, que em inglês é “no mobile”, fobia, medo de ficar sem o celular, e pior, o medo de ficar sem o celular leva a um ou comportamento que se chama hikikomori, que é um termo em japonês e significa afastamento social severo.

Um estudo feito com 60 jovens de 18 a 30 anos saudáveis, mas que todos se autodeclararam dependentes do celular, resolveu analisar o cérebro dessas pessoas em duas redes de conexão neural, que são justamente as redes que a gente vê que estão alteradas em pessoas que têm problema. Mas veja, essas pessoas eram saudáveis e só se diziam dependentes do celular e o que eles verificaram nesses jovens é que essas duas redes também estavam alteradas, indicando que a gente pode ficar viciado em celular, mas ainda não sabemos se o celular em si causa essa alteração cerebral, ou se a pessoa já tem uma propensão. Como o celular é muito novo em nossas vidas, a ciência ainda não teve tempo suficiente para saber exatamente quais são as consequências ao longo do tempo.

Se analisarmos que as telas dos computadores e televisões, trouxeram para a nossa vida um aumento do sedentarismo e um aumento gigantesco do tempo de exposição, precisamos ter muita cautela, pois os celulares ampliaram ainda mais esse tempo. Outro fator importante, mostrado em um estudo realizado, analisou a hipótese do dreno cerebral. Os pesquisadores testaram algumas centenas de estudantes norte-americanos para verificar se a mera presença do celular poderia drenar a capacidade de raciocínio, que em ciência é chamado de capacidade cognitiva.

Os testes foram realizados com estudantes em três condições: O celular próximo aos estudantes, outro dentro da mochila e outro em outra sala. O experimento, identificou que quanto maior a proximidade do celular, maior a dependência e menor a capacidade de raciocínio. Outro estudo que acabou de ser publicado com 260 estudantes chineses, verificou que quanto maior a dependência do celular no primeiro ano de faculdade, maiores as chances de ter depressão e ansiedade no terceiro ano de faculdade. Em contrapartida os alunos que apresentaram esse quadro e no segundo ano receberam auxílio para reduzir essa dependência, nesses casos a chance de ter problemas ansiedade foram bastante reduzidas.

Use com moderação

Um estudo japonês com quase 500 estudantes também universitários, mostra que os jovens do sexo masculino preferem ficar jogando online, enquanto os do sexo feminino preferem utilizar as redes sociais. O que ajuda a entender por que as meninas e mulheres tem mais chances de ter problemas com depressão e ansiedade do que os homens. Mas não somente os estudos nos mostra indícios importantes dos malefícios do celular. Os problemas não são somente com depressão ou com ansiedade, mas também aumento de estresse e piora na
qualidade dos e falando em sono. É perceptível a “olho nu”, que quanto mais se usa o celular à noite maiores as chances de piorar os porque ele desregula a produção de hormônios do sono.

Não podemos negar que os benefícios de se ter um celular com internet a mão são mágicos. Para alguém que nasceu sem internet, e agora a tem na palma da mão. Mas também precisamos ter cuidado total com os malefícios do uso excessivo e desregulado para que seja um adendo e não uma perda de nossa qualidade de vida.

Por

cristiane.lopes@oestadorj.com.br

* Jornalista e especialista em Gestão Cultural. Amante da cultura e das artes.

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