Boletim Meridional

O regresso da infeliz normalidade da política brasileira

Após um processo eleitoral, a busca por motivos capazes de ilustrar o resultado das urnas de maneira plausível é uma reação absolutamente normal. Essa tarefa apresenta uma proficuidade maior quando não há imediatismos transfigurados em comparações voláteis. Um exemplo é a utilização dos números de sufrágios passados no intuito de hipotetizar os nomes dos virtuais campeões da próxima disputa de cargos nos vértices do Executivo e do Legislativo. Isto posto, a missão de decifrar as mensagens remetidas pelos cidadãos torna-se uma atividade positivamente construtiva. O primeiro turno das eleições municipais de 2020 reproduziram um foro popular altamente distinto da horda que tolheu a sociopolítica nacional vinte e cinco meses atrás. É verdade que o povo brasileiro segue imerso em um maremoto de fúria contra uma gama de simulacros da esquerda justapostos meramente sobre o petismo no singular e com todos os elementos que constituem a politicagem demagógica que estraçalha o Brasil no plural. Havia razões suficientes — e continuam existindo...
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Eleições e Democracia

Conforme o fluxo temporal avança pelos meandros da nação por intermédio de campanhas eleitorais, torna-se cada vez mais evidente que os brasileiros permanecerão invariavelmente submetidos ao jugo das oligarquias instaladas no vértice da pirâmide social enquanto a coletividade seguir locupletando, abastecendo e defendendo esses parasitas que, além de conservarem uma infinidade de privilégios que dificultam a existência de uma autodeterminação fidedigna, não têm o menor interesse de ofertar cidadania à população, visto que tal atitude certamente removeria as trevas da ignorância que fazem o povo trabalhar em busca de satisfazer os caprichos das elites sem perceberem que essa afronta é uma exploração repulsiva. Tamanha angústia não pode ser resolvida nem com a melhor das Constituições, lastreada por elementos democráticos; contemporâneos e minuciosamente ortografada, dado que os mecanismos financeiros se elevam acima das obrigações e dos direitos políticos no Brasil, e tais princípios não se materializam a partir do momento em que se desligam das facções onzenárias, responsáveis pelo...
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Por uma eleição desprovida de misticismos e defraudações

Restam apenas oito dias para que o sufrágio municipal ocorra em todas as cidades do Brasil. Porém, é indispensável que haja sabedoria no momento de escolher os vereadores e prefeitos do quadriênio ulterior, dado que o país segue imerso em uma crise multilateral e necessita de elementos mais técnicos, filantrópicos e isonômicos atuando em sinergia para que o desenvolvimento nacional ecloda. As adversidades brasileiras são profundamente heterogêneas e, por conseguinte, muito difíceis de serem resolvidas. Dentre tantas perturbações, a falta de justiça social é, certamente, o maior dos transtornos. E vale ressaltar que uma infinidade de problemas macroscópicos continuará se avolumando conforme o enfrentamento da desigualdade é postergado. A negligência para com questões sociais de cunho primário está diretamente conectada à erupção e ao agravamento de crimes e mazelas. Isso acaba piorando mediante a captação ilícita de votos, pois as sanções que incidem neste delito e provêm do Artigo 299 da Lei 4737/1965 (Código Eleitoral Brasileiro) são miseravelmente anêmicas. Outra...
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Mil anos em um

 Tenho plena certeza de que você sabe o quão difícil é vislumbrar uma relação feito a nossa em qualquer edícula do universo observável. Tudo o que destinamos ao outro, como a ternura; o zelo; o respeito e os momentos secretos que não importam aos terceiros, faz com que o significado do amor não produza uma carga que seja extenuante para ambos. É por isso que, mesmo com alguns descompassos, não houve uma extenuação sequer em trezentos e sessenta e cinco dias de união contigo. Admito que sigo considerando incrível o fato de meu coração, tão reprimido e acostumado às conflagrações multilaterais impostas pela existência, ter obtido — e aceitado — os seus cuidados espontaneamente. Isso é similar a um clorifito perenial nas areias do deserto sem oferecer meios de ser arrancado. Nossos paralelos se tangem devido às adversidades da vida, e quando me imagino em teus braços, nem a consternação por estar sozinho em uma biocenose extremamente...
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E a próxima fraude no Brasil já tem um nome: Privatização dos Correios

Faz algumas semanas que o coordenador da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados — estratagema fabricado pela quadrilha neoliberal alojada no Ministério da Economia para derruir a soberania do país —, Diogo Mac Cord de Faria, vem bradando que o diagrama de privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) está finalizado e disposto a ser implementado. Nada obstante aos paralogismos constantemente forjados pelo Governo Federal, esse diacrítico é uma verdade extremamente infeliz. No último dia 14, o chefe do Ministério das Comunicações, Fábio Faria, encaminhou oficialmente ao Gabinete da Presidência da República o Projeto de Lei (PL) relativo à desestatização do órgão. O plano será analisado pela Casa Civil e, posteriormente, remetido ao Congresso Nacional. Floriano Peixoto Vieira Neto, atual dirigente máximo da ECT, já asseverou que o destino da empresa é ser privatizada. Os demais lesas-pátrias, imbuídos em um nevoeiro de estultícias e fantasiados de governantes, louvam a animosidade que corrói mais uma entidade formulada...
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Educação ou Morte

Na data de ontem, 15 de outubro, comemorou-se o Dia Nacional do Professor. Uma farândola de políticos, almejando o êxito no sufrágio diferido para o mês seguinte, não hesitaram em utilizar o evento de maneira espúria a fim de incrementar o arrivismo que circunda a propaganda eleitoral de suas candidaturas. Muitos ratificaram as previsões já esperadas com a abordagem plástica que fizeram sobre os renques educação: prometeram melhores salários aos docentes e profissionais em geral; infraestrutura plena em todos os níveis didáticos e científicos; novas metodologias de ensino e modernização completa do setor. É difícil acreditar que existem cidadãos alheios a esse discurso, pois o mesmo reverbera há décadas e termina sofrendo com a negligência invariável de todos os governos. Tais promessas, absolutamente necessárias de serem cumpridas, porém vazias e deliberadamente afastadas da realidade brasileira por conta da atenção superficial que é dispensada ao problema, apenas ilustram que o Brasil jamais se tornará uma nação autêntica —...
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A extinção do dinheiro físico: desejo antigo do sistema financeiro

Sendo eu filho de um servidor público aposentado da Casa da Moeda do Brasil (CMB), já faz décadas que ouço sobre a “iminente abolição” física da unidade monetária brasileira. Mas esse debate, que sempre ocorre vinculado aos efeitos que o desenvolvimento tecnológico acarreta, é uma pretensão que os financistas majoritários conservam desde épocas remotas e que seguirá insurgindo enquanto moedas e cédulas permanecerem se materializando. Neste átimo do Século XXI, onde os procedimentos digitais são intrínsecos à rotina de uma quantidade incalculável de pessoas em diferentes circunstâncias, as requisições para que os artefatos pecuniários sejam completamente transformados em utensílios virtuais atingiram proporções hiperbólicas. O objetivo é substituir os cartões magnéticos e caixas eletrônicos por aplicativos de pagamentos via celular, dado que as funções comerciais do numerário de metal e papel seriam extintas. E o que confirma esse prognóstico é a veleidade que Reginaldo Lopes, parlamentar da Câmara Baixa pela unidade federativa de Minas Gerais, apresentou como Projeto de Lei...
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A massa renegada do Brasil e o seu rompimento eleitoral com o ensino superior

Segundo a Carta Magna de 1988, as eleições brasileiras devem ser obrigatoriamente realizadas no primeiro domingo de outubro; seja no âmbito municipal, estadual ou federal. Contudo, a Emenda Constitucional 107/2020 postergou a votação devido ao surto do Covid-19. De qualquer maneira, resta menos de um bimestre para que a sociedade compareça às urnas no limiar da terceira semana de novembro com o propósito de escolher os novos representantes políticos de suas respectivas cidades. E apesar do diferimento que incide no sufrágio, as diversas figuras postulantes ao Executivo e Legislativo dos municípios não se furtaram em iniciar suas pré-campanhas com o máximo de antecedência. Mesmo com a profusão de acusações criminais e as barbaridades deliberadamente cometidas pelo atual hóspede do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro, a quantidade de pessoas buscando os cargos de prefeito ou vereador e associando suas imagens à do trigésimo oitavo Presidente da República é nitidamente alta. Isso é um reflexo das últimas pesquisas sobre as intenções...
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Inflação ou unidade monetária desvalorizada? (Segunda parte)

O mistifório entre valores altos e elevação de preços é um fator constante no raciocínio dos brasileiros comuns; todavia, a ciência que aborda as políticas econômicas não deve favorecer essa turbulência. Ignorar que o propósito da inflação é mensurar as oscilações que os diversos círculos do mercado apresentam — e não um carcinoma que destrói a economia de forma inexorável — é simplesmente uma tolice. Assim sendo, as providências retificadoras serão diferentes porque os fenômenos se configuram em núcleos particularmente opostos. Se o que existe é um abscesso cambial incidindo violentamente nos custos dos produtos, ou seja, inflação, a resposta que a macroeconomia disponibiliza com frequência é o acréscimo das taxas de juros e a contenção na demanda. Na conjuntura do Brasil hodierno, tal atitude seria equiparada aos contos de terror — e desprovidos da imponência acrescentada pela estilística — ortografados por Howard Phillips Lovecraft. Vão terminar de pôr obstáculos que dificultem a aquisição em um local empenhado...
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Inflação ou unidade monetária desvalorizada? (primeira parte)

Ao contrário do título deste prospecto, os brasileiros não duvidam — incluindo os apedeutas que negam a ciência — que a nação esteja sofrendo com as vicissitudes que (o descumprimento da quarentena) a peste do Covid-19 acarretou. Esse horizonte soturno, repleto de caos e agonia, faz com que o desespero se una à inscicia e produza o dislate que apregoa o retorno da inflação que macerou o país nas últimas décadas do Século XX. Mesmo que haja uma impressão de que o raciocínio lógico e formal tenha sido expugnado pelo surrealismo no Brasil, é válido redigir algumas linhas — ao menos em consideração à posteridade —no intuito de esclarecer que os preços do arroz e de uma porção de mantimentos não se elevaram por causa de uma tempestade inflacionária apocalíptica, e sim por uma eventualidade macroeconômica denominada “choque de oferta”. Também é importante frisar que as soluções apresentadas para um determinado enigma não se aplicam em outras circunstâncias, dado que...
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