Atrás de uma boleia tem sempre um amante de cavalos

Feliz Dia do Cavalo para aquele que paga o feno nosso de cada dia

Ontem foi o Dia do Cavalo, esse ilustre e majestoso animal, inteligente, companheiro, prestador de serviços e lindo. Por sua força e caráter firme, eles são multitasking, mas não são robôs. Vai lá você, sem conhecer a realeza quadrúpede, montar nele? No mínimo um coice, no máximo um capote.

Os carroceiros estão em todo o Brasil, há lugares em que, se não houver uma carroça, o vilarejo para. E isso não é luxo, é necessidade. Nos grandes centros urbanos, leia-se capitais, existem milhares de carroceiros e, por conseguinte, cavalos, uns melhores, outros piores. Todos são unânimes em dizer que seus cavalos são bem tratados, que não lhes falta nada, muito menos amor.

As carroças são bem-vindas, até que a roda caia, até que o cavalo arrie, até que o dono não tenha mais como cuidar. Até que a casa literalmente caia.

Os Amish, por sua religião e modo de vida, têm nas carroças seu meio de vida e locomoção, por isso são leais aos seus animais, tendo a reciprocidade garantida. Mas isso está bem longe da nossa República e não me compete ficar divagando e trotando em cima da lama. Por outro lado, os carroceiros são trabalhadores e viram no cavalo um modo de vida, um sustento.

Existem leis que não vingam, existem as que não saem do papel, e algumas poucas saem, mas logo saem da linha de frente e ficam num escanteio qualquer, sem ao menos serem obedecidas.

Aí vem a lei nº9605/1998, art. 32 (Lei dos Crimes Ambientais), dizendo que: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.”

Um outro projeto de lei federal também quer proibir o uso de veículos de tração animal em área urbana e a sua substituição por veículo de propulsão humana. O deputado gaúcho Giovani Cherini (PDT-RS) defende seu projeto de proibir a circulação de carroças em municípios com mais de 80 mil habitantes. A solução? Substituir as carroças por bicicletas. Solução é um soluço com eco.

Os cavalos não são assistidos, trabalham muito mais que oito horas por dia carregando o mundo. Mas não pedalam. Feliz Dia do Cavalo, feliz troca de ferradura.

Por

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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