Atômica (Atomic Blonde)

Print page

Além de estrelar, Charlize Theron assina também a produção do filme. Aliás, “filme” é uma palavra bem peculiar pra definir a obra, uma vez que a sensação que eu fiquei foi a de estar vendo um videoclipe enorme. Explico.

Com uma trama que se passa, em sua grande parte, em Berlim e no final da Guerra Fria, a trilha sonora é realmente incrível, passando por nomes como David Bowie, Depeche Mode, George Michael. A questão é que a música não ocupa um lugar de narrativa de conteúdo, mas de uma narrativa meramente estética. Inclusive, essa é a grande questão. Não há uma real trama se desenrolando. Apenas uma sequência de cenas bem feitas, com suas respectivas músicas, looks incríveis, cortes acelerados e quase conexão zero entre as ações.

Durante toda a projeção, temos Charlize Theron (bela, como sempre!) e uma coleção de roupas maravilhosas. Mas é claro que você pode argumentar que, em se tratando de um filme de ação, o que eu poderia esperar? Honestamente, não acho que pedir por viradas de roteiro menos óbvias seja, de fato, querer muito. Resultado? Um filme de ação ótimo pra rir, misturado com aquela sensação de que, a qualquer momento, vai rolar uma propaganda estilo “J’adore. Dior”.

Fechando a conta, o filme tem duas características realmente memoráveis: a trilha e a movimentação de câmera durante as sequências de luta, a qual traz uma imersão considerável ao espectador. As atuações são boas, mas isso não é nenhuma novidade, pois se a obra carece de história, está bem servida de elenco, com James McAvoy, John Goodman e, claro, a própria Charlize Theron.

Sabe aqueles dias em que você só quer ir ao cinema, pensar pouco e se divertir muito? Pois é. Esse é o filme perfeito pra isso.

Por

Carol Kzan é pós-graduada em Animação e Modelagem 3D e atua, há alguns anos, no mercado audiovisual, como editora e videografista. Pra desanuviar, ilustra, come pipoca, toca violão e, ocasionalmente, vê o mesmo filme várias vezes.

Comentários estão fechados.