Sobre: Paula Toom

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

Postagens recentes por Paula Toom

Diga-me por onde andas e te direi que nome terás

Quem me conhece sabe que tenho mania de colocar nome nas coisas, vivas ou não. Lagartixas, gatos, cachorros, aves; passou na minha frente, apelidado está. A maioria dos meus bichos teve nomes nada comuns, jamais nomearia um cachorro ou gato com um apagado Totó, Fifi, Rex, Pluto, Bidu e afins. Todo nome tem que ter um motivo. Se não fosse assim, o Dudu, meu vira-lata primordial, não teria esse nome, pois quem o deu foi meu filho, pequeno que era, se referindo a um amigo nosso, Eduardo, que vivia aqui em casa. Tudo a ver com a vida do Dudu, o cão.

A partir dele, outros nomes vieram, isso quer dizer que outros bichos vieram por aqui. Lucy veio em seguida e, por ser contemporânea do Dudu, levou esse nome por nos lembrar que a mulher do Dudu, nosso amigo, se chamava Lúcia. Mortadela veio na sequência, uma vira-lata velhinha, largada na porta...

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A mesma ladainha. Ou não

Mal começou o ano e já estamos em maio, mês das noivas e dia das mães . Dessa vez, não teremos casamentos, ninguém para jogar o buquê, muito menos festas de domingo com a família toda reunida, nem velórios e enterros cheios de flores. Fico pensando na quantidade de flores que não foram usadas e que irão se tornar adubo por pura falta de opção. Como faremos festas de casamento sem flores, como poderemos encher um vaso de flores para nossas mães? Mundo cruel esse. Na hora da festa, nada. Na hora H, ninguém. Na hora do adeus, só. Nem Nelson Rodrigues pensou nesse roteiro.

Outro dia conversei com minha madrinha no Canadá, ela com 82 anos, viúva há pouco e sem poder ter ninguém por perto, pois o risco de contágio é alto. Perguntei a ela por que não tem um bichinho companheiro, já que sempre gostou de cachorros e...

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Não temos brioches. Vai pão velho mesmo

Sempre que saio à rua vejo carroceiros, com a carroça cheia de jornais, metais, plásticos e … cachorros! Já cheguei a ver um carroceiro que tinha uma comissão de frente e batedores, como uma comitiva especial, levando seus pertences achados para um depósito próximo. Só que, nesses dias/meses, não tem ninguém nas ruas, portanto não temos lixo, nem sujeira, nem latas.

Mentira, na periferia tem! As ruas continuam cheias de latas de cerveja, vindas dos pancadões do fim de semana prolongado, afinal, foi feriado (Dia do Trabalho, alguém ainda se lembra?) e, pra alegria dos carroceiros, sobrou algum trocado pra eles poderem comprar a comida do dia, pra ele e pros seus fiéis escudeiros. E, mesmo correndo o risco de morrerem, por crimes que são usuais, infelizmente, ou por doenças, novas ou antigas, esssa trupe não arreda o pé, não enfia o rabo entre as pernas e sai, diuturnamente, atrás...

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Panaceia, pandemia, pandemônio

Quando estamos confinados, muitas ideias surgem. Algumas bem bobas, como ficar fazendo selfies, cantando, pulando, se revoltando e espalhando pelas redes. Típico do chamado "ócio criativo". Alguns, do outro lado do mundo, se divertem quando disparam notícias bizarras, mas com a intenção de espalhar o bem.

Recebi um vídeo - esse de verdade - sobre as tartarugas da Baía de Guanabara, soltas, felizes e nadando em águas límpidas e calmas. Quem diria, afinal, nem tudo está perdido nessa panaceia em que nos enfiaram. Nem tudo é tão difícil e tão sofrido. Só um pouco de silêncio e já vemos a diferença.

Logo mais ouviremos falar de peixes abissais que nunca deixaram de vagar pela orla de um ex-oceano na África, vulgo deserto do Saara, que estavam apenas se escondendo de predadores, quando perderam o trem das onze e ficaram à deriva.

O lado ruim é...

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Tempos bicudos

Sem querer falar - mais - de doenças, buscamos sempre algo tenro nessa nossa vida nova de confinamento. Daí a querer pensar em novas possibilidades, novos rumos, novas metas, ficamos cara a cara, ou melhor, cara a focinho, com nossos amiguinhos, peludos, com escamas, penas ou pele áspera. São nossos novos confidentes.

Novos em termos, pois desde que entraram na nossa vida, fazem parte desse mundo obscuro que teimamos em não falar. Mas eles sempre sabem. E nunca falarão a ninguém, ao menos que alguém desenvolva um vírus que transforme eses seres lindos e perfeitos num emaranhado de falta de caráter, o que costumamos encontrar em alguns seres humanos.

Essa é uma viagem de mau gosto, que não me compete levar adiante. O fato é que vivemos nesse clima tenso, psicótico e cheio de álcool pelos quatro cantos da sua casa, muquifo ou mansão. Todos fechados, aninhados e...

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