Arlindo Cruz é o enredo do Império Serrano

Imperiano ilustre, componente da verde e branca de Madureira, o artista será homenageado no desfile de 2023

Durante a feijoada realizada no último sábado em sua quadra, a agremiação anunciou que “Lugares de Arlindo” será o tema para o próximo Carnaval. Cantor e compositor de sucesso no meio artístico brasileiro, Arlindo Cruz ainda está debilitado, com sequelas, devido ao avc sofrido em 2017. Porém, esteve na quadra, juntamente com sua esposa, a ex-porta bandeira Babi Cruz e seus filhos.  Foi intensamente comemorado e ovacionado por todos os imperianos presentes.

O tema escolhido pelo Império é mais do que justo. Muito menos pelas dificuldades de saúde dele, mas principalmente porque além de  ser um dos compositores de maior sucesso da música nacional, também é um dos grandes vencedores de samba enredo da escola. São 12 obras suas que já passaram pela Marquês de Sapucaí, defendendo a sua escola de coração. Das minhas idas ao Império Serrano, sempre lembro da final de disputa de samba para o carnaval de 1994, realizada numa noite de segunda-feira e que Arlindo perdeu.

Já amanhecendo, deixando a quadra, fui beber uma saideira em uma das barracas em frente, onde ele também estava se consolando e lamentando a derrota. Em várias outras, pude presenciar e participar de animadas conversas com ele, bebendo nas barracas de bebida que ficaram do lado de fora da quadra. Ele sempre querido e rodeado por compositores, membros da comunidade e velha guarda da escola.

Arlindo Domingos da Cruz Filho é de uma família de estirpe tradicional do samba. Seu pai, conhecido como Arlindão, foi músico e componente da velha guarda da Portela. O irmão, Acyr Marques, também já falecido, foi compositor de sucesso, com músicas como “Malandro sou eu”, que foi tema de novela da TV Globo, na voz de Beth Carvalho.
Seu filho, Arlindinho Cruz, segue os passos do pai, mantendo o legado familiar. Inclusive, é um dos autores do samba enredo campeão deste ano com a Grande Rio, na Sapucaí.

Arlindo começou a se destacar na música como componente do Grupo Fundo de Quintal, que fomentou a renovação do samba, no começo dos anos 80. Foi assíduo frequentador das rodas de samba do bloco Cacique de Ramos, de onde saíram os principais protagonistas do que se convencionou chamar Pagode, a partir de então.
A formação do grupo nessa época, além de Arlindo Cruz, contava com Bira Presidente, Ubirany, Sombrinha, Cleber Augusto e Sereno. Nos anos 2000, ele se afasta do grupo e forma com Sombrinha uma dupla que gravou três CDs de grande sucesso.

Depois disso, partiu para carreira solo e se consolida definitivamente como dos maiores nomes do samba, emplacando sucessos não só em discos próprios, mas gravando com diversos intérpretes da MPB, como Maria Rita, Zeca Pagodinho, Marcelo D2, entre outros.

Arlindo, durante algum tempo, foi presença constante nas tardes de domingo da TV Globo, em rede nacional, participando do programa Esquenta, apresentado por Regina Casé.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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