Mundo do Samba

Sambas para 2018 já estão escolhidos

Com a final da Beija-Flor, realizada na madrugada desta sexta-feira, todas as escolas de samba do grupo especial e do grupo de acesso já têm os sambas com que desfilarão no próximo Carnaval. A agremiação nilopolitana encerra um período de disputas de samba-enredo que conseguiu mobilizar as comunidades e compositores, com boa presença de público, apesar da crise econômica e do péssimo relacionamento com a prefeitura do Rio de Janeiro. Os sambas escolhidos pelas 13 escolas do grupo especial ainda não dão uma noção exata da qualidade da safra. É preciso aguardar, pois agora terão início as gravações do CD oficial, começarão os ensaios nas quadras e aí pode ser feita uma análise melhor sobre as obras. Entretanto, numa rápida e superficial audição podemos identificar que pelo menos quatro sambas demonstram qualidade e se destacam: Beija-Flor, Mocidade Independente, Mangueira e Unidos da Tijuca. Aguardemos para saber se outros também se juntarão a estes. Festa na Beija-Flor A noite de escolha de samba-enredo...
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A Baixada dá samba

É consenso que a Baixada Fluminense é celeiro de bambas e há muito contribui para o crescimento do mundo do samba e do carnaval. Com cerca de 3,5 milhões de habitantes, ela é constituída por 13 municipios que integram a Região Metropolitana do Grande Rio. Congrega compositores, músicos, cantores, ritmistas, mestres salas, portas bandeiras, carnavalescos, escultores, artesãos. Grande parte da mão de obra que atua no carnaval carioca e faz dele um grande espetáculo, reside nesta região. É reconhecida a importância das agremiações situadas na Baixada. As mais famosas são as consagradas Beija Flor , de Nilópolis e Grande Rio, de Duque de Caxias, integrantes do grupo especial. Entretanto, existem dezenas de outras escolas de samba menores e menos famosas e blocos carnavalescos que sustentam esta fama de reduto de samba, onde proliferam sambistas da mais alta estirpe. Atualmente várias dessas agremiações desfilam também no carnaval do Rio, em grupos inferiores. A Inocentes de Belford Roxo, no grupo A, na...
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Clima esquenta no samba

Fim de inverno é a senha para esquentar o clima de carnaval no Rio de Janeiro. As disputas de samba chegam em sua reta final, com quadras lotadas e torcidas e compositores mobilizados. Entretanto, a atual gestão da prefeitura insiste em quebrar esse clima. Esta semana a Liesa - a Liga das Escolas de Samba - anunciou que não realizará os ensaios técnicos para o próximo Carnaval, alegando falta de dinheiro para bancar os custos de cerca de R$ 4 milhões para a sua realização. O prefeito Marcelo Crivela culpa a crise econômica pela diminuição nos investimentos da festa. Mas não obstante a crise, o fato é que com a nova gestao houve uma mudança de visão em relação as atividades culturais do municipio. Um outro fato acontecido esta semana reforça essa impressão, com a proibição da realização da roda de samba da Pedra do Sal, uma das mais tradicionais da cidade, sob argumento de desordem pública. Nesse caso, mais...
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Três sambistas saem de cena

Esta semana o samba perdeu três personalidades importantes. Na terça-feira, vítima de um AVC, morreu Paulo Roberto Corrêa, 72 anos, o Paulinho da Aba, músico e compositor. Na quarta, faleceram o vice-presidente da Escola de Samba São Clemente, Ricardo Almeida Gomes, 59 anos, e o lendário Mestre sala Peninha. Paulinho Corrêa virou Paulinho da Aba por causa de seu maior sucesso, o samba Na Aba, composto em parceria com Nei Silva e Trambique, gravado por Bezerra da Silva e também por Martinho da Vila. Era percussionista requisitado em palcos e estúdios por grandes artistas, como Martinho, Beth Carvalho, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Nogueira. O toque preciso e característico de seu pandeiro está presente em centenas de gravações. Era integrante da ala de compositores da Unidos de Vila Isabel e desfilou por muitos anos em sua bateria. Em postagem numa rede social, seu sobrinho André Pereira lamentou que um último desejo do sambista não pode ser realizado, pois a direção...
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Análise dos enredos 2018 – Final

Encerrando esta série sobre os enredos do próximo ano, analisamos agora as três últimas escolas do desfile de segunda feira. Salgueiro. A vermelha e branca da Tijuca foi buscar num verso do seu samba de 2008 o título do enredo com o qual homenageará as mulheres. "Senhoras do ventre do mundo". A partir da hipótese da África como berço da humanidade, o Salgueiro abordará as grandes mulheres deste continente, que marcaram a história. Desde a Rainha de Sabá, que encantou o Rei Salomão, passando por Núbia, a combatente que liderou exércitos, a deusa egípcia Ísis e Nzingha, a Rainha de Angola que se disfarçava de homem nas batalhas contra o domínio português. Também entram no enredo as negras que marcaram a história do Brasil, como Luiza Mahin, líder da Revolta dos Males, Tereza de Benguela, Acortime de Palmares, além das mães baianas, as amas de leite e escritoras como Carolina Maria de Jesus. Enfim, um enredo com a cara do Salgueiro,...
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Os enredos 2018. Parte 3

Continuamos nossa análise dos enredos para o próximo Carnaval, agora com as escolas que desfilam na segunda-feira. Unidos da Tijuca. A azul e amarela tijucana tem a missão de apagar a péssima e surpreendente impressão deixada com o penúltimo lugar na classificação do desfile passado. A excelência que vinha apresentando nos últimos anos foi seriamente abalada por causa do acidente com o carro alegórico. Em 2018 vai homenagear o artista global Miguel Falabella, com "Um coração urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem". O ator e autor de peças de teatro e novelas é íntimo do mundo do Carnaval, pois desfila há muito tempo em várias escolas. Também já foi carnavalesco da Acadêmicos da Rocinha e da Império da Tijuca, onde realizou um elogiado enredo sobre o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues. União da Ilha do Governador. A insulana traz um enredo que promete aguçar o paladar do público. "Brasil bom de boca" vai abordar a...
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Os enredos para 2018

Continuamos a análise dos enredos para 2018. Pela ordem, ainda com as escolas que desfilarão no domingo de Carnaval. Paraíso do Tuiuti. A agremiação de São Cristóvão tem a difícil missão de mostrar que permaneceu no grupo por mérito e não pelos acidentes ocorridos na avenida, que resultaram na decisão do não rebaixamento. O enredo "Meu Deus, meu Deus está extinta a escravidão" pega o gancho dos 130 anos da Lei Áurea para falar dessa chaga histórica. Mas não falará somente dessa escravidão abolida pela lei. Pretende refletir de modo abrangente sobre os vários tipos de escravidão, muitas das quais permanecem até hoje. O argumento lembra um pouco o questionamento do samba da Mangueira de 1988: "Será que já raiou a liberdade ou se foi tudo ilusão?" Acadêmicos do Grande Rio. A agremiação de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, segue na linha de enredos midiáticos. Nos últimos anos homenageou o jogador de futebol Neymar e a cantora Ivete Sangalo. Em...
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Uma análise dos enredos 2018

Com os trabalhos se acelerando e na reta final de escolha dos sambas para o próximo Carnaval, é hora de fazermos uma breve análise sobre os enredos apresentados pelas escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. Claro que qualquer opinião no momento considera as sinopses divulgadas e as respectivas justificativas de seus autores. O enredo, mais do que uma ideia no papel, deve ser avaliado no seu desenvolvimento na avenida e de como a história será contada e compreendida, com clareza e criatividade artística. A análise segue a ordem do desfile já definida em sorteio. Império Serrano. "O Império na rota da China" é o tema com que a tradicional agremiação de Madureira vai tentar quebrar uma escrita de quem abre os desfiles e se manter na elite após oito anos no grupo de Acesso. O enredo faz uma ligação entre os dois impérios, o nome da escola e o chinês, para abordar as tradições do samba,...
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O samba se adapta aos novos tempos

Em um ano marcado por uma profunda crise econômica, as escolas de samba seguem se adequando a estes novos tempos. No momento em que os concursos para escolha dos sambas-enredos estão a todo vapor nas diversas quadras, vemos claramente que a crise afeta severamente o mundo do samba. Várias agremiações, por conta disso, aboliram estes concursos neste ano e resolveram encomendar diretamente seus sambas sem promoverem disputas, como forma de cortarem gastos. Paraíso do Tuiuti, Renascer de Jacarepaguá, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos do Sossego, Alegria da Zona Sul são algumas delas. Sem falar de algumas escolas de grupos inferiores, que seguirão este modelo. Nas que estão com sambas em disputa, a crise se manifesta de várias formas. Por exemplo, em todas elas houve uma diminuição do número de obras inscritas. Uma disputa de samba-enredo atualmente gera altos custos para os compositores e a maioria não possui dinheiro próprio para investir. Além disso, a escassez de recursos afastou muitos patrocinadores...
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O samba esquenta as turbinas

Superado o impasse com a prefeitura do Rio de Janeiro, as escolas de samba já trabalham com foco no próximo Carnaval. Esta semana, a Liga das Escolas de Samba realizou o sorteio da ordem dos desfiles com atraso de um mês. O evento, diferente de anos anteriores, não foi realizado na Cidade do Samba e sim durante a feira de negócios Carnavalia Sambacom, no Centro de Convenções Sul América. Em 2018, o desfile do Grupo Especial contará com 13 agremiações, já que não houve rebaixamento em 2017, devido aos acidentes ocorridos. Três escolas não entraram no sorteio, pois de acordo com o regulamento, já estavam com posições predefinidas. Império Serrano, campeã do Grupo de Acesso, abre o desfile no domingo, dia 11 de fevereiro; Paraíso do Tuiuti, última colocada no desfile passado,que encerraria o desfile do mesmo dia, mas passou a ser a quarta, pois trocou de posição, após entendimento com a Mocidade Independente de Padre Miguel; e a Unidos...
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