Mundo do Samba

O mais Cult dos santos

São Jorge extrapola as religiões e, talvez, com exceção dos evangélicos neopentecostais, é admirado por todos. Este "talvez" é porque há controvérsias se algum deles, a maioria pós convertido, em algum passado já não acenderam uma vela para o guerreiro. Até ateus confessos se rendem e caem dentro da feijoada e das rodas de samba nas festas regadas a cerveja, a bebida preferida do santo. Se há um lugar onde São Jorge é unanimidade é no mundo do samba. Não há sambista que não o venere. São diversos sambas compostos em sua homenagem. Seu nome já foi cantado em vozes como Zeca Pagodinho, Jorge Benjor, Jorge Aragão, Seu Jorge e Alcione. Mas sua força extrapola o samba. Fernanda Abreu, Jorge Vercilo, Alceu Valença, Racionais MCs já cantaram o santo em suas vozes. Nas escolas de samba, São Jorge foi protagonista pelo menos duas vezes na avenida, em 2008 com a Império da Tijuca e em 2016 com a Estácio...
Leia mais

O show tem que continuar

Considerado um dos melhores compositores de samba do país, ele faz parte da geração forjada nos pagodes do Cacique de Ramos, na década de 70. Luiz Carlos Baptista, seu nome de registro, morreu jovem, aos 59 anos, em 2008, vitimado por um câncer no intestino. Os amantes do Carnaval o conhecem como autor, juntamente com Rodolfo e Jonas, pelo samba enredo Kizomba, festa da raça, um dos melhores de todos os tempos e com o qual a Unidos de Vila Isabel sagrou se campeã em 1988. Antes disso, em 1979, um samba seu pela primeira vez desfilou na avenida. Com os anos dourados de Carlos Machado , no qual a Vila ascendeu ao grupo especial. Ainda no capítulo samba enredo são de sua autoria, em parceria com Nei Lopes, os clássicos Por um dia de Graça (gravado por Simone) e Nas veias do Brasil, ambos da escola de samba Arte Negra Quilombo, fundada por Candeia. Aliás, uma das suas obras mais...
Leia mais

O samba resiste, agora com melhores perspectivas

Várias cidades brasileiras reconheciam o perigo que rondava o sistema de saúde e começavam a adotar medidas de fechamento de várias atividades sociais, visando deter a proliferação do vírus. Com isso as quadras das escolas de samba tiveram seus eventos paralisados. No início, os mais otimistas esperavam uma interrupção passageira e que logo voltariam as feijoadas, as rodas de samba, os ensaios. Entretanto, passado um ano, nem o mais pessimista imaginaria que em março de 2021 a situação estaria ainda pior, sem a volta das atividades do samba tão cedo, pelo menos nesse primeiro semestre. A previsão é que no segundo semestre, com grande parte da população já vacinada, as atividades possam ir voltando gradualmente. O mundo do samba aguarda esse momento ansiosamente. Agora com uma gestão municipal mais preocupada com as vocações do Rio de Janeiro e que reconhece as escolas de samba e o Carnaval como essência da cultura da cidade, as perspectivas melhoraram sensivelmente....
Leia mais

É Carnaval!

Afinal, está lá no calendário para nos lembrar a efeméride que antecede o período da quaresma estabelecido pelo Cristianismo. Ou seja, há carnaval, mas não há carnaval. Em tempos normais, a esta hora a cidade já fervilhava, com milhões de pessoas nas ruas, puxadas pelo Cordão da Bola Preta, que abre oficialmente os festejos de Momo no Rio de Janeiro. As escolas de samba já estariam com seus carros alegóricos na concentração, as imediações da Marquês de Sapucaí já interditadas, com aglomeração de turistas curiosos para conhecer aquela magia. As autoridades médicas e governamentais fizeram um enorme esforço para convencer o povo a ficar em casa e evitar festas e blocos clandestinos. Além da proibição oficial, com decretos e ameaças de prisão e multa para quem descumprisse a ordem, diariamente os meios de comunicação anunciavam que este ano não haveria carnaval. Por trás desse esforço de convencimento, havia no fundo o temor de uma desobediência civil. O carnaval tem...
Leia mais

Adeus ano velho, feliz 2022

Esta semana, comentando a atual situação em que vivemos, brinquei com um amigo que não irei comemorar o meu aniversário, em março. Tão pouco aumentarei a minha idade. O cancelamento do Carnaval já é um presságio disso. O que antes havia sido adiado para julho, agora só em 2022. Quando eu era adolescente e comecei a me apaixonar pelo samba e o Carnaval, eu costumava pensar que quanto tempo eu vivesse, eu teria presenciado carnavais. Se vivesse 100 anos, teria passado por 100 carnavais. Mas, definitivamente, essa minha conta de quem começava a vida, foi por água abaixo. Se eu viver 100 anos, só terei passado por 99 carnavais. Isso se outra catástrofe dessa não acometer novamente a humanidade. Nem nos períodos de guerras mundiais ousaram cancelar o Carnaval. Em 1912, quando o Barão do Rio Branco morreu, o governo decretou luto e adiou os festejos momescos para o início de abril. Mas o povo, no seu mais autêntico...
Leia mais

Ano Novo, mais dúvidas do que certezas

Era um consenso, não só entre as agremiações, mas entre diversas entidades da sociedade, governos e autoridades médicas, que o Carnaval na data original de fevereiro se tornou inviável, devido a permanência da pandemia no mundo. Este adiamento despertou um certo otimismo no mundo do samba, já que até então muitos apostavam simplesmente no cancelamento total da festa e a sua realização apenas em 2022. Entretanto, os dirigentes da Liesa deixaram claro que a realização dos desfiles em julho estava condicionada a que neste período a maior parte da população já estivesse vacinada. Um outro ponto é que as escolas de samba precisavam de recursos financeiros, já que estavam com suas atividades paralisadas desde março do ano passado, com a dispensa quase total dos profissionais envolvidos. Eis que um novo ano se inicia e o que era otimismo virou dúvida e baixo astral. A disseminação da doença recrudesceu, com aumento do contágio e do número de mortos no país. Nesta...
Leia mais

Carnavalesco cria projeto para ajudar trabalhadores

Na coluna passada abordei as várias ações que vêm ocorrendo no mundo do samba, visando ajudar os trabalhadores do Carnaval que estão em dificuldades e se encontram sem renda, devido a interrupção das atividades por causa da pandemia. Citei especificamente uma delas, que é a #nãoésófolia. Hoje, vamos falar de um outro movimento, que também tem o mesmo objetivo: o Barracão Solidário, coordenado pelo carnavalesco Wagner Gonçalves. Segue o texto que circula nas redes. O PROJETO #BarracãoSolidario é uma iniciativa em prol dos trabalhadores do Carnaval Carioca (aderecistas, ferreiros, pintores, seguranças...). Sem renda por conta da indefinição quanto à realização dos desfiles carnavalescos por conta da pandemia, alguns profissionais que prestam serviços nos barracões das escolas de samba do Rio de Janeiro estão enfrentando sérias dificuldades financeiras para conseguir sobreviver. Para tentar amenizar o sofrimento desses profissionais que são essenciais para a realização do espetáculo que anualmente encanta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, está sendo lançado o...
Leia mais

Mobilização do samba ajuda trabalhadores

Esses movimentos estão arrecadando alimentos, material de limpeza e recursos financeiros, para serem doados aos trabalhadores. Muito deles, estão completamente sem renda para sobreviver. Uma dessas ações, que circulam nas redes é a #nãoesófolia. A coluna presta aqui seu serviço de utilidade pública e reproduz o texto do movimento, onde estão as informações sobre as formas de doação. "Os trabalhadores que fazem o “maior espetáculo da terra” acontecer precisam do nosso apoio. O Carnaval é um momento muito esperado e de muita alegria para a maioria dos cariocas, seja para quem desfila ou assiste os desfiles das escolas de samba na Sapucaí ou para quem curte os blocos que tomam as ruas da Cidade Maravilhosa. Mas tem um grupo que curte o Carnaval de outra maneira: suando a camisa no trabalho, garantindo que a festa aconteça da melhor maneira possível. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a festa movimentou R$...
Leia mais

Fernando Pinto, um gênio inesquecível

Alguns carnavalescos fizeram história no rastro das grandes transformações que o desfile das escolas de samba sofreu a partir dos anos 60. Entre eles, um pernambucano chamado Carlos Fernando Ferreira Pinto, que emerge em 1971, no Império Serrano, com o enredo "Nordeste, seu povo, seu canto, sua gente ". Em 1972 conquista o campeonato com uma célebre homenagem, que fez a verde e branca de Madureira levantar a avenida com o seu "Alô, alô, taí Carmem Miranda", lembrado e cantado até hoje. Cenógrafo, figurinista e diretor teatral, participou da primeira montagem de Ópera do Malandro, de Chico Buarque, além de ter integrado o grupo Dzi Croquettes. Também se aventurou como cantor e chegou a lançar um disco, "Estrelas ", em 1986. No Império Serrano fez ainda outros carnavais memoráveis, como "Viagem encantada Pindorama adentro", em 1973, "Dona Santa Rainha do Maracatu", em 1974, "Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio", em 1975 e "A lenda da sereia, rainha do mar...
Leia mais

Os carnavalescos e as revoluções do samba

A partir dos anos de 1960, há uma intensa transformação dos desfiles das escolas de samba, com a entrada em cena de um novo personagem. É o artista plástico de formação acadêmica em Belas Artes, que assume o papel de carnavalesco, responsável por toda a parte visual do desfile. O pioneiro foi o professor da Escola Nacional de Belas Artes, Fernando Pamplona, que em 1960 assume essa função no Salgueiro, trazendo uma nova proposta de temática para os enredos das escolas. Até então, prevaleciam temas da história oficial, que exaltavam vultos e heróis tradicionais, imperadores, reis, rainhas, princesas, duques e efemérides nacionais. Pamplona passa a propor enredos relacionados a personagens antes ignorados como Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba, Chica da Silva, Chico Rei e histórias da cultura e religiosidade afrobrasileira. Com isso, a Acadêmicos do Salgueiro, até então uma jovem agremiação, fundada em 1955 como fruto da fusão de três outras existentes no morro, passa a inovar e...
Leia mais
http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e