Mundo do Samba

Carnaval 2018: os problemas continuam

Faltando cerca de 50 dias para o próximo Carnaval, prosseguem os impasses e indefinições. A Riotur e a prefeitura do Rio parecem não demonstrar a mínima preocupação com o sucesso da festa, ou mesmo com sua realização. No que se refere ao desfile do grupo principal das grandes escolas de samba, carro-chefe e principal vitrine, que atrai turistas de várias partes do Brasil e do mundo, os problemas dependem muito menos do poder público para a solução, já que mesmo com o corte das verbas em 50 por cento pela nova gestão municipal, as agremiações contam com outras fontes, como a venda de ingressos para a Sapucaí, os direitos de transmissão da televisão, patrocínios de empresas privadas e a renda de bilheteria de eventos em suas quadras. Para se ter uma ideia, no ano passado, quando a prefeitura subvencionou em R$ 2 milhões cada uma, as escolas maiores investiram cerca de R$ 10 milhões no desfile. Ou seja, a verba...
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Sambas enredo 2018 têm safra mediana

  Nessa sexta-feira, dia 1 de dezembro, véspera do dia nacional do samba, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro lançou o disco com os 13 sambas enredo do grupo especial para o próximo Carnaval. O evento na quadra do Salgueiro marca um ano difícil para as agremiações, com crise financeira e difícil relacionamento com a nova gestão da prefeitura. O cd já está disponível nas lojas e plataformas digitais e sua audição revela uma característica presente nos últimos anos. Uma produção profissional e caprichada, porém com qualidade irregular das obras. Algumas aquém do que se poderia esperar de grandes escolas e de suas alas de compositores. O samba enredo é uma obra musical feita para um evento próprio, em que estão envolvidos vários outros segmentos artísticos. Cabe repetir, uma coisa é o samba na quadra de ensaios, outra é no disco. Mas a prova final é no dia do desfile, quando tem a responsabilidade de empolgar...
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Sobrinho, um ícone da avenida

Esta semana recebi um vídeo pela rede social em que o puxador de samba-enredo Sobrinho, numa mesa de bar, canta o samba-enredo da Unidos da Tijuca, de 1981, "O que dá pra rir, dá pra chorar". Nascido Fábio Crispiniano do Nascimento, ele é um dos maiores intérpretes de samba-enredo que já passaram pela avenida no Carnaval. Atualmente aposentado e com séria deficiência visual, Sobrinho iniciou jovem, com 23 anos, na Mangueira, levado pelo compositor Tolito, em 1972, como apoio do célebre Jamelão, que foi quem lhe colocou o apelido. Ele se orgulha de conhecer cerca de 200 sambas de terreiro da verde e rosa. Mas o seu grande momento no samba se deu na Unidos da Tijuca, entre 1980 e 1984, quando a escola do Morro do Borel se firmou entre as grandes com enredos marcantes, como o citado de 1981, o de 1982, "Devagar com o andor que o santo é de barro" e o de 1983, sobre o...
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Yes, nós temos Braguinha

Na semana passada, quando abordei os maiores desfiles já vistos na Sapucaí, citei o da Mangueira de 1984, "Yes, nós temos Braguinha. Foi o enredo com o qual a verde e rosa homenageou um dos maiores compositores brasileiros, autor das mais conhecidas marchinhas que animam o carnaval há várias décadas. Aquele senhor quase octogenário, de cabelos brancos, fala mansa e educada, sorridente e simpático, destaque do último carro alegórico daquele desfile, foi registrado com o nome de Carlos Alberto Ferreira Braga. Para a música popular é João de Barro ou Braguinha, como preferem os mais íntimos do Carnaval. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 29 de março de 1907, e é o nome mais expressivo das marchinhas, este gênero musical que se confunde com o próprio Carnaval. A obra de Braguinha é vasta e suas composições são cantadas e conhecidas por todo o público brasileiro. Não só as marchinhas, mas também sambas, valsas, choros. Foi ele quem colocou a...
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Três desfiles épicos

Há um consenso entre especialistas, pesquisadores e estudiosos das escolas de samba do Rio de Janeiro que, nos 85 anos de história dos desfiles, três se destacam como dos maiores que já passaram na avenida. Independente de momentos marcantes vividos por algumas escolas, no conjunto e por várias circunstâncias Unidos de Vila Isabel, em 1988, Beija-Flor, em 1989 e Mangueira, em 1984, entraram para a história como melhores performances já vistas na Marquês de Sapucaí. Em 1984, no ano de sua inauguração, o Sambódromo assistiu a uma apoteose mangueirense. Com o enredo "Yes nós temos Braguinha", de Max Lopes, a verde e rosa contagiou tanto o público que no final, ao invés de dispersar os componentes, deu meia volta e retornou para a pista, fazendo o desfile no sentido contrário, arrastando uma multidão que invadiu a passarela e foi atrás da escola cantando "É no balancê, balancê / Eu quero ver balançar / É no balanço que a Mangueira...
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Sambas para 2018 já estão escolhidos

Com a final da Beija-Flor, realizada na madrugada desta sexta-feira, todas as escolas de samba do grupo especial e do grupo de acesso já têm os sambas com que desfilarão no próximo Carnaval. A agremiação nilopolitana encerra um período de disputas de samba-enredo que conseguiu mobilizar as comunidades e compositores, com boa presença de público, apesar da crise econômica e do péssimo relacionamento com a prefeitura do Rio de Janeiro. Os sambas escolhidos pelas 13 escolas do grupo especial ainda não dão uma noção exata da qualidade da safra. É preciso aguardar, pois agora terão início as gravações do CD oficial, começarão os ensaios nas quadras e aí pode ser feita uma análise melhor sobre as obras. Entretanto, numa rápida e superficial audição podemos identificar que pelo menos quatro sambas demonstram qualidade e se destacam: Beija-Flor, Mocidade Independente, Mangueira e Unidos da Tijuca. Aguardemos para saber se outros também se juntarão a estes. Festa na Beija-Flor A noite de escolha de samba-enredo...
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A Baixada dá samba

É consenso que a Baixada Fluminense é celeiro de bambas e há muito contribui para o crescimento do mundo do samba e do carnaval. Com cerca de 3,5 milhões de habitantes, ela é constituída por 13 municipios que integram a Região Metropolitana do Grande Rio. Congrega compositores, músicos, cantores, ritmistas, mestres salas, portas bandeiras, carnavalescos, escultores, artesãos. Grande parte da mão de obra que atua no carnaval carioca e faz dele um grande espetáculo, reside nesta região. É reconhecida a importância das agremiações situadas na Baixada. As mais famosas são as consagradas Beija Flor , de Nilópolis e Grande Rio, de Duque de Caxias, integrantes do grupo especial. Entretanto, existem dezenas de outras escolas de samba menores e menos famosas e blocos carnavalescos que sustentam esta fama de reduto de samba, onde proliferam sambistas da mais alta estirpe. Atualmente várias dessas agremiações desfilam também no carnaval do Rio, em grupos inferiores. A Inocentes de Belford Roxo, no grupo A, na...
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Clima esquenta no samba

Fim de inverno é a senha para esquentar o clima de carnaval no Rio de Janeiro. As disputas de samba chegam em sua reta final, com quadras lotadas e torcidas e compositores mobilizados. Entretanto, a atual gestão da prefeitura insiste em quebrar esse clima. Esta semana a Liesa - a Liga das Escolas de Samba - anunciou que não realizará os ensaios técnicos para o próximo Carnaval, alegando falta de dinheiro para bancar os custos de cerca de R$ 4 milhões para a sua realização. O prefeito Marcelo Crivela culpa a crise econômica pela diminuição nos investimentos da festa. Mas não obstante a crise, o fato é que com a nova gestao houve uma mudança de visão em relação as atividades culturais do municipio. Um outro fato acontecido esta semana reforça essa impressão, com a proibição da realização da roda de samba da Pedra do Sal, uma das mais tradicionais da cidade, sob argumento de desordem pública. Nesse caso, mais...
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Três sambistas saem de cena

Esta semana o samba perdeu três personalidades importantes. Na terça-feira, vítima de um AVC, morreu Paulo Roberto Corrêa, 72 anos, o Paulinho da Aba, músico e compositor. Na quarta, faleceram o vice-presidente da Escola de Samba São Clemente, Ricardo Almeida Gomes, 59 anos, e o lendário Mestre sala Peninha. Paulinho Corrêa virou Paulinho da Aba por causa de seu maior sucesso, o samba Na Aba, composto em parceria com Nei Silva e Trambique, gravado por Bezerra da Silva e também por Martinho da Vila. Era percussionista requisitado em palcos e estúdios por grandes artistas, como Martinho, Beth Carvalho, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Nogueira. O toque preciso e característico de seu pandeiro está presente em centenas de gravações. Era integrante da ala de compositores da Unidos de Vila Isabel e desfilou por muitos anos em sua bateria. Em postagem numa rede social, seu sobrinho André Pereira lamentou que um último desejo do sambista não pode ser realizado, pois a direção...
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Análise dos enredos 2018 – Final

Encerrando esta série sobre os enredos do próximo ano, analisamos agora as três últimas escolas do desfile de segunda feira. Salgueiro. A vermelha e branca da Tijuca foi buscar num verso do seu samba de 2008 o título do enredo com o qual homenageará as mulheres. "Senhoras do ventre do mundo". A partir da hipótese da África como berço da humanidade, o Salgueiro abordará as grandes mulheres deste continente, que marcaram a história. Desde a Rainha de Sabá, que encantou o Rei Salomão, passando por Núbia, a combatente que liderou exércitos, a deusa egípcia Ísis e Nzingha, a Rainha de Angola que se disfarçava de homem nas batalhas contra o domínio português. Também entram no enredo as negras que marcaram a história do Brasil, como Luiza Mahin, líder da Revolta dos Males, Tereza de Benguela, Acortime de Palmares, além das mães baianas, as amas de leite e escritoras como Carolina Maria de Jesus. Enfim, um enredo com a cara do Salgueiro,...
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