Até os besouros estão de ponta cabeça

Ultimamente tenho reparado mais nas coisas ditas pequenas, tão enormes quando observadas mais de perto

Criaturinhas nada notadas que fazem parte da nossa vida até que a chinelada nos separe. Formigas, lagartixas, moscas, pernilongos, abelhas e outros minis que são gigas. Então parei e reparei num besouro e em todos: eles voam e caem precisamente de barriga pra cima. E ele se contorce, retorce, distorce e pronto. Vai entender a sua aerodinâmica.

Sucesso, pernas pra baixo, asas pra cima e o orgulho de ter se saído muito bem nessa manobra. Que vida besta. Mas, mais besta é, sem dúvida, a lesma que faz seu caminho diário de meleca para poder encontrá-lo no dia seguinte e andar por ele sem esforço algum. E para onde elas vão? Não sabemos, deve ser um lugar paradisíaco de folhas frescas e soltas no chão. Claro, se elas tiverem que subir numa árvore, ao chegar na comida ela já secou e foi pro chão. Essa é uma vida estúpida.

Metamorfose em quadrinhos - Metamorfose | Folha
E lá vem o Fernando Gonsales de novo ilustrar minhas ideias. Na mosca!

Mas, e as moscas e pernilongos? Esses seres alados, que de anjos não têm nada, saem diretamente do inferno e vêm para nossos ouvidos e pele. Alguém pode ligar para o SAC do inferno e pedir um recall dessas porcarias? OK, podem picar, mas poderiam ao menos não fazer barulho no ouvido e não coçar. Seria um gesto humanitário, ecologicamente correto e altamente entomológico para que as espécies, por mais nojentas e irritantes que sejam, vivessem em paz com a gente. E sem pás.

Não existe chinelo que se sobreponha a um inseticida e nunca haverá mosca que não zumba no nosso olho, ouvido, cabelo. Deve estar lá na lista infernal que eles têm que cumprir. Uma jornalada bastaria e quando só lemos jornal digital? Uma clicada não resolveria. Aí temos a lagartixa, as minhas adoráveis Marianices que se alimentam dessas coisas todas.

Outro dia uma delas estava barrigudinha: deve ter comido a família toda. Glória a Deus. Elas nem sempre dão conta do recado e o cardápio sempre variado delas às vezes dá uma travada. Aí é hora dos repelentes. Dizem que comer alho afastaria os pernilongos. Também sei que eles gostam de sangue, como Drácula, mas não é o caso. Dizem também que coçar a barriga do Buda também traz boa sorte. Dizem que se soluçarmos e tossirmos ao mesmo tempo morreremos na hora. E você, tolinho acreditou.

Mas uma coisa é certa: pernilongos picam, enchem nossa paciência e nosso ímpeto de matar alguns vem à tona na hora. Comer alho vai afastar sim, mas só as pessoas que te rodeiam. Menos os pernilongos. Citronela neles, que não nos faz mal, é bem cheirosinha e refrescante. Espantariam os pernilongos por alguns minutos.

Enquanto escrevo, notei que uma abelha-vespa mutante estava bisbilhotando atrás de mim e, num ímpeto voraz, digna de uma abelha abelhuda, picou meu dedo anelar. Dessa maneira, evitando uma guerra Putinesca Dantesca, parei de digitar. Pensei que poderia ser uma vespa cubana, querendo a desforra pela coluna de outro dia.

Dei o ponto final no texto e corri atrás de gelo e álcool. Para um Bourbon, um Uísque, uma Cerveja, como o blues de Rudy Toombs e Amos Milburn criaram em 1953 e gravado por John Lee Hooker. E a picada que se embebede desse som, que eu vou comemorar meu dia hoje. Cheers!

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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