Mundo do Samba

Fernando Pinto, um gênio inesquecível

Alguns carnavalescos fizeram história no rastro das grandes transformações que o desfile das escolas de samba sofreu a partir dos anos 60. Entre eles, um pernambucano chamado Carlos Fernando Ferreira Pinto, que emerge em 1971, no Império Serrano, com o enredo "Nordeste, seu povo, seu canto, sua gente ". Em 1972 conquista o campeonato com uma célebre homenagem, que fez a verde e branca de Madureira levantar a avenida com o seu "Alô, alô, taí Carmem Miranda", lembrado e cantado até hoje. Cenógrafo, figurinista e diretor teatral, participou da primeira montagem de Ópera do Malandro, de Chico Buarque, além de ter integrado o grupo Dzi Croquettes. Também se aventurou como cantor e chegou a lançar um disco, "Estrelas ", em 1986. No Império Serrano fez ainda outros carnavais memoráveis, como "Viagem encantada Pindorama adentro", em 1973, "Dona Santa Rainha do Maracatu", em 1974, "Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio", em 1975 e "A lenda da sereia, rainha do mar...
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Os carnavalescos e as revoluções do samba

A partir dos anos de 1960, há uma intensa transformação dos desfiles das escolas de samba, com a entrada em cena de um novo personagem. É o artista plástico de formação acadêmica em Belas Artes, que assume o papel de carnavalesco, responsável por toda a parte visual do desfile. O pioneiro foi o professor da Escola Nacional de Belas Artes, Fernando Pamplona, que em 1960 assume essa função no Salgueiro, trazendo uma nova proposta de temática para os enredos das escolas. Até então, prevaleciam temas da história oficial, que exaltavam vultos e heróis tradicionais, imperadores, reis, rainhas, princesas, duques e efemérides nacionais. Pamplona passa a propor enredos relacionados a personagens antes ignorados como Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba, Chica da Silva, Chico Rei e histórias da cultura e religiosidade afrobrasileira. Com isso, a Acadêmicos do Salgueiro, até então uma jovem agremiação, fundada em 1955 como fruto da fusão de três outras existentes no morro, passa a inovar e...
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Ter ou não ter, eis a questão

A grande dúvida instaurada no mundo do samba atualmente é a realização ou não do próximo Carnaval, devido a pandemia do Covid 19, da qual ainda não nos livramos. Todos depositam profundas esperanças na descoberta de uma vacina, que devolva vida normal à humanidade. Para os sambistas não é diferente. Na semana passada, a Liesa - Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, realizou a reunião em que esperava-se uma decisão sobre os desfiles em 2021. Entretanto, a entidade preferiu aguardar até setembro para bater o martelo, na esperança que até lá tenhamos um cenário mais favorável. Por mais que muita gente imagine ser fácil simplesmente cancelar o evento, essa medida envolve uma complexa situação, com fortes argumentos. Para quem é a favor do cancelamento, há um único e irrefutável, baseado em ciência e nas orientações médicas. Mas é preciso também ouvir quem ainda acha prematuro decisão tão extrema para um acontecimento previsto para fevereiro....
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O que será do Carnaval?

Uma grande pergunta paira no ar atualmente no mundo do samba, sem que ninguém possa responder: Haverá Carnaval em 2021?Dessa resposta dependem milhões de p essoas. Não apenas os foliões que saem às ruas para se divertirem, mas principalmente os que trabalham nos vários setores envolvidos na realização da festa. Um consenso existente no momento é que, mantidas as atuais condições sanitárias e os índices da pandemia do covid 19, dificilmente as autoridades irão permitir a realização de eventos que aglomeram multidões, como é o Carnaval. A única saída para a sua realização de forma segura e sem medo de um surto de contágio, seria a descoberta de uma vacina até o final do ano ou um remédio eficaz no tratamento da doença. Diante disso, alguns já trabalham na perspectiva de um adiamento de fevereiro, quando o calendário marca a data do Carnaval do próximo ano, para abril, no feriado do dia 21, uma quarta-feira, quando haveria...
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As lives invadem o mundo do samba

O sambista é sem dúvidas um ser resiliente. Impossibilitado de frequentar as quadras das escolas, as rodas de samba e bares, aproveitou um jeito de se manter conectado sem perder o ritmo. As lives de sambistas invadiram as redes sociais da internet. Diariamente, são centenas delas, tornando-se impossível acompanhar todas. Uma prova de que em meio a tantas coisas ruins trazidas por essa pandemia, algo de bom floresce no ar. Algumas dessas transmissões têm alcançado um público imenso, como a realizada pela Beija Flor, que durou cerca de cinco horas e contou com a presença do seu puxador Neguinho, o carnavalesco Milton Cunha, como mestre de cerimônias e diversos cantores de agremiações do Rio de Janeiro. Vários sites especializados em Carnaval também têm feito lives diárias para entreter os aficionados da festa. Como por exemplo, os sites Carnavalesco, SRZD, Rádio Arquibancada, Mais Carnaval, entre outros. As escolas de samba também embarcaram na onda e estão abrindo canais para transmissões pela...
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Davi Correia foi morar no infinito

Em 1973, no auge do regime militar e da repressão política, o espírito galhofeiro do carioca fez cantar no carnaval, nas ruas e salões, uma paródia do refrão do samba "Pasárgada", da Portela: "Ao embarcar no camburão / senti palpitar meu coração". Camburão, como se sabe, é o apelido dado aos carros de polícia que transportam presos. A letra correta dizia "ao embarcar na ilusão / senti palpitar meu coração" e é de autoria de Davi Correia, um dos maiores compositores de samba enredo, que pode, sem dúvida, ser colocado num panteão ao lado de Silas de Oliveira e Martinho da Vila. Davi morreu no último domingo, aos 82 anos, deixando um legado de sambas inesquecíveis."Pasárgada" foi o primeiro samba que Davi desfilou pela Portela. Depois disso emplacaria mais seis, tornando se o maior vencedor na azul e branca de Madureira. Suas composições contribuíram essencialmente para a popularização do samba-enredo, justamente nas décadas de 70 e 80, quando...
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Tributo aos poetas que partiram

Quando a ala de compositores da escola de samba Beija Flor lançou o primeiro cd com obras de seus componentes, fui presenteado com um exemplar por um dos autores de um samba do disco. O compositor Carlinhos Amanhã, um dos mais antigos integrantes da ala da azul e branco nilopolitana. Esta semana, Luiz Carlos dos Santos, seu nome de batismo, nos deixou, vítima dessa pandemia que nos assola, embora oficialmente conste como pneumonia a causa de sua morte. O título desta coluna é justamente o do samba de sua autoria, juntamente com Pereirão e Marcão Mangaratiba, cantado por ele mesmo, a nona faixa do referido cd. "Tributo aos poetas que partiram " é uma homenagem a todos os sambistas que já não estão entre nós. E agora Carlinhos Amanhã é mais um deles. O mundo do samba, nas últimas semanas, tem perdido nomes importantes, como Tantinho da Mangueira e Rico Medeiros. Tantinho é um dos nomes mais importantes da...
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Como será o amanhã?

Uma questão que mais tem se colocado para o mundo do samba atualmente é sobre a realização do Carnaval no próximo ano e do próprio desfile das escolas de samba. A incerteza é grande e não há quem aposte em nada. Todos os trabalhos das agremiações estão interrompidos, a cidade do samba se encontra fechada, assim como as quadras. Mesmo numa data tão tradicional como o dia de São Jorge, não houve qualquer movimento. A devoção ao santo, bem como as feijoadas, foram preparadas e saboreadas apenas nas casas das famílias dos sambistas, sem aglomeração. O que não falta na cabeça de todos é dúvida em relação ao Carnaval 2021. A primeira delas é se até lá a estratégia de isolamento social estará em vigência, já que a folia é uma festa essencialmente de aglomeração de pessoas. Mesmo se essa estratégia estiver sido relaxada, será que as pessoas estarão seguras para conviver no meio da multidão? Vários especialistas...
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Uma noite de samba inesquecível

Era uma segunda feira de outubro de 1993. Sim, em pleno dia útil, o Império Serrano marcou a sua final para a escolha do hino que cantaria no Carnaval de 1994. Naqueles tempos, a verde e branca de Madureira era a última agremiação do grupo especial a fazer sua final. E partimos eu e um amigo, que hoje é um conhecido dirigente político, do Centro do Rio, após o fim da nossa jornada de trabalho, rumo ao subúrbio da Central do Brasil. Antes, uma parada no bar Amarelinho, na Cinelândia, para uma breve concentração e aquecimento das turbinas. Embarcamos no 260, Praça XV - Vila Valqueire, para uma noite memorável de samba. Atravessando a passarela da estação de trem já dava para sentir o clima agitado da Avenida Edgar Romero, principal via comercial, que corta o bairro e desemboca na quadra do glorioso reizinho, também conhecido como "Menino de 47". No pequeno largo em frente, descida da passarela...
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Riachão e o samba de roda da Bahia

Esta semana foi marcada pela morte do compositor Clementino Rodrigues, o Riachão, sambista icônico da Bahia, aos 98 anos. Autor de sucessos na voz de Gilberto Gil e Caetano Veloso, como "Cada macaco no seu galho " e "Vá morar com o diabo", com Cassia Eller, Riachão pode ser considerado o representante maior do samba de roda baiano, ao lado de Oscar da Penha, o Batatinha. O ritmo denominado axé e a música oriunda dos trios elétricos do carnaval de Salvador foram fortemente influenciados por ambos. O precursor de todos eles foi Dorival Caymmi, que desde os anos de 1930 conseguiu extrapolar do seu estado natal para chegar ao grande público brasileiro. Riachão também conseguiu furar esse bloqueio e ainda na década de 50 teve suas primeiras músicas gravadas, através de Jackson do Pandeiro. Existe até uma certa polêmica histórica de onde o samba surgiu, se no Rio de Janeiro ou na Bahia, dado à forte tradição...
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