BID estima investimento privado de US$4 bilhões nos próximos 5 anos no Brasil

No entanto, para receber estes recursos, é preciso contar com projetos bancáveis, com uma alocação correta do risco, e que realmente estejam de acordo com as melhores práticas socioambientais mundiais

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está estruturando, no Brasil, 15 novos projetos de parcerias público-privadas (PPPs), que devem atrair investimentos privados superiores a US$4 bilhões durante os próximos cinco anos, de acordo com o representante da instituição no Brasil, Morgan Doyle.

Em entrevista à Agência Efe, o americano destacou que existem 500 PPPs em execução atualmente no Brasil, país que concentra 60% dos projetos deste tipo realizados na América Latina e no Caribe nas últimas duas décadas, o que o posiciona como um dos líderes mundiais do setor por seu potencial e pela robustez de seus programas.

“O Brasil tem capacidade e oferece muitos investimentos com um rendimento atrativo, tanto econômico quanto social. Além disso, o ambiente de negócios é muito propício (…) O país se destaca com relação a qualidade e volume, e com os projetos que virão pela frente, é um destino privilegiado para qualquer um que esteja interessado em PPPs ou em concessões”, afirmou Doyle.

“Mais que um desafio, a dimensão e a diversidade do Brasil são vantagens. O país é continental, sem dúvidas, mas essa extensão oferece uma enorme variedade de realidades e de necessidades para projetos serem desenvolvidos”, acrescentou ele.

O representante do BID também ressaltou o grande interesse do governo federal e de diversos atores locais nesse modelo de negócio, com programas que servem como exemplo para toda a região, que possui uma alta necessidade de investimentos devido às condições socioeconômicas locais.

“O Brasil oferece muito para os vizinhos (…) O impulso atual (de projetos) tem uma série de inovações muito relevantes que são modelo para outros países que também enfrentam lacunas importantes com relação a investimentos nesse setor”, afirmou Doyle.

Nesse sentido, ele reforçou a importância do intercâmbio de informações e de experiências proporcionado pelo fórum PPP Américas, que reuniu especialistas de toda a região durante dois dias, de forma presencial e remota.

O evento, que teve São Paulo como sede, terminou nessa sexta-feira e é organizado pelo BID de dois em dois anos com o objetivo de rever os fatores que condicionam o financiamento das PPPs na região e identificar soluções, assim como discutir os aspectos financeiros, técnicos, jurídicos e ambientais das infraestruturas

Para o representante do banco multilateral, que se faz presente desde a estruturação até o financiamento dos projetos, tocando todas as esferas do processo, a escolha do Brasil para a realização do evento foi algo natural dada a sua relevância em PPPs que, no país, têm como principal setor beneficiado o de água e saneamento.

A pandemia de Covid-19 e as PPPs.

No entanto, Doyle lembrou que o modelo está em expansão no Brasil, não apenas em quantidade de projetos, mas também no que diz respeito à sua aplicação em outros setores, como educação e saúde, duas áreas fortemente impactadas pela pandemia de covid-19.

“A diversificação de setores que está acontecendo aqui é muito interessante. Além dos mais tradicionais, como infraestrutura ou rodovias, por exemplo, agora estamos apoiando Santa Catarina na construção de centros hospitalares com PPPs. Há projetos em saúde, educação, questões como transporte aquaviário e de mobilidade e fronteiras”, detalhou.

Além disso, Doyle argumentou que as PPPs são a melhor forma de impulsionar o crescimento dos países da região na era pós-covid e defendeu o modelo de negócio como principal saída para a crise socioeconômica e sanitária desencadeada pelo novo coronavírus.

“O setor privado é um elemento central dessa recuperação (pós-pandemia). E isso se manifesta através de PPPs, da participação privada em infraestrutura, em concessões, mas também por meio dos esforços para disponibilizar crédito para as micro, pequenas e médias empresas nesse momento”, explicou o reprensentante do BID.

Governança ambiental e social

Doyle insistiu em que “não haverá uma recuperação sem que o setor privado invista e trabalhe para levá-la adiante”, mas também lembrou a importância desse capital para o combate à mudança climática e para a realização de projetos sustentáveis, para os quais o Brasil é “uma terra fértil”.

“Eu sou otimista, e acredito que o Brasil, por ter ativos ímpares a nível global, faz parte dessa sensação de que existe um mundo de oportunidades para projetos a serem desenvolvidos”, afirmou.

Nesse sentido, o especialista destacou que a área de governança ambiental e social (ESG, na sigla em inglês) é “absolutamente estratégica” e que contará com uma enorme quantia financeira que poderá ser aproveitada pelo Brasil.

Segundo um estudo publicado pela Bloomberg, os recursos destinados a ESG em todo o mundo devem exceder US$ 53 trilhões até 2025, o que representaria mais de um terço de um total projetado de US$ 140,5 trilhões de ativos sob gestão em âmbito internacional.

No entanto, para receber estes recursos, Doyle explicou que é preciso contar com projetos bancáveis, com uma alocação correta do risco, e que realmente estejam de acordo com as melhores práticas socioambientais mundiais.

“O que motiva a gente é que logo após sua conclusão sejam capazes de emitir títulos verdes ou sustentáveis, o que requer um trabalho pesado por parte de vários atores, e o Brasil já se destaca nisso”, disse ele.

“Às vezes, essas questões parecem um tanto técnicas, mas no fim do dia, o que interessa e o que norteia a nossa ação, é a possibilidade de brindar mais serviços, e de melhor qualidade, para os cidadãos brasileiros e de toda a região”, concluiu.

EFE

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