Boletim Meridional

Inflação ou unidade monetária desvalorizada? (primeira parte)

Ao contrário do título deste prospecto, os brasileiros não duvidam — incluindo os apedeutas que negam a ciência — que a nação esteja sofrendo com as vicissitudes que (o descumprimento da quarentena) a peste do Covid-19 acarretou. Esse horizonte soturno, repleto de caos e agonia, faz com que o desespero se una à inscicia e produza o dislate que apregoa o retorno da inflação que macerou o país nas últimas décadas do Século XX. Mesmo que haja uma impressão de que o raciocínio lógico e formal tenha sido expugnado pelo surrealismo no Brasil, é válido redigir algumas linhas — ao menos em consideração à posteridade —no intuito de esclarecer que os preços do arroz e de uma porção de mantimentos não se elevaram por causa de uma tempestade inflacionária apocalíptica, e sim por uma eventualidade macroeconômica denominada “choque de oferta”. Também é importante frisar que as soluções apresentadas para um determinado enigma não se aplicam em outras circunstâncias, dado que...
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Liquidez espiritual

Em um país feito o Brasil, exageradamente atrelado aos dogmas religiosos, os últimos casos envolvendo políticos corruptos que fizeram uso das vertentes do cristianismo para obter sucesso nas eleições são traduzidos como mera insídia. De fato, é realmente incorreto negar a existência de um discurso produzido a fim de encantar o povo. Todavia, a questão principal é sobre entender como esse ambiente fervoroso que o neopentecostalismo acarreta vem depreciando a essência humanitária mediante a promoção de um moralismo artificial e inexequível; que conserva a angústia, a selvageria e as injustiças sociais no intuito de manter as pessoas como vassalos. No que tange ao fundamentalismo neopentecostal — que vem se alastrando pelo Brasil de um modo tétrico —, o foco incide, logicamente, dentro das escrituras bíblicas, visto que a maioria da população adota este livro como verdade incontestável. Nenhuma objeção referente a isso; o problema efetivo sobrevém quando os devotos exigem que tais certezas sejam impostas na vida de todos os...
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Como impedir o avanço da selvageria pelo Brasil? (segunda parte)

A cada etapa decorrida neste terrível ano de 2020, o Brasil é ainda mais subjugado pelas trevas (sem acepções hermenêuticas). A turbulência atual encontra-se na mordaça imposta por magistrados sinuosos em razão de denúncias verídicas referentes à alienação do patrimônio nacional brasileiro.  Após a enésima opugnação que Jair Bolsonaro, maníaco alojado no Poder Executivo Federal, praticou contra o jornalismo a fim de não explicar a negociata de R$ 89 mil entre a primeira-dama e um miliciano, a imprensa sofre outro ataque mediante uma deliberação forense que impossibilita o bom funcionamento da comunicação social. Leonardo Grandmasson, juiz do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), vetou a publicação de conteúdos que apontem as fraudes efetuadas pelo BTG Pactual, célula financeira onde Paulo Guedes, ministro da economia, participa como acionista. A decisão monocrática ordenou também que as notícias relacionadas ao tema — que abordam sobre uma remessa de “títulos podres” advindos do Banco do Brasil de maneira profundamente insólita...
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Como impedir o avanço da selvageria pelo Brasil? (primeira parte)

Passados sete anos desde que as farândolas abjetas do neoliberalismo deturparam as reivindicações que conferiam legitimidade às famosas Jornadas de Junho, o Brasil permanece soçobrando em um vórtice de hipocrisia; estupidez; injustiça e politicagem ostensivamente forjado por estes mesmos sevandijas. No intuito de manter o apoio de seus devotos, o esquálido governo de Jair Bolsonaro, trigésimo oitavo Presidente da República, intensifica seu discurso ufanista através de um moralismo boquirroto e de jargões estólidos que oferecem suporte a um conservadorismo profundamente abstrato e egresso da realidade social do país. A razão disso encontra-se nos sucessivos ataques deletérios do Palácio do Planalto contra aquilo que restou das instituições que configuram o Estado nacional a fim de multiplicar o poder do Executivo e de seus lacaios de forma indiscriminada e, consequentemente, acarretar maiores prejuízos às diferentes camadas da sociedade brasileira. Entre um feixe de livros capazes de examinar o assunto com o máximo de qualidade, três possuem destaque especial: • Onde aterrar? Como se...
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O fogo de palha da oposição social brasileira

O Brasil do último semestre tem mergulhado em um oceano de lamentações acarretadas por desavenças e procedimentos ignóbeis e negligentes das facções alojadas nos Três Poderes da República e em suas instâncias contíguas. A desordem também está sendo causada por uma horda de bárbaros fundamentalistas que zurravam em prol de um moralismo abstrato e que renunciaram ao bem-comum no intuito de realizarem uma porção de festas insanas que homenageiam o SARS-CoV-2 e amaldiçoam as medidas de segurança da quarentena. Outra parvoíce destas criaturas jurássicas é a violação do recinto hospitalar; incitando escândalos e agredindo pacientes e trabalhadores com ofensas e golpes físicos. Todavia, nada disso surpreende àqueles que observam os panoramas nacionais com o devido cuidado. Tantas situações efervescentes produzem certos níveis de indignação quando ocorrem de forma constante, principalmente se houver indícios de atrocidade contra os legalmente incapazes. Essa multitude de reclamações exasperadas são hábeis em comover pessoas e no direcionamento de suas atenções para determinadas circunstâncias; entretanto,...
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Uma sociedade esquizoide do Século XXI

Sendo eu mesmo um apreciador de longa data das obras de ficção especulativa, assevero que o Brasil de 2020 é um lugar tão distópico que até Masamune Shirow encontraria dificuldades para idealizar algo semelhante. Por quê? O atual inquilino do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro, ignora o fato de que o seu governo está sem ministro da saúde há praticamente um trimestre e que a hecatombe do COVID-19 segue alquebrando o país diariamente. O líder do Poder Executivo Federal se manifesta incapaz de aplicar as verbas extraordinárias que o Congresso permitiu que fossem utilizadas no intuito de resgatar a sociedade durante essa turbulência que multiplica o caos na saúde pública, com o Tribunal de Contas da União (TCU) exigindo que o superintendente do Palácio do Planalto justificasse tamanha desídia em uma audiência oficial. Diagnosticado com o vírus SARS-CoV-2, o trigésimo oitavo Presidente da República Federativa do Brasil sequer obedeceu a quarentena recomendada pelos médicos. Ao contrário: descartou o uso da...
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Os novos recursos da educação brasileira com os seus antigos problemas

Há quase três semanas, a Câmara Baixa aprovou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 15/2015, que envolve as novas diretrizes e subsídios relacionados à incrementação do Fundo de Desenvolvimento e Valorização dos Profissionais de Educação (FUNDEB). Seu objetivo é assegurar que o repasse de verbas federais ao ensino fundamental e médio ocorra com mais isonomia para que o distanciamento entre os setores públicos e privados destes círculos sejam reduzidos ao máximo. A existência de debates focando na eliminação de tamanha desigualdade junto aos planos de recuperação da economia nacional são fatos absolutamente esplêndidos, sobretudo quando adquirem o endosso dos Poderes da República. Todavia, é preciso destacar que os fleimões da problemática educacional do Brasil não serão extirpados de maneira tão simples. Desde a sua implementação através da Lei 11.494/2007, o FUNDEB opera como o principal suporte financeiro da educação pública. Apesar do Estado ter a obrigação de disponibilizar um ensino gratuito e de altíssima qualidade aos brasileiros, tudo se...
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Degradação vernacular

Durante minha infância, o senso comum e as propagandas radiotelevisivas me fizeram acreditar que a democratização da rede mundial de computadores (Internet) finalmente resolveria os distúrbios da educação brasileira. Doce ilusão de criança...O ciberespaço terminou refletindo a antinomia do que se imaginava, visto que as desinformações; calúnias e banalidades são os conteúdos mais difundidos nos ambientes virtuais que destacam a presença de brasileiros. Essa atrocidade vem se multiplicando drasticamente, sobretudo nas redes (antis)sociais.Uma das consequências deste vendaval anticientífico é a dissolução da gramática portuguesa. Todo indivíduo que saiba verificar as estatísticas — e que não seja hipócrita e presunçoso — tem conhecimento das mazelas que o analfabetismo funcional segue produzindo Brasil afora. Fala-se mal no país, e escreve-se pior! Vale frisar que tamanho imbróglio é acentuado a partir do momento que uma legião de políticos, celebridades e até mesmo professores e jornalistas utilizam solecismos; jargões; paragramas e demais erros morfológicos com altíssima frequência. Estes, que deveriam zelar pela...
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Sobre revoluções em cenários lotados de pós-modernismo

Há quase duas semanas, em um diálogo extenso com uma amiga muito querida e de longa data, uma série de (novas) críticas ao fato social que atravessa o país eclodiram em meus pensamentos devido às suas perguntas impecáveis. Ela, que é oriunda de Goiânia mas reside em Uberaba, não demonstrava tanto entusiasmo com o formato ríspido de oposição que eu sempre apoiei — e permaneço defendendo — contra os imperialismos multilaterais e o sistema de deformação cultural que o neoliberalismo desempenha no Brasil. Sou amplamente favorável à tese de que determinados imbróglios sejam resolvidos com ações diretas porque não acredito que conceitos paliativos, letárgicos e maledicentes possam instaurar revoluções fidedignas. Esse meu autorretrato talvez contenha nuances ingênuas em razão do véu da pusilanimidade nublar os brasileiros arredios sem a menor cerimônia. Não obstante, o ceticismo da moça adveio da sua própria compreensão sobre o que é pertencer a uma sociedade líquida; artificial e instrumentalizada. O que faz a tirania neoliberal...
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A pandemia da imoralidade e dos maus costumes

Independente do grau de erudição e das preferências ideológicas de cada um, o povo brasileiro é ciente de que a injustiça é uma constante na realidade social do país. Verdade seja dita, o Brasil jamais teve êxito na supressão deste infortúnio. Os brasileiros vêm padecendo com os males acarretados pela miséria superlativa desde épocas remotas. A nação, que sofre também com a indolência da esfera política, tornou-se pobre de uma forma tão drástica que essa maldição já extrapola os limites da órbita financeira. Por conta das desigualdades advindas da inexistência de reformas públicas — sobretudo a fiscal e a agrária —, o Brasil ocupa o sétimo degrau no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no tocante à pulverização de direitos fundamentais e acessibilidade por intermédio do parâmetro utilizado no Coeficiente Gini. Em síntese, todos os objetos que possibilitam a edificação de uma sociedade profícua estão ausentes. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase...
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