Mundo do Samba

Três encontros com Beth

Beth Carvalho era uma personalidade facilmente encontrada e disponível. Não era difícil eventualmente vê-la pela cidade em rodas de samba, quadra de escolas, blocos carnavalescos, atos políticos e em locais tipo o Bar Bip Bip, em Copacabana, no antigo Encontros Cariocas, no Centro do Rio e em estádios de futebol torcendo pelo nosso Botafogo. Para mim, não obstante as incontáveis ocasiões em que a assisti em shows a avistei pelas andanças da vida, três vezes especialmente se tornaram inesquecíveis. A primeira vez que vi a madrinha do samba pessoalmente foi nos idos do carnaval de 1983. Desfilava o Clube do Samba pela avenida Rio Branco e Beth, radiante e bela, lá estava à frente do bloco, ao lado do presidente e fundador João Nogueira, levando no colo sua filha Luana, ainda bebê. Junto com vários sambistas conhecidos, entoava o refrão de protesto naqueles tempos de ocaso do regime militar e empréstimos do FMI, o Fundo Monetário Internacional: "Ai ai...
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Novo racha no mundo do samba

Na última semana, o mundo do samba vivenciou o ápice de uma crise que vem se desenrolando há algum tempo. Ela envolve as escolas de samba do grupo de acesso e a entidade que as representa: a Lierj - Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. O imbróglio tem como pivô nove agremiações descontentes, que queriam mudanças na direção da entidade. Após perderem uma ação judicial, que resultou na permanência do presidente Renato Martins, o Thor, no comando da Lierj, as escolas se rebelaram e anunciaram a criação de uma nova associação representativa: a Liga - Liga Independente do Grupo de Acesso. O presidente da entidade original contra-atacou e numa dura nota acusou os dissidentes de buscarem o poder a qualquer custo, além de serem manipulados por dirigentes de uma outra associação, a Liesb - Liga das Escolas de Samba do Brasil, que comanda os desfiles das pequenas escolas da avenida Intendente Magalhães. Esta disputa...
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O padroeiro dos sambistas

Na próxima terça-feira, 23 de abril, os católicos comemoram o dia de São Jorge, um dos santos mais populares e festejados para os brasileiros. Em todo o estado do Rio de Janeiro é feriado e em varias cidades as igrejas dedicadas a ele lotam de fiéis nas missas celebradas durante o dia. Para os sambistas, São Jorge pode ser considerado um padroeiro. O santo guerreiro é intensamente reverenciado pelo mundo do samba e isto pode ser comprovado nos diversos sambas compostos em sua homenagem, nas inúmeras vezes em que já desfilou na avenida e nas imagens que se espalham pelas quadras das agremiações. Isto também se deve ao sincretismo religioso que fez com que os negros vindos da África ligassem a imagem do santo guerreiro ao do orixá Ogum. Daí os seguidores das religiões afrobrasileiras passaram também a cultuar este dia, fundindo as duas figuras sagradas. Um dos maiores sucessos de Zeca Pagodinho é o samba Ogum, de autoria de Marquinhos...
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O samba é o protagonista

Há algum tempo venho insistindo com amigos sambistas e compositores da importância que o samba-enredo tem no sucesso e bom de envolvimento do desfile de uma escola. A história nos mostra que um belo visual plástico nem sempre garante uma boa colocação, mas um samba que contagia público e foliões é um grande passo para um campeonato. Mesmo agremiações menores, que não despontam entre favoritas, muitas vezes conseguem galgar posições de cima impulsionadas por um grande samba. Exemplo mais recente foi a Paraíso do Tuiuti, em 2018 que, cotada para o rebaixamento, alcançou o vice-campeonato, muito devido ao samba do "vampirão". A campeã de 2019, Mangueira, também deve muito do seu título ao samba-enredo "Histórias para ninar gente grande", um sucesso que extrapolou o mundo do Carnaval e já é cantado pelas rodas de samba e pagodes afora. Temos exemplos históricos de sambas que impulsionaram desfiles e ganharam voo próprio. Silas de Oliveira, considerado o maior compositor do gênero, foi...
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Novas caras no samba

O mundo do samba não para. Nem mesmo terminou o período de quaresma, que em outros tempos seria uma espécie de retiro ou recesso, as movimentações nas escolas de samba continuam . Várias mudanças já estão confirmadas. Entre carnavalescos, Jack Vasconcelos, depois de alçar a Paraíso do Tuiuti ao topo do grupo especial, transferiu-se para a Mocidade Independente, onde desenvolverá o enredo sobre Elza Soares. A azul e amarela de São Cristóvão imediatamente anunciou João Vítor Araújo, que vem da Unidos de Padre Miguel, do grupo de acesso, para substitui-lo. Deste grupo, a Grande Rio também foi buscar a dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que vem de dois grandes trabalhos na Acadêmicos do Cubango, vice-campeã do Acesso em 2019. Estes carnavalescos estreantes se somarão a novas caras que vêm despontando no grupo de elite do carnaval carioca e que demonstraram grande vigor artístico no desfile deste ano. Novatos como Jorge Silveira, da São Clemente e Edson Pereira, da Vila Isabel. Além...
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Ecos do Carnaval

Após atravessar um dos períodos mais conturbados das últimas décadas, o ciclo de carnaval 2019 do Rio de Janeiro se encerra de forma positiva, mesmo nesta conjuntura de crise. Para se ter uma ideia, a subvenção para as escolas de samba e blocos foi liberada somente na sexta-feira, primeiro dia dos desfiles. Muitas agremiações não conseguiram receber, já que o expediente bancário se encerra às 16 horas. Entretanto, dada as circunstâncias, todas as escolas conseguiram desfilar e demonstraram a força do samba. Blocos carnavalescos também arrastaram multidões e driblaram com energia e empolgação todas as dificuldades impostas. A festa mais uma vez atraiu milhares de turistas para a cidade. O sucesso do Carnaval deste ano foi coroado com o desfile da Mangueira, na madrugada de terça-feira. Até então a verde e rosa não constava entre as favoritas nos prognósticos pré-carnavalescos. Mas aqui neste espaço, já apontávamos o samba enredo "Histórias para ninar gente grande" como um dos melhores da safra e verdadeiramente...
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A magia do Carnaval está no ar

É de novo Carnaval e sempre nessa época, independente da situação, os problemas são momentaneamente esquecidos ou empurrados para a frente e o bom astral predomina. Para os que não curtem a folia, é hora de viajar, descansar, fugir da rotina, ir para um retiro espiritual ou até ficar em casa com a família. Ninguém fica imune a esses dias. É parte da cultura do país. Atualmente o carnaval se transformou. Lembro que nos tempos de criança havia um cenário de festa diferente, que agregava gente e motivava famílias a participarem. Não havia um dogmatismo religioso tão radical. Os pais faziam questão de vestir os filhos com fantasias. E as próprias fantasias faziam parte do universo infantil. Eram comuns os bailes de matinês em clubes e nas ruas, onde as crianças participavam como parte das brincadeiras dessa fase da vida. À noite, entravam em cena os adultos e as ruas exalavam alegria e felicidade. Aliás, as fantasias de carnaval eram um capítulo...
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Que Carnaval é esse?

A uma semana do início oficial do Carnaval, um clima estranho paira no ar. Confesso que acompanhando e participando da folia desde os meus tempos de criança, nunca vivenciei um período de festa como este 2019, tão morno. Parece que o ambiente conturbado do pais, com tragédias sucessivas desde o fim do ano passado, a polarização política, que ja vem de algum tempo, mas se radicalizou com as últimas eleições e a falta de vontade do poder público em investir, contaminaram o clima do Carnaval. Lógico que existem foliões engajados, os sambistas verdadeiros e os mais festeiros que sempre se animam nesta época. Entretanto, para a população de modo geral há um nítido desânimo e desinteresse. Certo que comparado com décadas passadas não há mais aquele ambiente carnavalesco que mobilizava multidões, com ruas decoradas, coretos espalhados pelos bairros e bailes populares promovidos pelas prefeituras de várias cidades. É nítido que em 2019 o Carnaval está muito estranho. No Rio de Janeiro, até...
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Habemus ensaio técnico

Há três semanas do Carnaval, o Rio de Janeiro parece sofrer uma conspiração dos astros contra a festa. Não bastassem todos os problemas políticos junto à prefeitura, esta semana a cidade passou por acontecimentos que geraram um anticlímax, um baixo astral que depõe contra a folia. Chuvas que trouxeram caos, ruas inundadas, deslizamento de encostas e um rastro de destruição que deixou seis mortos. Pra completar a tragédia, o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, que vitimou dez pessoas, entre jovens jogadores e funcionários do clube. No meio disso, a boa notícia carnavalesca da semana nem pode ser comemorada. Finalmente teremos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, após dois anos sem a sua realização e a superação das dificuldades que ameaçavam sua não realização em 2019. A Liesa - Liga das Escolas de Samba - conseguiu fechar o patrocínio que faltava, via Lei Rouanet, para viabiizar financeiramente o evento. Mesmo com o calendário apertado, em apenas três fins de semana...
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As últimas do samba

Embora ainda haja grandes indefinições sobre o Carnaval carioca deste ano, o certo é que a coisas vão caminhando a partir das livres iniciativas. A 35 dias da festa, a certeza que se tem é que ela acontecerá. Ainda não está confirmada a realização dos ensaios técnicos, mas a boa notícia é que esta semana a Liga das Escolas de Samba anunciou que está negociando com a Light, empresa concessionária de energia elétrica estadual, um patrocínio de R$ 14 milhões, o que viabilizaria também a realização dos treinos na Sapucaí. Faltam apenas detalhes burocráticos, já que os recursos estão enquadrados na lei estadual de incentivo a Cultura e contam com o aval do governo do estado. Aliás, em relação a isto, foi muito bem recebida pelo mundo do samba a decisão do novo governador Wilson Witzel de manter o camarote do governo estadual na Sapucaí. Neste espaço, normalmente são recebidas autoridades nacionais e estrangeiras, políticos, empresários, artistas. O próprio governador declarou...
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