Café e cana-de-açúcar podem ter queda de preço

Entretanto, para a redução chegar efetivamente ao bolso do brasileiro, o cenário econômico mundial precisa contribuir

A expectativa de um aumento na produção de commodities como o café e a cana-de-açúcar, neste ano, pode reduzir o preço de seus derivados para o consumidor final, segundo análise da Safras & Mercado, consultoria de agronegócio.

Entretanto, para a redução chegar efetivamente ao bolso do brasileiro, o cenário econômico mundial precisa contribuir.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projetam que as safras de café e cana-de-açúcar terão um aumento de 16,7% e 19%, respectivamente, na produção de 2022 em comparação com o ano passado.

Em 2021, por conta da falta de chuvas, a produção dessas duas commodities foi fortemente impactada, fazendo com que a inflação do açúcar refinado chegasse a 40%, e do café moído, 42%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O analista Gil Carlos Barabach, da consultoria Safras & Mercado, afirma que há uma mudança de curva na produção do setor. Ele aponta que, caso a expectativa do IBGE se concretize, a redução dos preços deve começar depois do segundo semestre deste ano, sendo efetivamente sentida no ano que vem.

“A gente vem de uma safra de café, do ano passado, que teve uma quebra muito acentuada. Nesse ano, estamos vendo uma reversão nesse processo e isso, sem dúvida, afeta preço. Eu diria que afeta mais cana-de-açúcar do que café, porque o café, por conta do clima do ano passado, já perdeu parte do potencial produtivo, é uma safra maior, mas com potencial produtivo aquém ainda do normal”, avalia.

Os problemas na safra passada apareceram nos supermercados. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese), no mês de março deste ano, o preço médio do Kg do café foi verificado a R$ 39,08.

Em março de 2021, o mesmo produto custava R$ 22,68. Já o açúcar refinado teve um aumento de R$ 1,34, passando de R$ 2,90 o Kg, em março do ano passado, para R$ 4,24 em março deste ano.

Já o etanol, combustível derivado principalmente da cana-de-açúcar no Brasil, registrou aumento de 51,16% no preço, no ano passado, segundo o IBGE. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualmente o valor médio do litro do combustível no Brasil é de R$ 5,44.

De acordo com o último boletim da safra 2022/2023 da cana-de-açúcar, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é que o fim da pandemia da Covid-19 favoreça o aquecimento da demanda interna pelo combustível, o que pode limitar as exportações e incentivar a importação do biocombustível.

Com a alíquota de importação deste produto zerada até o fim do ano, essa medida deve impactar diretamente no preço.

“Desde o ano passado, como observamos, o mercado precificou a colheita ruim, mas o que está acontecendo efetivamente agora, no caso desses produtos, é a chegada física dessa safra. O começo da colheita de café e o avanço da colheita e da moagem de cana-de-açúcar já mexem com os preços”, coloca o economista Gil Carlos Barabach.

Expectativa das safras em 2022

O Brasil deve ter safra recorde de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2022: serão 261,5 milhões de toneladas, segundo projeção do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume é 3,3% superior ao alcançado no ano passado.

Embora os números sejam positivos, pesquisadores destacam que os produtos sofreram com efeitos climáticos adversos que reduziram o potencial de produção. Entre eles, uma estiagem no Centro-Sul do país, amenizada em algumas lavouras pelo retorno das chuvas em janeiro.

O fenômeno terá impacto na soja, por exemplo. O IBGE projeta que a principal commodity do país terá uma colheita de 118,5 milhões de toneladas, um volume 12,2% menor que o alcançado em 2021. CNN

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