Brasil já atingiu pior da contração econômica, avalia Moody’s

A agência estima que o déficit fiscal do país atingirá 14,7% do PIB em 2020, enquanto a dívida do governo deverá se aproximar de 95% em 2021

A agência de classificação de risco Moody’s avaliou nesta terça-feira que a contração econômica do Brasil atingiu o piso, mas afirmou ver um impacto fiscal maior e a dívida bruta aumentando para 95% do PIB, de 76% em 2019.

Na análise da Moody´s, uma recuperação dos indicadores de atividade econômica sugere que a recessão será menos severa que a prevista por investidores, em linha com suas projeções.

A agência estima que o déficit fiscal do país atingirá 14,7% do PIB em 2020, enquanto a dívida do governo deverá se aproximar de 95% em 2021.

“A retomada da consolidação fiscal, como indica o Orçamento, daria apoio à qualidade de crédito do Brasil, embora uma proposta de ampliação do gasto social seja um risco de elevação de despesas”, afirmou a Moody´s Investors Service em nota.

A Moody´s, que classifica a nota do Brasil como Ba2, com perspectiva estável, destacou ainda que a dinâmica política apresenta alguns riscos à consolidação fiscal e às reformas para estimular o crescimento.

Mas a agência destacou que a proposta do governo de unificar dois impostos federais e os esforços para avançar com a reforma administrativa sinalizam compromisso com as reformas estruturais.

“As perspectivas para a nota de crédito do país vão depender do ritmo e grau de recuperação econômica e consolidação fiscal”, completou a Moody’s.

Para a agência, riscos políticos e pressão para ampliar os programas sociais para além de 2020 ainda representam um risco material para o teto de gastos em 2021 e depois. A Moody’s avaliou que romper esse limite pode fazer com que a dívida do governo continue a subir, o que pressionará a nota de crédito do Brasil.

O Produto Interno Bruto (PIB) teve contração recorde de 9,7% no segundo trimestre sobre o primeiro, segundo dados do IBGE. O governo estima que o PIB vai contrair 4,7% neste ano.

A Moodys é mais pessimista e vê retração do PIB em 2020 de 6,2%, ressaltando a incerteza em relação à retomada da atividade no restante do ano. Para 2021 a projeção da agência é de expansão de 3,6%.

A perspectiva de recuperação da atividade econômica em 2021 leva em consideração uma retomada contínua do consumo e danos relativamente limitados ao setor produtivo. A partir daí, a expectativa é de que o crescimento se estabilize em torno de 2,5% em 2022-23. Reuters

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