Cinematógrafo

Assassinato no Expresso do Oriente

Como sou meio fã das histórias da Agatha Christie, obviamente fui assistir ao filme dirigido por Kenneth Branagh. E, pra minha total falta de surpresa, trata-se realmente de um filme dirigido por Kenneth Branagh. Ou seja, longos discursos sentimentais, trilha nada original, etc. No entanto, acho que dessa vez funcionou, pois essa característica mais literal de seus filmes parece ter caído como uma luva sobre essa história tão conhecida. Aliás, justamente por ter sido apresentada à essa trama ainda criança, naturalmente o fim, a descoberta do(a) culpado(a) acabou não sendo o “carro-chefe”. Porém, isso também trouxe suas vantagens, pois pude apreciar um pouco mais a “viagem” do que realmente o “destino”. Em outras palavras, as atuações, a direção de arte, os diálogos. Num clima de homenagem (nada discreta) ao famoso inspetor belga Hercule Poirot , o filme chama muito mais a atenção pelo elenco – com nomes como, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Judi Dench, Willem Dafoe, entre outros -  do...
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Angel-a

Retomando meu estoque de “filmes-que-eu-acho-que-são-bons-e-guardo-pra-ver-depois”, resolvi assistir “Angel-A”, obra de 2005, dirigida por Luc Besson. Numa Paris toda filmada em P&B, acompanhamos a vida de André, um sujeito trambiqueiro e que deve dinheiro pra tanta gente na cidade que, após muito perambular, resolve que a melhor solução é mesmo se matar. Para tanto, ele decide se atirar de uma das 5416514654 pontes que existem em Paris. E é justamente quando ele vai pular que Angela aparece. “Angela” obviamente é um anjo, mas não um anjo como imaginamos. Ela fuma, bate nos bandidos e tem o hábito de não pagar pelo que consome. Porém, a missão de Angela é ajudar André a colocar a vida nos trilhos. Com essa fábula bem urbana, Luc Besson nos traz uma narrativa simples, mas doce. Aliás, bem diferente dos filmes habituais feitos por ele e sempre repletos de ação como, por exemplo, O Profissional, O Quinto Elemento, Lucy. No entanto, um ponto continua sendo comum às suas...
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Thelma

Dirigido pelo norueguês Joachim Trier, o filme é construído em cima de uma trama que, se dissecada a fundo, mostra-se bastante simples e, até certo ponto, boba. No entanto, este é um daqueles filmes peculiares, onde nem tudo é o que parece e que ao fim, continua a reverberar dentro da cabeça do espectador. Ao menos, na minha. Thelma deixa a família dos pais pra ir à faculdade. Em pouco tempo, ela conhece Anja e acaba se apaixonando. Além disso, ela começa a apresentar algumas crises que se assemelham bastante à epilepsia. A grande questão é que Thelma vem de uma família radicalmente religiosa e que, mesmo à distância, tenta manter um certo controle sobre a vida da filha: da alimentação diária aos horários das aulas na faculdade. E todas as vezes em que Thelma tenta tornar mais “elástica” essa relação, uma espécie de chantagem emocional é criada por seus pais. Logo, natural que, ao se sentir atraída por uma...
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Batalha dos Sexos

O filme é uma recriação da famosa partida de tênis entre Billie Jean King e Bobby Riggs, na década de 70. Ambos campeões renomados em suas respectivas categorias. Ele, um bufão midiático. Ela, uma atleta que, como tantas outras, cansou de ganhar os mesmos campeonatos que os atletas masculinos e ser menos recompensada que eles. A questão é que Riggs já estava na casa dos 50 anos, há anos afastado das quadras e dos holofotes. Para atrair a mídia, usou a misoginia estabelecida para se autopromover criando o que ficou conhecido como a “batalha dos sexos”. Ou seja, ele dizia que Billie Jean vencia com facilidade, pois disputava apenas com outras mulheres e, que ao enfrentar um homem de verdade, perderia. Afinal, a opinião geral era a de que “mulheres não aguentavam a pressão”. Infelizmente, fiquei com a sensação de que o filme poderia ter ido muito além, mas optou por ficar na “zona de conforto”. Ou seja, no politicamente...
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Justice League

Depois de muito tempo esperando um filme realmente bom com os heróis da DC, fui ao cinema ver “Justice League”, apenas pra constatar que esse dia ainda não chegou. Apesar de vir com a “artilharia pesada”, ou seja, os principais heróis (Batman, Wonder Woman, Superman, Flash, Aquaman e Cyborg), o filme peca em roteiro, ritmo de montagem e, acima de tudo, ao tentar fugir do principal problema das histórias da DC levadas ao cinema, acaba piorando a situação. Explico. Uma das grandes críticas (minhas, provavelmente) em relação aos filmes com os personagens DC é que - ao contrário da maioria dos da Marvel (vamos esquecer X-men aqui, ok?) – eles não conseguem realmente usar a seu favor o aspecto cômico de toda e qualquer história que envolve uma ou mais pessoas com super poderes e trajes engraçados andando por aí. Em “Justive League”, eles até tentam, mas quanto mais o fazem, menos natural fica e o resultado é uma leve “vergonha...
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A Beautiful Day ou You Were Never Really Here

Se você nunca ouviu falar da diretora Lynne Ramsay, está na hora de mudar isso. Depois do maravilhoso “Precisamos falar sobre Kevin”, Ramsay volta às salas de exibição com “A Beautiful Day”, filme que arrebatou esse ano a Palma de Ouro de “Melhor Cenário”, em Cannes. Uma menina é sequestrada e um homem (Joe) é contratado para resgatá-la. A narrativa seria simples se a diretora e roteirista não tivesse adicionado alguns “detalhes” referentes a Joe, o personagem principal. Através de pequenos fragmentos de memórias, fica claro que o sujeito tem uma bagagem considerável de traumas. Além disso, por mais que vejamos espaços, pessoas e pedaços da sua vida, em momento algum fica evidente quem ele realmente é. Ou seja, Joe (Doe?) é um personagem quase “desterrado” e livre para ser objeto de identificação de qualquer espectador. Ou seja, para aquele espectador que se interroga, mesmo que minimamente, sobre a vida, Joe é a carapaça perfeita. Vi alguns comentários sobre comparações entre “A...
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D’après une histoire vraie

Fazia algum tempo que eu não ía ao cinema para ver um filme do Polanski e, independente do próprio, normalmente gosto de suas obras. Em “D’près une histoite vraie”, Polanski narra alguns momentos na vida de uma escritora famosa (Delphine), mas entediada; e que acaba conhecendo uma mulher misteriosa chamada Ella. De repente, Ella passa a, literalmente, tomar conta da vida de Delphine, a responder seus e-mails profissionais, suas mensagens pessoais e, inclusive, com o consentimento da própria Delphine, a se passar por esta. Esse esquema narrativo seria incrível se já não tivesse sido usado em inúmeras e diferentes ocasiões. Sem pensar muito, me vem à cabeça “Mulher solteira procura”, “Persona”, e por aí vai. Ok. Nenhum dos filmes acima possui a mesma narrativa. Fato. Mas como elemento principal, todos trazem como personagens principais, duas mulheres que, de uma forma ou de outra, estão "à beira de" ou "em" um colapso nervoso. Logo, seja em situações reais ou criadas, ambas sempre...
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Thor – Ragnarok

Mesmo sem gostar nem um pouquinho das comparações entre quadrinhos e cinema, dessa vez vou dar o braço a torcer e dizer que, PELA PRIMEIRA VEZ, curti um filme solo do Thor. A real é que adoro o personagem, bem como todo o universo que o cerca (Asgard, Odin, Loki, Valkírias, etc.), mas desde o primeiro filme sempre fiquei com uma sensação de que faltava algo. Não tenho certeza, mas acho que descobri a razão. Os outros filmes buscaram se manter fiéis aos detalhes dos quadrinhos, mas sem a leveza destes. Ou seja, desde o primeiro (dirigido por Kenneth Branagh), faltava uma pegada mais descontraída, aquele velho “saber rir de si mesmo”. Logo, os filmes do Thor estavam mais pra filmes da DC, que esquecem que estão falando de um universo de super-heróis o que, por si só, abre tranquilamente espaço pra toda sorte de situações absurdas e hilárias. Em Thor – Ragnarok, o humor está presente a todo momento...
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The Square

O filme dirigido pelo sueco Ruben Östlund não só arrebatou a crítica especializada como levou a Palma de Ouro em Cannes. The Square tem como personagem principal o curador de um importante museu de arte moderna e contemporânea e é justamente esse o ponto de partida para todas as situações que acontecem durante o filme. Afinal, o curador é a personificação do ser humano moderno, atual, politicamente correto e que se acha superengajado. Ao coordenar a exposição de diferentes obras com um caráter “reflexivo”, sente que está fazendo o seu papel, enquanto cidadão “de bem” e, consequentemente, equilibrando a balança da desigualdade humana (principalmente, econômica e social). Ao abrir espaço para uma obra chamada “The Square”, segundo a qual “somos todos iguais em direitos e deveres”, o filme envereda por um caminho que eu adoraria chamar de “distópico” para retratar a sociedade. No entanto, como criar um cenário como tal, quando o próprio objeto narrativo já é, em essência, distópico?...
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IT

Sempre na busca por bons filmes de terror, fui ver “IT”. Baseado no livro homônimo de Stephen King, o filme se passa na década de 80 e narra os estranhos acontecimentos que marcam a pequena cidade de Derry e seus habitantes. Em particular, crianças e adolescentes. Ouvi vários comentários positivos sobre o filme, antes de vê-lo. E, pra ser sincera, achei a obra um pouco longa. Claramente, o roteiro se divide entre assustar o público – com situações características aos filmes clássicos de horror – e, fazer alusões aos filmes do gênero, sobretudo, dos anos 80. Logo, temos alguns sustos, muita comédia e aqueles momentos românticos estilo “primeiro crush”. Na trama, há um grupo de “ adolescentes excluídos e deslocados” (Goonies?), um grupo de garotos mais velhos e especializados nas mais variadas formas de bullying (Goonies, de novo?) e pais completamente alienados em relação aos reais problemas de seus próprios filhos (“Curtindo a Vida Adoidado” e quase todos os outros dessa...
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