Carnaval 2018: os problemas continuam

Faltando cerca de 50 dias para o próximo Carnaval, prosseguem os impasses e indefinições. A Riotur e a prefeitura do Rio parecem não demonstrar a mínima preocupação com o sucesso da festa, ou mesmo com sua realização.

No que se refere ao desfile do grupo principal das grandes escolas de samba, carro-chefe e principal vitrine, que atrai turistas de várias partes do Brasil e do mundo, os problemas dependem muito menos do poder público para a solução, já que mesmo com o corte das verbas em 50 por cento pela nova gestão municipal, as agremiações contam com outras fontes, como a venda de ingressos para a Sapucaí, os direitos de transmissão da televisão, patrocínios de empresas privadas e a renda de bilheteria de eventos em suas quadras.

Para se ter uma ideia, no ano passado, quando a prefeitura subvencionou em R$ 2 milhões cada uma, as escolas maiores investiram cerca de R$ 10 milhões no desfile. Ou seja, a verba da prefeitura representa a menor parte dos custos.

Na verdade, as maiores prejudicadas em todo imbróglio deste ano são as escolas de grupos inferiores e os blocos carnavalescos, que dependem quase que unicamente destes recursos. A coisa está tão complicada que já quase na virada do ano, ainda não foi assinado o contrato com as entidades que representam estas agremiações, Lierj -Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, do grupo A, Liesb- Liga das Escolas de Samba do Brasil, dos grupos B, C, D e E, e a Federação dos Blocos Carnavalescos do Rio de Janeiro.

Sem o contrato assinado com a prefeitura, as agremiações não podem receber a subvenção, além de não terem a certeza da realização do desfile. Não podem nem sequer adquirir material para confecção de fantasias, mesmo com recursos próprios, pois quando da prestação de contas, certamente estes gastos não serão aceitos com data anterior a assinatura do contrato.

Enfim, depois de um ano de gestão do prefeito Marcelo Crivela, o argumento da crise econômica não convence mais aos sambistas. O revolucionário carnavalesco Fernando Pamplona cunhou uma frase célebre: Tem que tirar da cabeça o que não se tem no bolso. Parece que falta à00 gestão atual criatividade para solucionar os problemas. Ou será falta de vontade?

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e