Mascotes

Diga-me por onde andas e te direi que nome terás

Quem me conhece sabe que tenho mania de colocar nome nas coisas, vivas ou não. Lagartixas, gatos, cachorros, aves; passou na minha frente, apelidado está. A maioria dos meus bichos teve nomes nada comuns, jamais nomearia um cachorro ou gato com um apagado Totó, Fifi, Rex, Pluto, Bidu e afins. Todo nome tem que ter um motivo. Se não fosse assim, o Dudu, meu vira-lata primordial, não teria esse nome, pois quem o deu foi meu filho, pequeno que era, se referindo a um amigo nosso, Eduardo, que vivia aqui em casa. Tudo a ver com a vida do Dudu, o cão. A partir dele, outros nomes vieram, isso quer dizer que outros bichos vieram por aqui. Lucy veio em seguida e, por ser contemporânea do Dudu, levou esse nome por nos lembrar que a mulher do Dudu, nosso amigo, se chamava Lúcia. Mortadela veio na sequência, uma vira-lata velhinha, largada na porta de casa. Por que Mortadela? Ora,...
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A mesma ladainha. Ou não

Mal começou o ano e já estamos em maio, mês das noivas e dia das mães . Dessa vez, não teremos casamentos, ninguém para jogar o buquê, muito menos festas de domingo com a família toda reunida, nem velórios e enterros cheios de flores. Fico pensando na quantidade de flores que não foram usadas e que irão se tornar adubo por pura falta de opção. Como faremos festas de casamento sem flores, como poderemos encher um vaso de flores para nossas mães? Mundo cruel esse. Na hora da festa, nada. Na hora H, ninguém. Na hora do adeus, só. Nem Nelson Rodrigues pensou nesse roteiro. Outro dia conversei com minha madrinha no Canadá, ela com 82 anos, viúva há pouco e sem poder ter ninguém por perto, pois o risco de contágio é alto. Perguntei a ela por que não tem um bichinho companheiro, já que sempre gostou de cachorros e gatos ao seu redor e ela me disse,...
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Não temos brioches. Vai pão velho mesmo

Sempre que saio à rua vejo carroceiros, com a carroça cheia de jornais, metais, plásticos e … cachorros! Já cheguei a ver um carroceiro que tinha uma comissão de frente e batedores, como uma comitiva especial, levando seus pertences achados para um depósito próximo. Só que, nesses dias/meses, não tem ninguém nas ruas, portanto não temos lixo, nem sujeira, nem latas. Mentira, na periferia tem! As ruas continuam cheias de latas de cerveja, vindas dos pancadões do fim de semana prolongado, afinal, foi feriado (Dia do Trabalho, alguém ainda se lembra?) e, pra alegria dos carroceiros, sobrou algum trocado pra eles poderem comprar a comida do dia, pra ele e pros seus fiéis escudeiros. E, mesmo correndo o risco de morrerem, por crimes que são usuais, infelizmente, ou por doenças, novas ou antigas, esssa trupe não arreda o pé, não enfia o rabo entre as pernas e sai, diuturnamente, atrás de sobreviver. Dia a dia, feridao ou não,...
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Panaceia, pandemia, pandemônio

Quando estamos confinados, muitas ideias surgem. Algumas bem bobas, como ficar fazendo selfies, cantando, pulando, se revoltando e espalhando pelas redes. Típico do chamado "ócio criativo". Alguns, do outro lado do mundo, se divertem quando disparam notícias bizarras, mas com a intenção de espalhar o bem. Recebi um vídeo - esse de verdade - sobre as tartarugas da Baía de Guanabara, soltas, felizes e nadando em águas límpidas e calmas. Quem diria, afinal, nem tudo está perdido nessa panaceia em que nos enfiaram. Nem tudo é tão difícil e tão sofrido. Só um pouco de silêncio e já vemos a diferença. Logo mais ouviremos falar de peixes abissais que nunca deixaram de vagar pela orla de um ex-oceano na África, vulgo deserto do Saara, que estavam apenas se escondendo de predadores, quando perderam o trem das onze e ficaram à deriva. O lado ruim é quando se aproveitam de boas notícias para espalharem melhores notícias, afinal, o que é...
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Tempos bicudos

Sem querer falar - mais - de doenças, buscamos sempre algo tenro nessa nossa vida nova de confinamento. Daí a querer pensar em novas possibilidades, novos rumos, novas metas, ficamos cara a cara, ou melhor, cara a focinho, com nossos amiguinhos, peludos, com escamas, penas ou pele áspera. São nossos novos confidentes. Novos em termos, pois desde que entraram na nossa vida, fazem parte desse mundo obscuro que teimamos em não falar. Mas eles sempre sabem. E nunca falarão a ninguém, ao menos que alguém desenvolva um vírus que transforme eses seres lindos e perfeitos num emaranhado de falta de caráter, o que costumamos encontrar em alguns seres humanos. Essa é uma viagem de mau gosto, que não me compete levar adiante. O fato é que vivemos nesse clima tenso, psicótico e cheio de álcool pelos quatro cantos da sua casa, muquifo ou mansão. Todos fechados, aninhados e morrendo de vontade de sair correndo, abraçar todos que passarem...
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Cãorosnavírus nas ruas

Todos já sabem o que é o coronavírus, o covid-19 e tudo o que se relaciona a ele. Todos sabem, tudo se escuta. Alguém escutou também o que os cachorros de rua falam? Lógico que não, eles não falam, só olham. Quando eu era pequena, cachorros iam e viam, corriam pelas ruas atrás do padeiro, que vinha entregar os pães em casa. Salvo algum padeiro mal-humorado, sempre sobrava um carinho em forma de migalha, pão seco. E era só rabo abanando até quase cair no chão, tamanha velocidade daquela felicidade Ultimamente, não se tem visto mais aqueles adoradores de frango assado na padaria, nem aqueles adoráveis pedintes de carinho, quiçá uma migalhinha de pão ou um naco do seu sandubinha ou do seu melhor almoço no bar? Não vemos mais aqueles almoços na beira de estrada, que normalmente são o descanso dos caminhoneiros. Também não acompanho mais as movimentações nas ruas, nas lojas, nas praças, praças essas que também...
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O cedro, os pica-paus e meus companheiros de tronco

Minha avó tinha a delicadeza de cuidar das plantas como se fossem suas filhas. Daí veio meu amor por elas também, passando pela minha mãe, que nunca deixou que esse amor secasse. Pois tenho um cedro na porta de casa. Digo isso com orgulho de mãe, porque sei que desde que me mudei pra cá – Zona Sul de São Paulo – beirando avenidas, fumaça, barulho e vizinhos – ela, a árvore, mudou sua rotina de desprezo e decadência. Seu tronco, antes esburacado e carcomido, teve uma regeneração num piscar e olhos e de muitas regas diárias. E eu, como sua mãe, jamais a trocaria por outra. Seu tronco, cheio de musgo, é um sinal de que o ar aqui ainda é limpo. Seu perfume doce é usado também na fabricação do nada menos famoso Chanel N. 5. Chique. Linda. Cedrela fissilis (Meliaceae) é o nome científico dessa árvore, brasileira, nobre e rara, tão desprezada/ignorada em nossas vidas metropolitanas. De acordo com o...
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Chifres, esporas, mordidas e muita briga

Quando tinha 9 anos, ou um pouco menos, recebi na escola um grupo que se  denominava SOZED* – Sociedade Zoófila Educativa, a qual prometia uma proteção a todos os animaizinhos que estavam abandonados nas ruas. Pois bem, depois de pagar uma taxa – simbólica até, recebi em casa uma carteirinha, com minha foto e com um manual de como poderia proteger os animais nas ruas que estivessem sofrendo, de fome, frio, de abandono ou de maus tratos, o que mal era comentado na época. Achei que seria a salvadora dos bichinhos, que ninguém os maltrataria na minha frente.  Santa inocência a minha. E lá se foram muitas décadas. E os animais, cães e gatos em sua maioria, continuavam nas ruas, daquele jeito, fugindo da carrocinha, comendo lixo e tal. Cresci. O número de animais nas ruas também. E ONGs em prol dos animais também, garantindo alguma coisa para poucos. Os sites de adoção bombaram nas últimas décadas, pessoas famosas se prontificaram a ajudar, pessoas...
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Minha lagartixa preferida

Marianice, minha faxineira de insetos preferida, vive em minha casa desde sempre, o que significa que coleciono Marianices, todas oriundas da matriz, sempre comendo pernilongos, mariposas, baratas. Devo dizer que Marianice é uma lagartixa, tão temida por alguns, mas muito bem-vinda na maioria das casas. Ela não só é uma faxineira exemplar, como também é discreta, silenciosa e come tudo o que cair na frente. Não reclama do salário, horas extras, trabalha 24h por dia, incluindo feriados. Com a intenção de, talvez receber algum a mais (algum= uma borboleta, tão difícil de encontrar!), ela já se superou algumas vezes comendo uma mariposa gigante no bocal da luz da garagem. A mariposa era tão grande que metade do corpanzil da moçoila ficou para fora da boca da Marianice. Uma visão bizarra. A lagartixa-doméstica-tropical (nome científico: Hemidactylus mabouia, codinome Marianice) é uma espécie de lagartixa de pequenas dimensões (de 20 mm a 110 mm) do gênero Hemidactylus. Mesmo algumas espécies serem...
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O calor está no ar, na pele, nos pelos

É verão, bom sinal, já é tempo. Certo, tempo de cuidar das pulgas, dos carrapatos, da sarna, dos ácaros e dos parasitas, sejam eles genéricos ou não. Sem querer alarmar e já apavorando, tive alguns episódios parasitológicos em meus bichos, o que me levou a pesquisar um pouco mais sobre eles. Não, não vou passar por cima dos veterinários, que obviamente sabem mais do que eu, mas posso ajudar a divulgar o que senti na pele com os meus, afinal, essa é minha função. Com a chegada do calor, todos nós ficamos mais leves, soltos na vida e queremos abraçar tudo aquilo que nos faz bem e nos deixa felizes. Os malditos parasitas também. Eu já cheguei a ver uma barata tomando água no bebedouro do meu cachorro. Sério. Fiquei com dó, guardei a vassoura no coldre e fui embora. Pensando nessa onda de calor versus parasitas, fui atrás de informações sobre essas coisas nojentas e o que podemos fazer...
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