Blocos do Rio organizam Carnaval extraoficial durante feriadão

O secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, disse que as pessoas não estão proibidas de saírem às ruas

Centenas de blocos se preparam para tomar as ruas do Rio de Janeiro durante o feriado de Tiradentes, quando acontecem os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Os cortejos de grupos menores e com música acústica devem acontecer em todo o feriadão mesmo sem apoio do poder público, que alegou falta de tempo para montar a estrutura necessária para a festa.

Os blocos maiores, que precisam de palco, trio elétrico e patrocinadores, optaram por não sair às ruas diante da falta de organização da prefeitura. Essa foi a posição adotada pela Associação Independente dos Blocos de de Rua do Rio (Sebastiana) e pela Liga Amigos do Zé Pereira, que reúnem cerca de 20 blocos, como os tradicionais Cordão da Bola Preta e Simpatia é Quase Amor.

Já os blocos independentes, que não pertencem a ligas e realizam desfiles menores, apresentaram o desejo de sair durante o carnaval fora de época em um manifesto assinado por 130 grupos e durante um ‘blocato’ realizado no Centro do Rio. Alguns grupos que assinaram o documento desfilaram em fevereiro e março, quando o carnaval foi proibido na cidade. Mas de acordo com Tomás Ramos, membro do Ocupa Carnaval, o movimento no feriado de Tiradentes deve ser maior que o do começo do ano.

“Tem muitos blocos que ficaram inviáveis devido à falta de incentivo porque precisam de recursos ou infraestrutura, como palco e carro de som, e arrastam multidões pelas ruas. Mas também tem vários blocos acústicos que conseguem se locomover com mais facilidade, ou versões menores de blocos grandes, que pretendem sair no carnaval e estão se organizando para isso”.

Para driblar eventuais repressões, alguns grupos devem sair com outro nome ou divulgar os desfiles em cima da hora.

“Muitos blocos estão preocupados sobre como isso vai repercutir, como a prefeitura vai coibir antes e depois do carnaval. Mas eu acredito que a prefeitura tende a fazer vista grossa, todos os sinais estão nesse sentido. Não houve grandes problemas em fevereiro e março, e a polícia acompanhou nosso ato sem nenhum estresse”, disse.

O secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, disse que as pessoas não estão proibidas de saírem às ruas. Ele reafirmou que faltou tempo para fazer um planejamento minucioso, com fechamento de ruas, organização do comércio ambulante e da segurança pela Guarda Municipal, diante da “incerteza” com o cenário da pandemia. Mas, de acordo com o secretário, eventuais desfiles durante o feriado não serão reprimidos pela prefeitura.

“Nosso papel em relação a essas pretensas pessoas que pretendem sair na rua é fazer um monitoramento para redução de danos. Não adianta reprimir por reprimir porque pode causar mais tumulto e machucar as pessoas. Uma eventual intervenção tem que ser muito cuidadosa e nosso principal trabalho vai ser garantir a fluidez na cidade e a integridade física das pessoas, para que seja um feriado tranquilo”, explicou.

“A gente fez esse monitoramento em fevereiro, quando algumas pessoas se juntaram no Centro da cidade, e observamos que não houve maiores transtornos”, complementou o secretário.

O Carnaval de rua foi cancelado pelo prefeito Eduardo Paes em janeiro, por conta da situação da Covid-19 na cidade. Na data, Paes disse que o planejamento exigia antecedência e que o cenário epidemiológico era incerto. Atualmente, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a única restrição sanitária em vigor é a obrigatoriedade do passaporte vacinal em eventos fechados. CNN

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