Mascotes

Minhas mascotes de quatro rodas

Sempre gostei de carros. Quando eu era pequena, bem pequena, lá pelos anos de 1970, lembro que meu pai tinha um Corcel, não o II, mas o I mesmo, originalmente com a placa amarela e números pretos: AW 1030. Inesquecível como deveria ser. Pronto, meu fetiche por carros começava ali, naquela coisa que não andava como os de hoje mas, que raios, eu só tinha 6/7 anos! E aí soube que a Ford vai embora do Brasil. Me pergunto se é de verdade mesmo ou se é só um teaser pra um novo lançamento deles, com seus carros ícones de décadas. E que funcionam até hoje. Sábado mesmo vi uma Belina, horrorosa para os padrões de hoje, andando toda lépida e faceira pelas ruas da cidade e me lembrei com muito carinho das viagens que fazia no Corcel do meu tio, perambulando pelas cidades, pelos parques, pelos clubes. Eram outros tempos, não tínhamos essa abertura de hoje, mundo globalizado e...
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A bestialidade dos fogos no fim do ano

É Natal, Réveillon, Copa do Mundo, aniversário da vizinha, batizado do peixe. E soltam-se fogos. Bombas, na verdade. E quase ninguém faz nada, nem mesmo quem deve fazer isso por obrigação. E então, foi-se embora mais um ano, mais uma tortura, mais acidentes. Acabei de ver uma história na cidade de Pimenta Bueno (RO), na Zona da Mata, na última sexta-feira, primeiro dia do ano. E quase último para a cadelinha Laika, um nome tão comum quanto os acidentes que sempre nos rodeiam. Laika, ao escutar os fogos, fugiu apavorada e caiu numa vala, entre paredes e não conseguia sair. Quando sua tutora (não podemos mais dizer 'dona', já que ninguém é de ninguém) se deu conta, saiu correndo para tentar resgatá-la. Sem sucesso. E Laika, bravamente, continuou sua saga heroica de aguardar a chegada dos bombeiros, que logo - pasmem, logo!- chegaram e tiveram um trabalhinho de quebrar a parede e resgatar a menininha peludinha Laika do vão....
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Adeus ano, meu velho

E chegou o fim. O fim da picada, o fim do covid-19 ou o fim do mundo? Nenhum deles, só o tão esperado fim do ano, afinal, que fim de década foi essa? Aposto que nem Nostradamus teria arranjado final mais espetacular, porque, pelas contas dele, o nosso fim já teria sido na mudança de século. Vamos lá fazer a tortura de relembrar tudo o que não deveria nem ter acontecido, afinal, somos seres humanos e deveríamos reconhecer os nossos erros. Mas, por exatamente sermos humanos, temos um ego enorme e a maioria de nós não admite errar. E não temos esse hábito de reconhecer os próprios erros, nem em DRs. Para que mexer nas feridas, por que não deixaram que cicatrizem? Para que não forme uma queloide já seria um bom motivo, para consertar o que fizemos de errado seria outro. Para vivermos em paz seria o ideal. Não poderia deixar de citar aqueles que, invariavelmente aparecem na rua...
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O Saci, o negrinho que deveria ser respeitado todos os dias

Outro dia mesmo, exatamente da mesma data do Halloween (31 de outubro), temos o dia nacional do nosso querido Saci-Pererê, um cara pra lá de brasileiro, negrinho, baixinho, fumante de cachimbo, sem uma perna, que tem um saquinho mágico com poderes especiais nada ilícitos e que some com as nossas coisas num piscar de olhos. Nada mais brasileiro. Nada mais politicamente errado. No entanto, nunca é lembrado. Os outros, pois eu me lembro dele todos os dias, principalmente quando alguma coisa some misteriosamente aqui comigo. Ok, eu sou mesmo bem desligada, mas existem coisas que, se não tiver sido obra do Saci, foi obra da Curupira. Certeza. E por onde andará o Saci? Por que ninguém se preocupa em não esquecê-lo? Espero que o racismo não venha atrapalhar também esse ser tão brasileiro e tão engraçado, que ouso até chamá-lo de mala, no quesito pilantra mesmo, afinal, o que mais ele faz além de nos irritar a ponto...
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E depois a louca dos gatos sou eu

Dean Nicholson, um escocês cansado dessa vida chata e cansativa de só jogar rúgbi, decidiu ser soldador e ali cansou mais ainda, afinal, ficar soldando por 9 horas diárias cansa mais. Muito mais. Um dia se encheu de tudo e decidiu sair tipo easy rider pelo mundo, de bicicleta, como todo bom escocês maluco. Mal sabia ele o que o destino preparava para aquele ser tão clean e descolado. Deixando a Escócia, foi para Amsterdã, passando pela Bélgica, Grécia, Suíça e Itália. Não satisfeito, deu um 'olá querida' para a Croácia e Bósnia. E foi ali que sua vida mudou. Subindo uma colina, percebeu que um miado o perseguia morro acima e aí parou para ver. Uma gatinha, que se pôs ao seu lado, assim como um cachorro faz quando quer alguma coisa. E de lá não saiu mais. Literalmente. Dean então a colocou numa sacola (sem ser o Homem do Saco) e a promoveu à Companheira de Estrada....
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Eu canto porque o instante existe. Cecília Meireles deu o tom

Sejamos justos. Falamos muito de gatos, cachorros, elefantes, leões e pouco, muito pouco, sobre as aves que nos rodeiam. Obviamente que já as citei, e as cito sempre que posso, mas ainda é pouco. Outro dia me lembrei do papagaio que mora aqui na casa ao lado, o que me faz ouvir o seu canto nada melodioso de um pseudo hino do Corinthians num espetacular e irritante "salve o …", já que a palavra em seguida é nome do time, mas a julgar pela cor verde palmeirense dele, seria uma traição ao corintianos alvinegros. Ficou o 'salve o...' e ponto final. Muito melhor que acordar com um galo histérico, é escutar essa delícia de manhã Recebi pelo whatsapp outro dia uma seleção de aves cantando as mais lindas melodias, óperas ou músicas centenárias com uma afinação digna de dar inveja a muitas Anittas por aí. Nem tudo está perdido. Teremos ainda um spotify lotado de sabiás, currupiras, arapongas. Em muitas...
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Nas ruas, o céu continua azul

Outro dia vi uma maritaca andando no meio da rua, entre os carros. Não estava voando. Pensei: logo ela vai ser atropelada e minha consciência vai lá pro chão, junto dela. Dei meia volta, estacionei no meio fio, tive minha mãe xingada. Tudo para evitar que uma maritaquinha fosse transformada em retalho de asfalto. Ao sair do carro, peguei uma máscara pra tentar salvar a pequena verdinha nas mãos. Ela, então, vendo que eu estava muito perto, voou, sem a menor cerimônia. Safadinha, deve ter rido nas minhas costas: "Rá! Peguei mais uma!" E comecei a me dar conta da mudança de hábitos dos nossos animais. Já repararam naqueles cachorros que só andam na calçada, atravessam na faixa de pedestres e esperam o sinal verde para atravessar, mesmo sem saber que aquilo é uma cor verde? E naqueles pássaros, que vêm na sarjeta só para beber um pouco de água, sem se incomodar com a poluição? E os sabiás,...
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Porque eu tenho ciúme de você

Outro dia, à tardinha, escutando um alvoroço no telhado, vi grupinhos de maritacas voando sempre em duplinhas. As maritacas, dizem, andam sempre juntas em duplas, nunca mais se separam, parças pra sempre, até que uma delas morra. Aí não tem cristo que alimente esse jejum. Ao menos em vida, não rola ciúme, infidelidade, nada. Vida perfeita. Pesquisando mais a fundo, vi que alguns animais, feras na vida cotidiana, também são extremamente fiéis aos seus parceiros. Um exemplo disso é o lobo cinzento, que só muda de parceiro depois que ele morre. Levando em conta a sua voracidade, ser fiel nesse caso é mesmo uma questão de vida. Gibões, amor até que a morte os separe Os Gibões são outros que vivem até 40 anos juntos, praticamente seu tempo de vida, garantindo assim que a sua prole seja sua mesmo. Os castores também fazem isso, também porque passam a vida quase toda na construção das suas represas e tocas,...
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O tempo e suas vozes animais

Somos uma família. Eu, meu marido e nossos filhos, um casal (claro que não somos só nós, se citar todos os que estão nesse vínculo, terei que fazer uma nova coluna só para nós todos). De repente, surgiram outros filhos, dessa vez de quatro patas, barulhentos e sem a menor educação. Foram abraçados por nós e automaticamente herdaram o sobrenome, a casa, a comida própria (sim a cozinheira - eu- nunca deixou-os na mão. Ou melhor dizendo, na pata). E assim a vida seguiu. Cachorros vieram, logo depois apareceram os gatos. Logo depois eu digo porque amor não tem um tempo linear, mas somente depois de 25 anos é que os gatos começaram a fazer parte da nossa história. É a teoria do tempo cíclico, onde tudo é um eterno retorno. Esse é o tempo que diz esse artigo de 2010 de 'rafeldivino', que nem sei quem é, mas preciso dar os créditos: "Uma vez que nenhum evento...
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Playlist animal, referências para a vida ficar mais leve

Escutando umas músicas, acabo me lembrando de coisas passadas que, pela memória musical que tenho, não saem de minha alma. Às vezes isso chega a ser um castigo, já que não são só os momentos lindos que restam no meu calabouço cerebral. As ruins e as tristes também. Quando pequena, tinha problemas de insônia aos domingos à noite, já que tinha que dormir cedo para ir à escola no dia seguinte. Minha irmã tinha um rádio-relógio, o qual quebrava meu galho insone tocando sempre as mesmas coisas. Êxtase, de Guilherme Arantes, me assombrou por muitos anos. Foi pra minha gaveta memorial. Neil Young, com Sugar Mountain e Led Zeppelin, com Stairway to Heaven, claro, foram o ápice de minha adolescência, assim como Clube da Esquina, Supertramp e outras tantas que não caberiam aqui. Dito isso, quero fazer também um inventário musical animal - uma playlist para alguns premiados, como a minha rottweiler Suriá, que ganhou uma música referência, a...
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