Anos 80, a última década das grandes ideias

No cinema, desde os anos 1990, uma grande quantidade de roteiros adaptados são produzidos e poucos originais chegaram às telonas, o que faz os anos 80 a última década com uma grande quantidade de produções com roteiros 100% originais.

Se isso não parece uma legítima falta de boas ideias, o pior vem com os inúmeros roteiros que são escritos atualmente, os quais tentam ser criativos destruindo boas histórias ao adaptar um livro ou quadrinho para o cinema, mudando parte da trama original e estragando a essência de uma boa história.

Isso também ocorre na hora de fazer um remake ou reboot de um filme antigo que, para não ser só uma cópia do original, modificam tanto que vira uma outra história, na maior parte das vezes com um roteiro de qualidade muito inferior, mesmo que seja uma produção com tecnologia atualizada.

E na busca de uma boa ideia, várias histórias interessantes e diversos personagens queridos da última grande década criativa, estão ganhando remakes e reboots.

Com essa ideia em foco, mais um personagem popular da década de 1980 volta em um reboot.

Uma das mais criativas décadas, dada à enorme quantidade de produções com roteiros originais produzidos, continua em evidência com o reboot da história de Chucky, o macabro boneco amaldiçoado que estreia esse ano.

Um personagem que teve diversas sequências produzidas desde que surgiu no filme de 1988, ‘Child’s Play’, que no Brasil ganhou o nome de ‘Brinquedo Assassino’.

Chucky ganha um novo início e as expectativas são grandes, porque não foi o primeiro personagem do gênero terror, popular nos anos 80, a ganhar reboot. No entanto, os fãs esperam que as modificações na história original, sejam só para atualizá-la e não descaracterize a trama, torcendo para o filme não entrar para a lista das produções que ganharam reboot e não alcançaram o sucesso almejado.

Um tipo de tendência que surgiu na busca de fazer algo diferente, sem ter que criar roteiros originais. Uma “preguiça criativa” que tomou conta do cinema da atualidade, que acaba por destruir boas histórias na busca de originalidade. Seja na hora de adaptar livros e quadrinhos, como na hora de fazer um reboot ou remake de um roteiro de sucesso.

Curioso que parece que a falta de criatividade parece afetar diversas áreas, não só o cinema, já que é fato que os filmes muitas vezes inspiraram áreas além do audiovisual. Um exemplo são os brinquedos da década de 1980, onde diversos tipos de jogos interessantes foram criados e comercializados ao redor do mundo, fossem eletrônicos ou de tabuleiro. Já nos dias de hoje há quem ache que um pônei que defeca colorido ou um carrinho de controle remoto em forma de bosta, seja algo interessante para os pais gastarem o suado dinheiro na hora de presentear os filhos.

Se o cinema é tão inspirador, está na hora de voltar não só aos roteiros originais, mas de buscarem boas histórias para adaptar, mas sem as deturpar como tantas que chegaram nos últimos anos aos cinemas e foram uma total decepção.

Por

Ex-repórter redatora da editoria de Cultura do webjornal O Estado RJ, atualmente colunista (Curtindo Adoidado).

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