Mundo do Samba

Uma luz cada vez mais próxima

Não é para menos, pois há mais de um ano, desde o início dessa pandemia, não se passa uma semana em que não há alguma notícia sobre a morte de alguém do mundo do samba. E quanto a isso não existe discriminação ou escolha. A fatalidade atinge desde o mais simples e humilde até o mais reverenciado sambista. Entretanto, esta semana finalmente tivemos uma boa notícia, que nos enche de esperança. A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro assinou o contrato dos desfiles junto a Riotur e a prefeitura. E a novidade se torna melhor, pois o contrato, ao contrário dos anteriores que eram anuais, terá validade de quatro anos. Isto significa que pelo menos até 2025, o primeiro ano da próxima gestão municipal, teremos garantido o Carnaval das escolas de samba. Afasta-se a possibilidade de ocorrer, pelo menos num primeiro ano, como na gestão passada, quando um prefeito, por questões dogmáticas religiosas, atuou contra as...
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E lá se vai o maior de todos

O texto foi escrito por ocasião de sua saída surpreendente da Beija Flor, agremiação onde reinou por 30 anos. Ele foi o maior diretor de Carnaval da história das escolas de samba. Um dos grandes responsáveis por tornar a festa "o maior espetáculo da Terra", admirada no mundo todo. Republico esta coluna de 2018, como homenagem e para ressaltar a sua importância no mundo do samba. Segue abaixo. A notícia mais surpreendente desses primeiros dias pós carnaval foi o fim do casamento entre a Beija Flor e seu diretor de carnaval, Laíla. Para se ter uma ideia do impacto desse acontecimento, dos 14 campeonatos conquistados pela escola nilopolitana, Laila esteve no comando em 13. Somente em 1983 ele não participou do titulo, no enredo "A grande constelação das estrelas negras". Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, como consta em certidão de nascimento, nasceu no morro do Salgueiro, na Tijuca, zona Norte do Rio. Ainda adolescente fundou a Independentes da...
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Dominguinhos, do Estácio e do samba

Domingos da Costa Ferreira, ou Dominguinhos do Estácio, era uma das vozes mais emblemáticas e conhecidas das escolas de samba. Ele morreu aos 80 anos, após sofrer uma hemorragia cerebral e passar alguns dias internado no hospital. Cantor e compositor inspirado, ele nasceu no morro de São Carlos, no Estácio, bairro da região central do Rio de Janeiro. Como ele mesmo dizia, morou no último barraco, no lugar mais alto do morro. Como todo menino de favela, viveu uma infância pobre e de dificuldades. Logo passou a conviver com os sambistas do local e aprender as batucadas da vida. O Estácio é o berço do samba, lugar de grande tradição de sambistas, desde os primórdios. Dominguinhos desceu o  morro e começou a frequentar o famoso bloco carnavalesco da área, o Bafo da Onça. Ali conheceu Oswaldo Nunes, o bamba compositor da agremiação, que fez sucesso nacional a partir de seus sambas que embalavam milhares de foliões na avenida e nos...
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Agoniza mas não morre

Nelson Sargento pode ser considerado um dos últimos grandes representantes da geração primordial. Aquela que formatou definitivamente o samba a partir da década de 30 do século passado. Aos 96 anos e com mais de 400 composições, ele foi parceiro de Cartola e conviveu com sambistas fundamentais para a consolidação desse gênero musical brasileiro, como Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros,  entre outros. Aos 12 anos foi morar no morro da Mangueira, paixão de toda a vida, onde formou se compositor até  tornar se presidente de honra da escola de samba. O seu samba-enredo "As quatro estações", de 1955, em parceria com Alfredo Português e Jamelão, é considerado um dos melhores da história, obrigatório em qualquer antologia musical. Os versos são conhecidos: "Oh primavera adorada / inspiradora de amores / Oh primavera idolatrada / sublime estação das flores". Mas sua obra definitiva, cartão de apresentação é, sem dúvida "Agoniza mas não morre", na qual traça as dificuldades vividas pelo samba,...
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O samba de quadra resiste

O samba de terreiro ou de quadra, na verdade, está na origem das agremiações. Grande parte da produção do gênero, que se tornou conhecida e de sucesso, se dá neste espaço. O predomínio do samba enredo, voltado exclusivamente para o desfile, se deu a partir da década de 70, quando o evento passa a despertar o interesse dos meios de comunicação e da classe média. Consequentemente, o samba de terreiro ou de quadra é relegado a um segundo plano.  Muitos desses sambas são verdadeiras obras primas, entraram para o imaginário dos sambistas, fazem parte da discografia das agremiações e se transformaram em sucessos de artistas de renome, como Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione, Roberto Ribeiro, Martinho da Vila, entre outros, que beberam nessa fonte e alcançaram projeção nacional. Nos anos de 1960, um samba de quadra do Salgueiro fez grande sucesso, gravado por Elza Soares, “O neguinho e a senhorita”, de Anescarzinho e Noel Rosa de...
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O mais Cult dos santos

São Jorge extrapola as religiões e, talvez, com exceção dos evangélicos neopentecostais, é admirado por todos. Este "talvez" é porque há controvérsias se algum deles, a maioria pós convertido, em algum passado já não acenderam uma vela para o guerreiro. Até ateus confessos se rendem e caem dentro da feijoada e das rodas de samba nas festas regadas a cerveja, a bebida preferida do santo. Se há um lugar onde São Jorge é unanimidade é no mundo do samba. Não há sambista que não o venere. São diversos sambas compostos em sua homenagem. Seu nome já foi cantado em vozes como Zeca Pagodinho, Jorge Benjor, Jorge Aragão, Seu Jorge e Alcione. Mas sua força extrapola o samba. Fernanda Abreu, Jorge Vercilo, Alceu Valença, Racionais MCs já cantaram o santo em suas vozes. Nas escolas de samba, São Jorge foi protagonista pelo menos duas vezes na avenida, em 2008 com a Império da Tijuca e em 2016 com a Estácio...
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O show tem que continuar

Considerado um dos melhores compositores de samba do país, ele faz parte da geração forjada nos pagodes do Cacique de Ramos, na década de 70. Luiz Carlos Baptista, seu nome de registro, morreu jovem, aos 59 anos, em 2008, vitimado por um câncer no intestino. Os amantes do Carnaval o conhecem como autor, juntamente com Rodolfo e Jonas, pelo samba enredo Kizomba, festa da raça, um dos melhores de todos os tempos e com o qual a Unidos de Vila Isabel sagrou se campeã em 1988. Antes disso, em 1979, um samba seu pela primeira vez desfilou na avenida. Com os anos dourados de Carlos Machado , no qual a Vila ascendeu ao grupo especial. Ainda no capítulo samba enredo são de sua autoria, em parceria com Nei Lopes, os clássicos Por um dia de Graça (gravado por Simone) e Nas veias do Brasil, ambos da escola de samba Arte Negra Quilombo, fundada por Candeia. Aliás, uma das suas obras mais...
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O samba resiste, agora com melhores perspectivas

Várias cidades brasileiras reconheciam o perigo que rondava o sistema de saúde e começavam a adotar medidas de fechamento de várias atividades sociais, visando deter a proliferação do vírus. Com isso as quadras das escolas de samba tiveram seus eventos paralisados. No início, os mais otimistas esperavam uma interrupção passageira e que logo voltariam as feijoadas, as rodas de samba, os ensaios. Entretanto, passado um ano, nem o mais pessimista imaginaria que em março de 2021 a situação estaria ainda pior, sem a volta das atividades do samba tão cedo, pelo menos nesse primeiro semestre. A previsão é que no segundo semestre, com grande parte da população já vacinada, as atividades possam ir voltando gradualmente. O mundo do samba aguarda esse momento ansiosamente. Agora com uma gestão municipal mais preocupada com as vocações do Rio de Janeiro e que reconhece as escolas de samba e o Carnaval como essência da cultura da cidade, as perspectivas melhoraram sensivelmente....
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É Carnaval!

Afinal, está lá no calendário para nos lembrar a efeméride que antecede o período da quaresma estabelecido pelo Cristianismo. Ou seja, há carnaval, mas não há carnaval. Em tempos normais, a esta hora a cidade já fervilhava, com milhões de pessoas nas ruas, puxadas pelo Cordão da Bola Preta, que abre oficialmente os festejos de Momo no Rio de Janeiro. As escolas de samba já estariam com seus carros alegóricos na concentração, as imediações da Marquês de Sapucaí já interditadas, com aglomeração de turistas curiosos para conhecer aquela magia. As autoridades médicas e governamentais fizeram um enorme esforço para convencer o povo a ficar em casa e evitar festas e blocos clandestinos. Além da proibição oficial, com decretos e ameaças de prisão e multa para quem descumprisse a ordem, diariamente os meios de comunicação anunciavam que este ano não haveria carnaval. Por trás desse esforço de convencimento, havia no fundo o temor de uma desobediência civil. O carnaval tem...
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Adeus ano velho, feliz 2022

Esta semana, comentando a atual situação em que vivemos, brinquei com um amigo que não irei comemorar o meu aniversário, em março. Tão pouco aumentarei a minha idade. O cancelamento do Carnaval já é um presságio disso. O que antes havia sido adiado para julho, agora só em 2022. Quando eu era adolescente e comecei a me apaixonar pelo samba e o Carnaval, eu costumava pensar que quanto tempo eu vivesse, eu teria presenciado carnavais. Se vivesse 100 anos, teria passado por 100 carnavais. Mas, definitivamente, essa minha conta de quem começava a vida, foi por água abaixo. Se eu viver 100 anos, só terei passado por 99 carnavais. Isso se outra catástrofe dessa não acometer novamente a humanidade. Nem nos períodos de guerras mundiais ousaram cancelar o Carnaval. Em 1912, quando o Barão do Rio Branco morreu, o governo decretou luto e adiou os festejos momescos para o início de abril. Mas o povo, no seu mais autêntico...
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