Boletim Meridional

Sessenta anos “sem” Heitor Villa-Lobos

No último domingo, 17 de novembro, a morte de Heitor Villa-Lobos completou seis décadas. Antes de prosseguir, faço questão de justificar o motivo das aspas na preposição deste título: o maestro nascido em Laranjeiras se foi, porém sua música jamais será revogada! Todos aqueles que valorizam a atmosfera mirífica da cultura nacional são familiarizados com a obra do regente carioca, merecidamente apontado como o maior compositor da história brasileira e o mais famoso da América Meridional. Seu trabalho dispõe de uma imortalidade axiomática, dado que compôs milhares de peças em diferentes estilos. É correto afirmar que Villa-Lobos é o verdadeiro responsável pela música erudita do Brasil possuir um altíssimo reconhecimento mundo afora. Temas como as “Bachianas Brasileiras”; os “Doze Estudos para Violão”; a “Menina das Nuvens”; a “Fantasia Concertante” e a “Valsa da Dor” são alguns exemplos que ratificam minha asserção. No limiar do século passado, era muito difícil encontrar qualquer referência da temática brasileira na música clássica em geral,...
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O apelo ao vazio

Este argumento é a fórmula que melhor exemplifica a “falácia lógica da divinização”. É quase impossível existir alguém que nunca tenha lido ou escutado tamanha inconsequência, especialmente no Brasil. Isso pode ser tachado, inclusive, como a variante mística do ad verecundiam para simplificar a compreensão do tema. Apesar da infinidade de paradoxos que esse despautério é capaz de produzir, milhões de indivíduos continuam aceitando tamanho dislate como resposta, independente do local, época ou crença. Quando se trata de falácias que englobam convicções extraplanares, a gigantesca maioria das religiões utilizam os mesmos axiomas a fim de moldar uma estrutura idealista, onde o principal objetivo é fabricar argumentos inquestionáveis e totalitários. O poder da alocução celestial é oferecido pelas criaturas divinas através de cânones hieráticos, paramentando as intenções e julgamentos dos líderes religiosos com os preceitos da iluminação etérea. Resumidamente, o que ocorre é o seguinte: “Se o livro sagrado de minha crença expressa determinado conceito, então tudo aquilo que seja divergente estará...
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Cada um ocupa o lugar que merece

Já não é mais novidade que o atual inquilino do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro, conserva um imenso rancor pela comunicação social. Faz tempo que o jornalismo, sobretudo o independente, é alvo de seus insultos e disparates, bem como os profissionais do setor. O líder do Governo Federal declara que é um apreciador da liberdade de expressão, mas seus discursos e atitudes demonstram exatamente o contrário. Bolsonaro sempre desprezou os veículos de informação que transmitem os fatos da maneira correta, ou seja, com elementos imparciais e holísticos. Atacava a imprensa em geral enquanto parlamentar e mantém o ultraje na condição de Presidente da República. Isso ocorre porque Bolsonaro é um indivíduo fútil e presunçoso que deseja ser reiteradamente louvado por todos. Não é à toa que se fantasiou de monarca no Japão há três semanas, pois adora causar a impressão de que possui muita autoridade e influência, tal como os soberanos discricionários de épocas remotas. O chefe do Executivo brasileiro...
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O mito da perfeição socioeconômica mundial

O modelo econômico incondicional é uma completa abstração. Uma fantasia compartilhada por diversos povos no mundo inteiro sob uma vastidão de ideologias. A redução dos níveis de desenvolvimento, a medrança da disparidade social e da escassez de itens básicos, tal como a alogia que a inflação monetária provoca, são fenômenos concretos e provenientes do campo da economia. Tais conjunções, no entanto, apenas simbolizam — e também ocultam — fatores locais e idiossincráticos extremamente mais profundos e calamitosos. A elevação constante do marasmo cultural na América do Sul, o decréscimo na quantidade de engenheiros e de outros graduados no âmbito das ciências exatas no Oeste da Europa, o impacto neomalthusiano verificado nos países ocidentais com a ascensão das classes vazias às fases taciturnas da vida, a erupção de novos estamentos sociais que clamam pelo extermínio do pensamento coletivo, a epidemia de facções decorrentes da modernidade líquida e da pós-verdade que se coligam para incentivar os julgamentos disformes acerca da singularidade...
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A crise da informação globalizada em uma sociedade materialista

É justo afirmar, em condições sumárias, que o glorificado modelo de capitalismo vigente não passa de mera especulação materialista segmentada em duas formas coalescentes: enquanto uma se concentra na produção de motins a fim de dissolver as unidades nacionais, a outra se empenha na confecção de artigos de luxo para atender elites minoritárias em detrimento de populações inteiras e que acabam cristalizadas no terreno da subsistência. Desde a reta final do Século XX que muitas nações industrializadas vêm reduzindo seus investimentos militares. Sendo assim, os fabricantes de itens bélicos foram atrás de novos clientes na ala periférica do globo terrestre. Em meados da década de 1990, o repasse de armas para o chamado Terceiro Mundo totalizou quase 30 milhões de dólares, com mais de 90% desses artefatos marciais sendo comercializados pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, isto é, França, China, Rússia, Estados Unidos e Grã-Bretanha. É, no mínimo, absurdamente irônico constatar que os países...
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Supressão científica é um puro ato de lesa-pátria

Indo na direção contrária das nações desenvolvidas em virtude do investimento maciço em educação e pesquisas — e por conta de suas invasões e saques em diversos outros territórios —, o Brasil permanece reduzindo o montante destinado a essas áreas. Dando continuidade a uma ação que vem sendo praticada desde o advento da PEC 241/55, em 2015, os dois setores amargaram com uma redução de verbas em mais de 55% neste ano. Um absurdo dessa magnitude não destrói apenas a condição do ensino e da desenvolução tecnológica, mas compromete também a soberania nacional e a autodeterminação do povo brasileiro. Durante o período da campanha eleitoral em 2018, todos os presidenciáveis receberam uma gama de perguntas enviadas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, mais conhecida pelo acrônimo SBPC. A entidade, que se distingue por se preocupar seriamente com a verba exígua que é direcionada para os ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações e da Educação, solicitou a...
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A razão simplesmente não acha

Existe uma abstração forjada pelo conhecimento vulgar que considera a filosofia como mero alvitre, isto é, algo presunçoso. Na contemporaneidade, nos deparamos facilmente com pessoas abordando sobre a retórica, desprovidas de cognição específica, proferindo frases como “isso é apenas filosofia e não serve para nada!” na intenção de desqualificar os argumentos que são divergentes e produzir a imagem de que as concepções opostas não devem ser levadas a sério. O que realmente ocorre é que a filosofia opera com métodos profundamente intrínsecos às suas premissas, de um modo silogístico e totalmente além do puro elemento das figuras linguísticas, procurando estabelecer conexões firmes entre diversas conclusões de uma maneira lógica. Em síntese, os que têm o costume de “achar coisas” fazem parte do senso comum e da corrente dominante. Supõem absurdos justamente pela falta de entendimento dos princípios filosóficos, empregando referências inadequadas e distorcidas. Isso é frequentemente ocasionado por idealismo religioso e — sobretudo nesta era digital — político. Aqueles que...
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Estolidez não tem graça

O vício de transformar e resumir praticamente tudo em piadas e chacotas — especialmente as questões de maior gravidade e importância — jamais deve ser taxado como parte da “alegria do povo brasileiro”. Isso não passa de um claro sinal de completa imaturidade coletiva somada à incapacidade de enfrentar e resolver os problemas. É válido ironizar algumas situações quando a sátira atenua os contratempos. Na verdade, isso faz bem porque diminui as tensões. Porém, se tal subterfúgio for utilizado a fim de ignorar as obrigações, o resultado será catastrófico! E os brasileiros não estão sorrindo por conta da felicidade, mas sim por uma miríade de propagandas consumistas e bestificantes feitas de maneira simultânea e constante por todos os instrumentos da grande mídia. Em geral, sua vidas são horríveis e marcadas por inúmeras desgraças: não é por acaso que os índices de diversos transtornos psicológicos e o uso de entorpecentes se multiplicam absurdamente por todo o país. Eles acabam dando...
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