Mundo do Samba

As lives invadem o mundo do samba

O sambista é sem dúvidas um ser resiliente. Impossibilitado de frequentar as quadras das escolas, as rodas de samba e bares, aproveitou um jeito de se manter conectado sem perder o ritmo. As lives de sambistas invadiram as redes sociais da internet. Diariamente, são centenas delas, tornando-se impossível acompanhar todas. Uma prova de que em meio a tantas coisas ruins trazidas por essa pandemia, algo de bom floresce no ar. Algumas dessas transmissões têm alcançado um público imenso, como a realizada pela Beija Flor, que durou cerca de cinco horas e contou com a presença do seu puxador Neguinho, o carnavalesco Milton Cunha, como mestre de cerimônias e diversos cantores de agremiações do Rio de Janeiro. Vários sites especializados em Carnaval também têm feito lives diárias para entreter os aficionados da festa. Como por exemplo, os sites Carnavalesco, SRZD, Rádio Arquibancada, Mais Carnaval, entre outros. As escolas de samba também embarcaram na onda e estão abrindo canais para transmissões pela...
Leia mais

Davi Correia foi morar no infinito

Em 1973, no auge do regime militar e da repressão política, o espírito galhofeiro do carioca fez cantar no carnaval, nas ruas e salões, uma paródia do refrão do samba "Pasárgada", da Portela: "Ao embarcar no camburão / senti palpitar meu coração". Camburão, como se sabe, é o apelido dado aos carros de polícia que transportam presos. A letra correta dizia "ao embarcar na ilusão / senti palpitar meu coração" e é de autoria de Davi Correia, um dos maiores compositores de samba enredo, que pode, sem dúvida, ser colocado num panteão ao lado de Silas de Oliveira e Martinho da Vila. Davi morreu no último domingo, aos 82 anos, deixando um legado de sambas inesquecíveis."Pasárgada" foi o primeiro samba que Davi desfilou pela Portela. Depois disso emplacaria mais seis, tornando se o maior vencedor na azul e branca de Madureira. Suas composições contribuíram essencialmente para a popularização do samba-enredo, justamente nas décadas de 70 e 80, quando...
Leia mais

Tributo aos poetas que partiram

Quando a ala de compositores da escola de samba Beija Flor lançou o primeiro cd com obras de seus componentes, fui presenteado com um exemplar por um dos autores de um samba do disco. O compositor Carlinhos Amanhã, um dos mais antigos integrantes da ala da azul e branco nilopolitana. Esta semana, Luiz Carlos dos Santos, seu nome de batismo, nos deixou, vítima dessa pandemia que nos assola, embora oficialmente conste como pneumonia a causa de sua morte. O título desta coluna é justamente o do samba de sua autoria, juntamente com Pereirão e Marcão Mangaratiba, cantado por ele mesmo, a nona faixa do referido cd. "Tributo aos poetas que partiram " é uma homenagem a todos os sambistas que já não estão entre nós. E agora Carlinhos Amanhã é mais um deles. O mundo do samba, nas últimas semanas, tem perdido nomes importantes, como Tantinho da Mangueira e Rico Medeiros. Tantinho é um dos nomes mais importantes da...
Leia mais

Como será o amanhã?

Uma questão que mais tem se colocado para o mundo do samba atualmente é sobre a realização do Carnaval no próximo ano e do próprio desfile das escolas de samba. A incerteza é grande e não há quem aposte em nada. Todos os trabalhos das agremiações estão interrompidos, a cidade do samba se encontra fechada, assim como as quadras. Mesmo numa data tão tradicional como o dia de São Jorge, não houve qualquer movimento. A devoção ao santo, bem como as feijoadas, foram preparadas e saboreadas apenas nas casas das famílias dos sambistas, sem aglomeração. O que não falta na cabeça de todos é dúvida em relação ao Carnaval 2021. A primeira delas é se até lá a estratégia de isolamento social estará em vigência, já que a folia é uma festa essencialmente de aglomeração de pessoas. Mesmo se essa estratégia estiver sido relaxada, será que as pessoas estarão seguras para conviver no meio da multidão? Vários especialistas...
Leia mais

Uma noite de samba inesquecível

Era uma segunda feira de outubro de 1993. Sim, em pleno dia útil, o Império Serrano marcou a sua final para a escolha do hino que cantaria no Carnaval de 1994. Naqueles tempos, a verde e branca de Madureira era a última agremiação do grupo especial a fazer sua final. E partimos eu e um amigo, que hoje é um conhecido dirigente político, do Centro do Rio, após o fim da nossa jornada de trabalho, rumo ao subúrbio da Central do Brasil. Antes, uma parada no bar Amarelinho, na Cinelândia, para uma breve concentração e aquecimento das turbinas. Embarcamos no 260, Praça XV - Vila Valqueire, para uma noite memorável de samba. Atravessando a passarela da estação de trem já dava para sentir o clima agitado da Avenida Edgar Romero, principal via comercial, que corta o bairro e desemboca na quadra do glorioso reizinho, também conhecido como "Menino de 47". No pequeno largo em frente, descida da passarela...
Leia mais

Riachão e o samba de roda da Bahia

Esta semana foi marcada pela morte do compositor Clementino Rodrigues, o Riachão, sambista icônico da Bahia, aos 98 anos. Autor de sucessos na voz de Gilberto Gil e Caetano Veloso, como "Cada macaco no seu galho " e "Vá morar com o diabo", com Cassia Eller, Riachão pode ser considerado o representante maior do samba de roda baiano, ao lado de Oscar da Penha, o Batatinha. O ritmo denominado axé e a música oriunda dos trios elétricos do carnaval de Salvador foram fortemente influenciados por ambos. O precursor de todos eles foi Dorival Caymmi, que desde os anos de 1930 conseguiu extrapolar do seu estado natal para chegar ao grande público brasileiro. Riachão também conseguiu furar esse bloqueio e ainda na década de 50 teve suas primeiras músicas gravadas, através de Jackson do Pandeiro. Existe até uma certa polêmica histórica de onde o samba surgiu, se no Rio de Janeiro ou na Bahia, dado à forte tradição...
Leia mais

Ai, que saudade do meu samba

Nessa época de pandemia de coronavírus e quarentena forçada, o mundo do samba está completamente recolhido. Nada de quadras, feijoadas, rodas de samba ou pagodes nas ruas e bares. É aí que bate uma saudade e vem à lembrança os grandes encontros de samba que vivenciamos pela cidade. Claro que tão logo essa fase passe, rodas atuais como Pedra do Sal, na Praça Mauá, Arco do Teles, na Praça XV, Beco do Rato, na Lapa, Tia Doca, em Madureira, entre dezenas de outras, estarão de volta. Mas falo principalmente das rodas de samba de memoráveis tempos, que não existem mais e causam nostalgia à mente nesse momento de excesso de tempo vago. Como por exemplo as quartas feiras do Cacique de Ramos, a roda seminal que na década de 1980 provocou a renovação do gênero samba, que ficou conhecida como a onda dos pagodes. Dali foram alçados ao estrelato nomes como Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo...
Leia mais

Samba em tempos de coronavírus

Esta semana o mundo foi alertado pela Organização Mundial de Saúde de que a infecção por coronavírus tornou-se uma pandemia, ou seja, está disseminada por todos os países do planeta. Com isso, as autoridades estão orientando a população a evitar aglomerações, como forma de prevenir o contágio. Eventos esportivos e culturais estão sendo cancelados, escolas e universidades sem aulas, manifestações públicas suspensas. Isto afeta diretamente o mundo do samba, que vive de encontros e confraternizações, rodas de samba, quadras lotadas, feijoadas etc. A festa de entrega do Estandarte de Ouro, prêmio concedido pelo Grupo Globo às escolas de samba que desfilam no grupo especial e de acesso do Rio de Janeiro, foi adiada. O tradicional evento, que existe há cerca de 50 anos, seria ontem, sexta-feira, já estava com ingressos vendidos, mas não aconteceu, para seguir as orientações das autoridades médicas, segundo os organizadores. Toda essa fase nos remete à quaresma, como havia no passado, quando as...
Leia mais

O samba não pode parar

Após algumas semanas ausentes, estamos de volta neste espaço, que é um reduto de resistência, diante dos constantes ataques que o samba vem sofrendo ultimamente. Mais um Carnaval findou e, se não foi dos melhores, mostrou novamente a força da Cultura popular e que estamos mais vivos do que nunca. Por incrível que pareça, o resultado dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro deste ano não causou grande polêmica. Foi um consenso no mundo do samba que as duas melhores realmente foram Viradouro e Grande Rio, além da justa colocação das quatro outras que voltaram no desfile das campeãs: Mocidade Independente, Beija Flor, Salgueiro e Mangueira. Talvez o único questionamento possa ser o rebaixamento da Estácio de Sá, que poderia ser trocada pela Unidos da Tijuca. Mas seria demais exigir da Liesa rebaixar uma escola com tamanha força política como a azul e amarela do morro do Borel, para salvar uma outra que ascendeu este...
Leia mais

Ano novo, mas a crise é velha

O ano de 2020 bate às portas e com ele renovam-se as esperanças de mudanças e vida melhor para todos. Entretanto, se há um setor que não vê perspectivas de melhorias é o mundo do samba e o carnaval do Rio de Janeiro. Já são três anos de crise, desde que o atual prefeito assumiu o cargo em 2017 e iniciou uma cruzada contra a maior festa da cidade. O argumento compreensível da falta de recursos financeiros, com o consequente corte na verba destinada ao carnaval para o investimento em saúde, mostrou se agora falacioso, diante do caos instalado nos hospitais e clínicas públicas municipais. Por conta disso e agravado com o atraso salarial dos funcionários, as escolas de samba, blocos de rua e demais agremiações não enxergam no horizonte qualquer possibilidade de investimento em 2020. Faltando cerca de dois meses para o evento, nem a prometida subvenção de R$ 3 milhões para as 40 pequenas agremiações que desfilam na...
Leia mais
http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e