Boletim Meridional

O isolamento social da carochinha

Assim como a maioria dos brasileiros que ainda possuem certo nível de prudência, venho me dedicando à examinar os panoramas da contemporaneidade; isto é, os eventos intrínsecos ao COVID-19 e seus derivados, em busca de respostas profícuas e que não fujam da realidade do contexto sociopolítico do Brasil. Todavia, que seja dito de passagem: o isolamento social é algo profundamente monótono! É inegável que este período de quarentena detém condições de viabilizar experiências benéficas, singulares e inovadoras. Estou tentando ajustar o lado hipoteticamente positivo deste momento tão insólito com todas as minhas denúncias e opiniões acerca da situação. Nas redes (antis)sociais — coisa que felizmente não utilizo há anos —, uma multitude de celebridades e indivíduos anônimos fazem ode ao solilóquio rompante de que é maravilhoso ter uma chance de reprogramar a vida. Tudo isso seria efetivamente belo e radiante se não fosse a hipocrisia e o descaso que configuram os pilares desse mantra. Não pertenço ao seleto grupo de...
Leia mais

Dos porquês também não fui (e continuo não sendo) a favor do cirismo

PREÂMBULOO número de pessoas que confiaram o voto em Ciro Gomes nas eleições presidenciais de 2018 foi indubitavelmente expressivo, sobretudo na camada mais jovem da sociedade brasileira. Aliás, quase todos que apoiaram Ciro já escolheram defendê-lo novamente em uma eventual candidatura em 2022, em uma clara demonstração de messianismo. As principais facções de esquerda, incluindo o PT, sonhavam com uma chapa formada por Lula e Ciro, e depois com Fernando Haddad em consequência da prisão daquele que foi o trigésimo quinto Presidente da República Federativa do Brasil. De qualquer maneira, o Partido dos Trabalhadores relegaria Ciro à condição de Vice de seus postulantes, não importando quem fosse. Já as seitas mais discretas, sentindo o peso das denúncias de corrupção rondando Lula e sua corporação partidária, ou apenas desiludidos com o seu governo e o de Dilma Rousseff, apostaram em Ciro por julgarem o melhor nome para enfrentar o PSDB e o Novo, que ganhavam força com os discursos...
Leia mais

A antipolítica chegou ao fim?

O processo de cremação da figura política de Wilson Witzel foi iniciado. A duração de seu mandato, aliás, ultrapassa os limites que eram previstos devido à sua completa falta de escrúpulos. Não obstante, a sua deposição do posto de governador da entidade federativa do Rio de Janeiro é algo cada vez mais iminente. Contudo, essa turbulência atípica não foi motivada pelas últimas manobras realizadas pelo Departamento de Polícia Federal ou por causa da reprovação que o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apresentou em relação aos gastos do Palácio Guanabara, e sim porque Witzel não se prestou a negociar com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). A tripartição outorga certas funções aos parlamentares, e quando estes não apoiam a conduta do Poder Executivo e/ou são isolados da atividade pública objetiva, a exoneração do chefe de governo se torna imensamente factível. Até a consumação do primeiro turno das eleições de 2018, Wilson...
Leia mais

Uma princesa vive em minha retina

Nós sabemos quantos meses já se passaram. Foram muitos...Mas o que realmente nos falta conhecer? Temos inúmeros pontos em comum... Sua companhia é tão reconfortante, querida...Minhas emoções asseveram que há uma gama de mistérios por trás dos seus lindos olhos castanhos.Porém... seguir trajetos no mapa do celular nunca me fez chegar até você. É engraçado notar o sentimento de progresso aquecendo o meu coração.Isso faz com que eu consiga me libertar do peso da escuridão fabricado sem trégua pelo caos da modernidade líquida.Mesmo que eu possa estar rondando em círculos...Eu almejo ir em frente para contemplar o nosso futuro repleto de cores.Não sou capaz de sonhar com outros elementos sem pensar em você. Desejo estar permanentemente circundado pelo seu perfume.Quero viver cada átimo sempiterno em seus braços.Você trocou as nuvens do céu por flores abertas e brilhantes como flocos de neve.O seu carinho remediou todas as feridas de minha alma.Preciso construir um horizonte que não permita o avanço do tempo...
Leia mais

O juiz de direito torto do Palácio Guanabara (segunda parte)

A espetacularização que a grande mídia fez ao divulgar os trabalhos de busca que o Departamento de Polícia Federal (DPF) realizou na semana passada contra Wilson Witzel, atual governador da unidade federativa do Rio de Janeiro, terminou ofuscando uma série de ataques corporativos que este simulacro de Jair Bolsonaro vem efetuando ou procurando maneiras de desempenhá-lo no território fluminense. Os principais veículos de informação não reportam a ausência de hombridade em Witzel, que está fazendo uso da situação macabra que a pandemia do COVID-19 acarretou para implementar um esquema de pilhagem do bem-comum através de negociatas que têm como escopo a privatização dos centros de pesquisa; dos espaços culturais; das universidades estaduais; dos postos de serviços aos cidadãos e do direito ao abastecimento hídrico. Na reta final do mês de abril, Wilson Witzel encaminhou o Projeto de Lei 2419/2020 à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Essa proposição é uma súplica ao parlamento fluminense para que...
Leia mais

O juiz de direito torto do Palácio Guanabara (primeira parte)

Na manhã da última terça-feira, o governador da unidade federativa do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi alvo de uma operação efetuada pelo Departamento de Polícia Federal (DPF). Intitulada como “Placebo”, a manobra tem como objetivo apurar dados que acusam o governo estadual de desviar as verbas que recebeu da União por efeito da hecatombe que a pandemia do COVID-19 vem causando no território fluminense e no resto do Brasil. Segundo os direitos que as leis nacionais vigentes concedem a todos os brasileiros, incriminar alguém sem evidências capazes de ratificar o(s) seu(s) delito(s) é um contrassenso. Porém, uma enxurrada de observações e denúncias já alertavam desde 2019 sobre os inconfundíveis casos de fraude que estavam contornando a saúde pública e outros setores estaduais. O método de averiguação dedutiva não falha quando a verdade é amparada pelos fatos recentes e pretéritos. Os principais indícios de corrupção retratam arranjos dissolutos entre o governo fluminense e empresários do ramo hospitalar. O panorama atual,...
Leia mais

O futebol não deve ser empregado como arma de destruição biológica de um país

Apesar de ser torcedor declarado do Fluminense Football Club e acompanhar o desempenho da equipe nos torneios disputados pela mesma, futebol é um tema que raramente surge nos espaços onde divulgo os meus textos. Porém, quando minha estimada agremiação se posiciona de maneira sensata contra a proposta irresponsável e hedionda de alguns clubes tradicionais endossados pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) para que o campeonato estadual seja recomeçado em pleno surto do COVID-19, demonstrar meu apoio como epígono tricolor e cidadão brasileiro se transforma em um dever moral. Assim como tantos outros despautérios asquerosos, este também recebeu o apoio incondicional de Jair Bolsonaro, atual líder do Governo Federal. Para os que ainda não sabem, essa pestilência vem acarretando milhares de óbitos diariamente. O número de enfermos ultrapassa os trezentos e cinquenta mil, com quase vinte e dois mil finados. O ente federativo do Rio de Janeiro é o segundo mais afetado por tal calamidade...
Leia mais

A manutenção do pistoleirismo bolsonarista contra a imprensa

Quando ingressei no curso de jornalismo na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ), há mais de uma década, percebi de maneira quase instantânea como seria árduo exercer o ofício de comunicador social nas glebas do Brasil. A razão dessa premissa encontra-se no fato de que, por via de regra, a população brasileira acredita que as reportagens devem emitir opiniões que rejubilem seus egos ao invés de transmitir a realidade dos acontecimentos com total primazia, retidão e transparência. Essa minha perspectiva foi acentuada no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a obrigatoriedade da formação específica para o desempenho das funções relativas à imprensa e segue em multiplicação por efeito das opugnações covardes, ilícitas e maledicentes que o trigésimo oitavo presidente da República Federativa, Jair Bolsonaro, tem praticado vertiginosamente contra os jornalistas de diferentes veículos e segmentos. É completamente válido afirmar que, no panorama do Brasil contemporâneo, não há indivíduos que busquem depreciar...
Leia mais

O novo Watergate brasileiro (segunda parte)

A Constituição que vigora na República Federativa do Brasil desde 5 de outubro de 1988 determina com transparência impecável que a ocupação de cargos no ambiente público sobrevenha mediante provas de concurso e/ou títulos. Artigo 37, Inciso II. A razão desse cânone é preservar a isonomia entre os cidadãos postulantes às vagas, evitando conluios e legitimando os mais bem preparados. Não obstante, a Lei Maior também decreta que as funções comissionadas e os postos de confiança sejam ofertados pelos governantes conforme suas preferências mediante o poder discricionário concedido pelo Estado. Isto posto, é válido frisar que a Carta Magna não oferece poder absoluto a nenhum indivíduo ou entidade, haja vista que o mesmo se limita em virtude da separação automática que as leis produzem. Isso é qualificado como “Tripartição” e serve para ressaltar que, além de não existirem campos acima das diretrizes constitucionais, os fundamentos que devem conduzir os princípios da administração pública são a ética; a neutralidade; a...
Leia mais

O novo Watergate brasileiro (primeira parte)

Misturar assuntos políticos e comédia — principalmente a de humor negro — jamais foi o propósito deste boletim, ainda mais na situação em que o Brasil se encontra. Nada obstante, é impossível não singularizar o fato de que Sérgio Moro se autoexonerou do comando do Ministério da Justiça do governo Bolsonaro na mesma data remetente ao Dia do Gado. Não é fácil discorrer sobre este magnífico presente que foi oferecido pelo “herói da nação” e “pesadelo dos corruptos” aos bípedes ungulados que, por efeito das sandices acarretadas pelo fanatismo ideológico e ausência de conhecimentos sociopolíticos, permanecem idolatrando um presidente insensato; obtuso; remisso e malevolente. No entanto, o infame Caso Watergate é capaz de proporcionar um entendimento satisfatório do atual panorama brasileiro. O Caso Watergate foi um escândalo político — de dimensões titânicas — ocorrido nos Estados Unidos bem no começo da popular década de 1970. Foi um daqueles episódios que infligem lesões profundas na sociedade e determinam um novo marco...
Leia mais
http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e