As borboletas do seu jardim não são as mesmas das minhas flores

Borboletas no jardim ou um jardim de borboletas?

Outono, época de renovação, de folhas caindo, de pré-gelo do inverno. É também de borboletas se escondendo, afinal, logo mais o frio chega e tudo para. Menos a Suellen, minha gata ex-grávida de mentira, ex-gata de rua. Minha amadinha.

Atualmente ela faz bicos aqui em casa como chefe de oficina, babá de bolinhas, esquentadora de cadeira, dona dos ronrons mais lindos. E, claro, caçadora de borboletas no outono. Mas vem a pergunta: se as borboletas voam principalmente na primavera, coisa de pólen e tal, que raios essas moças estão voando aqui em pleno outono?

Simples como o sol que nasce todos os dias, veio a resposta de um milhão de reais: “Assim como baixas temperaturas e pouca incidência da luz do sol podem levar ao congelamento deste inseto, períodos de altas temperaturas e aquecimento solar levam as espécies ao risco de dessecação. Nos horários de muito calor elas normalmente procuram por sombra na vegetação.” Senti uma voz de Cid Moreira nessa explicação.

De qualquer forma, borboletas têm também muitos significados: mensageiras de família, momentos de felicidade; as amarelas simbolizam as cores da primavera, renascimento. Transformação é, para mim, a que melhor define a existência das borboletas: de um casulo esquisito, nasce um ser tão lindo. E sem nenhuma comparação, borboletas ainda podem ser confundidas com mariposas.

Os gregos já diziam que as borboletas eram associadas ao sopro da vida e da alma. Eu ‘apenasmente’ acho que só o Dirceu Borboleta, da novela “O Bem Amado” láááá nos confins do século XX, teria uma resposta à altura das eloquências a respeito das borboletas. Ele, com aquela rede nas mãos, hoje não poderia aparecer na TV, muito menos em horário nobre. E muito menos na Globo. Outros tempos, outras diversões.

Difamação, negacionismo e a volta do Dirceu Borboleta - ((o))eco
Um Dirceu por borboleta, por favor.

E as borboletas continuam voando por aqui, esperando ou fim do outono pra se recolherem antes que a Suellen chegue. Já salvei algumas por esses dias. Os outros casulos que se cuidem, há uma nova onda de motefobia (medo de borboletas e mariposas) voando pelos céus, mesmo que não haja qualquer rede que as pegue. Medo de “brabuleta”? Não orna.

Zeca Diabo sempre aparecerá e não há Odorico Paraguaçu que o enterre de vez.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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