Ano novo, mas a crise é velha

O ano de 2020 bate às portas e com ele renovam-se as esperanças de mudanças e vida melhor para todos. Entretanto, se há um setor que não vê perspectivas de melhorias é o mundo do samba e o carnaval do Rio de Janeiro.

Já são três anos de crise, desde que o atual prefeito assumiu o cargo em 2017 e iniciou uma cruzada contra a maior festa da cidade. O argumento compreensível da falta de recursos financeiros, com o consequente corte na verba destinada ao carnaval para o investimento em saúde, mostrou se agora falacioso, diante do caos instalado nos hospitais e clínicas públicas municipais.

Por conta disso e agravado com o atraso salarial dos funcionários, as escolas de samba, blocos de rua e demais agremiações não enxergam no horizonte qualquer possibilidade de investimento em 2020. Faltando cerca de dois meses para o evento, nem a prometida subvenção de R$ 3 milhões para as 40 pequenas agremiações que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, teve uma parcela liberada.

O argumento do prefeito era de que este desfile da Intendente poderia ter essa ajuda, já que é gratuito e aberto ao público. As grandes escolas do grupo especial ficaram de fora, porque cobram ingressos. Além disso, ele ainda usou o argumento do contrato de direitos de transmissão com a TV Globo, emissora com quem vem travando uma guerra, para cortar a verba pública.

Mas para estas escolas, a salvação mesmo é o contrato com a Globo, que vem sendo pago desde o meio do ano de 2019, e a entrada do dinheiro da venda de ingressos, que se intensifica a partir de agora. Num ano de crise econômica, o patrocínio de empresas privadas tornou-se escasso.

O governo do estado, que prometeu apoio às escolas, num claro propósito de ocupar o espaço deixado pela prefeitura, até agora também não transformou o apoio em algo concreto, que vá além dos discursos. No carnaval passado o governador viabilizou o apoio através da lei estadual de incentivo à Cultura, com a Light, empresa estadual de energia elétrica, patrocinando a festa. Neste ano, ainda não há qualquer sinalização para isso.

Enfim, aguardemos os próximo capítulos, pois para o sambista continua valendo aquelas máximas: “Tudo acaba em samba” e ” O brasileiro sempre deixa tudo em cima da hora”.



Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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