Sobre: Piterson Hageland

Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.

Postagens recentes por Piterson Hageland

Defender e produzir ciência no Brasil hodierno é um ato de cidadania

Todo indivíduo que decide trilhar a carreira de pesquisador no Brasil — e em outras partes do mundo — termina se acostumando com os inquéritos referentes à aplicação e utilidade efetiva dos recursos que seu trabalho produz.

 Na esfera das ciências humanas, essas dúvidas sobrevêm com regularidade ainda maior devido ao fato de que as apreciações técnicas não oferecem, em geral, resultados instantâneos e propícios a serem quantificados pelas medidas que a sociedade pós-moderna determina através do consumismo hiperbólico que os parâmetros mercantis estabelecem. Não obstante, examinar a reprodução de partículas virais ou de células biológicas a fim de confeccionar um novo medicamento, por exemplo, vem sofrendo com a mesma ojeriza popular que já incide há décadas nas perspectivas literárias que integram os renques da comunicação social do país. A razão disso é encontrada nas propagandas negativas que os setores empresariais realizam com uma ambição tenebrosa. As elites brasileiras jamais nutriram simpatia pelos...

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Mesmo sob escombros, a vida continua…

Assim como em ocasiões passadas, meus longos textos plurais e de termos insólitos certamente fariam sentido hoje. Mas é extremamente difícil elaborar uma análise sobre qualquer panorama com os olhos marejados devido à consternação que o fluxo de reminiscências acarreta quando um ente bastante querido submerge no irremeável pélago da morte. Necessito sobrepujar a arte da perda e, depois do luto exercido, terei condições mínimas de ortografar novamente.

Das mais intrínsecas camadas do meu ser, agradeço por toda gentileza e candura que a senhora me ofereceu, vovó Maria Bernadete. Pude me tornar adulto e ultrapassar a barreira dos trinta anos de idade com sua presença e seus conselhos (e sermões por eu não ter me barbeado). Jamais me esquecerei do amor que tanto senti desde criança pela minha avó nascida em 1927 na histórica cidade de Ouro Preto e falecida anteontem. Meu coração sangra em cinzas ao invés do vermelho neste momento.

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O paradoxo dos que ainda confundem ateísmo com religião

É incontestavelmente notório que o ano de 2020, findado há quatro semanas, foi demasiadamente insólito. O teratismo patogênico que segue mortificando o exórdio da terceira década do Século XXI fez com que perguntas do tipo "de onde você tira forças para manter a serenidade?" e "o que te faz achar que haverá um futuro melhor diante de tantas complicações?" fossem periodicamente remetidas a mim. Contudo, nenhuma ultrapassa àquela que leio e ouço desde a pré-adolescência e que foi exponencialmente amplificada pelo desastre sindêmico (e também pelas festividades de encerramento anual provenientes do cristianismo): "Qual é a sua crença?"

A razão para tantas interrogações é, obviamente, em virtude do meu ateísmo espontaneamente ingênito. Uma sociedade extremamente habituada às superstições que forjaram o medo do desconhecido sempre é acometida pelo estarrecimento quando um de seus integrantes declara não possuir fé em aspectos hieráticos. Não obstante às reações frígidas — e até mesmo hostis — dos...

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A humanidade não tem salvação longe da ciência

Por mais incrível que pareça, o afluente de convulsões que viabilizaram maneiras do patógeno SARS-CoV-2 acabar se transformando em uma depressão sindêmica de proporções globais também resultou em uma compreensão indubitavelmente maior daquilo que a ciência representa, bem como fez regressar o otimismo e a insuspeição de diversos cidadãos nas análises e pesquisas técnicas.

Isso é absolutamente esplêndido pois, ao contrário das verdades que não toleram contestações porque utilizam a famigerada “vontade divina” como justificativa, o argumento científico ratifica que não detém controle sobre o monopólio da perfeição ontológica. A ciência jamais escondeu que suas teses possuem o espírito do tempo como substância primária e que tais conceitos devem ser verificados com frequência no intuito de se adaptarem às épocas ulteriores.

É preciso frisar que a ciência não é elaborada de modo individual, dado que nenhum pesquisador desenvolve qualquer material de forma isolada. Ele simplesmente adiciona uma engrenagem no ilimitado sistema da metodologia científica....

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D de Displicência, H de Hecatombe

Mesmo que já tenhamos alcançado a segunda metade de janeiro — e peço sinceras desculpas aos leitores em função de minha ausência entre o ocaso do último mês e o início deste —, as expectativas concernentes a 2021 seguem no mais elevado patamar. Isso é, certamente, um traço daquela mística que os indivíduos fabricam no intuito de glorificar a passagem de ano.

Nada obstante, uma aberração também cruzou o período de 2020 a fim de continuar depredando os resquícios de ordem que a sociedade brasileira tenta manter. Ou melhor, as aberrações em evidência são duas: Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello.

Já era totalmente intragável e visivelmente letal permitir que o misólogo hospedado no Palácio da Alvorada ficasse propagando uma série de tolices referentes ao Sars-CoV-2, o que inclui as “terapias precoces” mediante o uso indiscriminado de antimaláricos e medicamentos veterinários — que terminarão imunizando as bactérias nos esgotos e potencializando seu ímpeto...

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