Boletim Meridional

O Rio de Janeiro e a corrosão de suas águas

Em meados da década de 1970, quando houve a fusão do antigo Estado da Guanabara com aquele Rio de Janeiro espelhado pela cidade de Niterói, três instituições públicas de serviços hídricos gerais foram consubstanciadas em uma. Surgia aí a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, popularmente conhecida por meio do acrônimo CEDAE. Para quem disponibiliza atenção às crônicas nupérrimas da sociedade fluminense, não causa espanto saber que a CEDAE possui, desde o princípio, uma equipe de profissionais com altíssimo grau de instrução técnica e compromisso ético, reconhecida por todo o Brasil e mencionada com absoluta deferência por uma série de organizações internacionais. São pessoas que mantêm a companhia funcionando 24 horas por dia através de um trabalho meticuloso e rigorosamente bem definido, almejando realizar um excelente tratamento das águas que correm pelo território do Rio de Janeiro. Assim, garantem a distribuição profícua da mesma — sob as diretrizes jurídicas vigentes — a quase...
Leia mais

Ela veio com a luz que sempre foi

Jamais pretendi utilizar o espaço que tenho neste jornal para fazer declarações românticas. Não é pela temática que decidi expor aqui ou porque me faltava uma namorada, mas sim pelo fato de que nunca possuí talento suficiente para realizar algo tão protuberante. Minhas narrativas, a propósito, inclinam-se à ótica de segunda ou terceira pessoa, e dificilmente não busco derrubar a famosa "quarta parede". Diferente do sentimentalismo, a causticidade espontânea é um traço idiossincrático que preservo desde a infância. Todavia, essa ocasião dispensa o uso de palavras beligerantes. É lógico que não almejo converter este boletim semanal em uma circular de rapsódias irredutíveis, mas não posso deixar de escrever sobre a mulher que me resgatou do frio e extinguiu a insônia que tanto me perseguia devido a uma série de calamidades que enfrentei nos últimos tempos. Reitero que não sou hábil com isso, porém é tudo o que sinto — e merece uma imortalização fidedigna. Seu nome é Amanda. Ela detém...
Leia mais

O “menos pior” e suas consequências

No último trimestre deste ano, iremos comemorar o nonagésimo aniversário do fim da Revolução de 1930, que alçou Getúlio Vargas ao poder através de um golpe de Estado e pôs fim a Primeira República Brasileira. Mas nem tudo mudou, principalmente nos vértices correspondentes ao molde da política nacional e suas comparações. Vargas controlou a República por dezenove anos, sendo quinze como ditador. Ao contrário do que muitos adoram conceber, o fato do décimo quarto Presidente do Brasil ter sido um autocrata não significa nada; tampouco é argumento intelectualmente suficiente e honesto para inscrevê-lo no rol dos pústulas das crônicas gerais da nação. Os remanescentes da população que viveu em seu governo são pessoas com aproximadamente noventa anos de idade. Eram apenas crianças durante o período e seriam incapazes de acompanhar a trajetória do país com a devida maturidade. Todavia, esses mesmos cidadãos repetem o que seus familiares diziam: "Getúlio Vargas foi nosso último e melhor presidente!" Assim sendo, nem toda...
Leia mais

Feliz Ano-novo?! É…tomara que sim

Faltam apenas quatro dias para que o ano de 2019 se finde. É o limiar dos "Anos 20" do quinto século do calendário gregoriano. Todavia, o Brasil parece amarrado ao período da invasão lusitana de 1500. Para que haja uma verdadeira expansão da qualidade de vida e desenvolvimento econômico nacional, é preciso combater as desigualdades sociais com brio e rigidez. Isso exige que as verbas públicas sejam utilizadas de forma coerente — tanto pelos vértices da razão quanto pelas margens da legalidade —, bem como deve haver a minimização do desperdício; da burocracia supérflua e do abandono premeditado e inconsequente. Todos os pontos mencionados são conceitos fundamentais e imanentes. Sendo assim, os brasileiros que se preocupam com a investigação dos fatos compreendem os eventos atuais do país sem muitas dificuldades. É nítido que o Brasil atravessa uma fase de turbulência cáustica há décadas, com o preço dos itens e serviços básicos se multiplicando e o poder real dos salários decaindo bruscamente....
Leia mais

Festival religioso ou banalização do consumo?

O dia 25 de dezembro está se aproximando, mas o incentivo ao consumismo bárbaro e leviano tem se multiplicado profundamente desde o fim de novembro. Tal conjuntura será mantida até janeiro, onde as mercadorias natalinas remanescentes sofrem uma queda significativa nos preços. Qualquer indivíduo com o mínimo de sensatez e instrução financeira básica pondera antes de efetuar uma compra, por menor que ela seja. Existe alguma emergência concreta que justifique a aquisição de um novo produto? Há outros utensílios em casa que podem atender às mesmas necessidades de forma equivalente? É o momento apropriado para um sumpto? Os benefícios acarretados pelo item serão maiores que as expensas? Tais observações são absolutamente imprescindíveis, contudo é uma simples minoria que leva esses princípios em consideração. De um modo geral, a sociedade brasileira é extremamente forçada ao consumo intenso em diversos paradigmas. Sendo assim, é muito difícil conduzir a vida de uma maneira serena, utilizando apenas o essencial e com responsabilidade. Tamanho desafio...
Leia mais

O Horizonte Geopolítico das Telecomunicações no Brasil (Segunda Parte)

Quando a Telebras foi reativada no fim do primeiro semestre de 2010, as empresas do ramo de telecomunicações declararam guerra à estatal, uma vez que a instituição voltou a funcionar para dirigir o Plano Nacional de Banda Larga, introduzido por meio do Decreto 7175/10. O antigo Ministério das Comunicações, órgão responsável por gerenciar todo o empreendimento à época, renomeado como Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em virtude de fusão com outras pastas, fez uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações para que tamanha expansão pudesse ser atingida. Essas reservas possuíam determinações legais que ordenavam a utilização dos valores em programas exclusivamente relacionados ao sistema comutativo, e sua logística deveria ser feita obrigatoriamente pelo Estado. O fundo era composto pela arrecadação de pequenas taxas resultantes das contas referentes aos mais diversos serviços de telecomunicações que os consumidores pagam e a sua missão primordial consistia em subvencionar as operações das entidades privadas em lugares remotos e...
Leia mais

O Horizonte Geopolítico das Telecomunicações no Brasil (Primeira Parte)

É de conhecimento geral que o planeta vem experimentando mudanças rápidas e intensas nas suas mais diversas formas de correspondência e em seus níveis de importância. Embates são infinitamente realizados de maneira latente nas periferias do universo cibernético, isso porque as questões de interesse financeiro — principal coordenador das incumbências mundiais — necessitam que as informações sejam eternamente captadas e difundidas. No entanto, é preciso ter uma vasta e diversificada infraestrutura para enviar e receber o conteúdo que resulta destes novos panoramas que as relações sociopolíticas e socioeconômicas implementaram nos últimos tempos. Entre tantos recursos, as telecomunicações possuem um altíssimo destaque nessa conjunção. Sua importância profundamente estratégica no tocante ao esteio e defesa do conceito de Nação encontra-se nas artérias tecnológicas que todo país é obrigado a desenvolver caso queira ter um Estado forte, técnico, útil e soberano. Essa missão exige um governo composto por uma equipe capaz de visualizar o poder como um instrumento de ligação dos princípios que...
Leia mais

Sob os rútilos do âmago literário

A indagação sobre o que é estudado nos mais diversos horizontes científicos quase sempre produz respostas instantâneas. A biologia, por exemplo, investiga os fenômenos ontogenéticos, fisiológicos, anatômicos e demais tópicos semelhantes. A matemática lida com a geometria, álgebra, computação, etc. A história faz dissertações referentes ao Período Antigo, Era Medieval, Inconfidência Mineira e outros eventos passados em todas as regiões do planeta. A geografia, por sua vez, trata do meio ambiente, topografia, recenseamento e assim por diante. Já a física aborda temas como o eletromagnetismo, mecânica, ótica e afins. Mas e a literatura? A sua pesquisa se dedica a quê? Essa pergunta costuma acarretar novas dúvidas porque é algo intermitente na maior parte dos casos. Geralmente é respondida de um modo lacônico, com alusões a livros, autores e movimentos. Entretanto, é perfeitamente válido declarar que a instrução literária é capaz de englobar todas as ciências supracitadas, uma vez que os algarismos, localidades, épocas e pessoas são elementos frequentes em...
Leia mais

Sessenta anos “sem” Heitor Villa-Lobos

No último domingo, 17 de novembro, a morte de Heitor Villa-Lobos completou seis décadas. Antes de prosseguir, faço questão de justificar o motivo das aspas na preposição deste título: o maestro nascido em Laranjeiras se foi, porém sua música jamais será revogada! Todos aqueles que valorizam a atmosfera mirífica da cultura nacional são familiarizados com a obra do regente carioca, merecidamente apontado como o maior compositor da história brasileira e o mais famoso da América Meridional. Seu trabalho dispõe de uma imortalidade axiomática, dado que compôs milhares de peças em diferentes estilos. É correto afirmar que Villa-Lobos é o verdadeiro responsável pela música erudita do Brasil possuir um altíssimo reconhecimento mundo afora. Temas como as “Bachianas Brasileiras”; os “Doze Estudos para Violão”; a “Menina das Nuvens”; a “Fantasia Concertante” e a “Valsa da Dor” são alguns exemplos que ratificam minha asserção. No limiar do século passado, era muito difícil encontrar qualquer referência da temática brasileira na música clássica em geral,...
Leia mais

O apelo ao vazio

Este argumento é a fórmula que melhor exemplifica a “falácia lógica da divinização”. É quase impossível existir alguém que nunca tenha lido ou escutado tamanha inconsequência, especialmente no Brasil. Isso pode ser tachado, inclusive, como a variante mística do ad verecundiam para simplificar a compreensão do tema. Apesar da infinidade de paradoxos que esse despautério é capaz de produzir, milhões de indivíduos continuam aceitando tamanho dislate como resposta, independente do local, época ou crença. Quando se trata de falácias que englobam convicções extraplanares, a gigantesca maioria das religiões utilizam os mesmos axiomas a fim de moldar uma estrutura idealista, onde o principal objetivo é fabricar argumentos inquestionáveis e totalitários. O poder da alocução celestial é oferecido pelas criaturas divinas através de cânones hieráticos, paramentando as intenções e julgamentos dos líderes religiosos com os preceitos da iluminação etérea. Resumidamente, o que ocorre é o seguinte: “Se o livro sagrado de minha crença expressa determinado conceito, então tudo aquilo que seja divergente estará...
Leia mais
http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e