Ano Novo, mais dúvidas do que certezas

No fim do ano passado, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro - Liesa - realizou uma plenária com suas filiadas e apontou para o adiamento dos desfiles para o mês de julho de 2021

Era um consenso, não só entre as agremiações, mas entre diversas entidades da sociedade, governos e autoridades médicas, que o Carnaval na data original de fevereiro se tornou inviável, devido a permanência da pandemia no mundo.

Este adiamento despertou um certo otimismo no mundo do samba, já que até então muitos apostavam simplesmente no cancelamento total da festa e a sua realização apenas em 2022. Entretanto, os dirigentes da Liesa deixaram claro que a realização dos desfiles em julho estava condicionada a que neste período a maior parte da população já estivesse vacinada. Um outro ponto é que as escolas de samba precisavam de recursos financeiros, já que estavam com suas atividades paralisadas desde março do ano passado, com a dispensa quase total dos profissionais envolvidos.

Eis que um novo ano se inicia e o que era otimismo virou dúvida e baixo astral. A disseminação da doença recrudesceu, com aumento do contágio e do número de mortos no país. Nesta época, num ano normal, as quadras estariam lotadas, com ensaios técnicos mobilizando as comunidades, barracões a todo vapor preparando fantasias e carros alegóricos, blocos já saindo pelas ruas e a cidade respirando o clima de Carnaval. Mas o cenário atual do Rio de Janeiro em pleno verão é de marasmo e desalento. Nada que se compare a outros verões.

Por outro lado, a disputa entre governantes pela primazia da vacina, o negacionismo científico de alguns personagens e a dificuldade do Ministério da Saúde em coordenar as ações só pioram a situação do país. Pouca gente aposta que com essa confusão toda a maioria da população esteja vacinada até julho.

Ninguém mais em sã consciência pode afirmar que teremos desfiles de escola de samba em julho. Além da incerteza sobre vacinação, há ainda as dificuldades financeiras.

Um desfile leva, no mínimo, seis meses para ser preparado e os barracões estão totalmente parados, sem ninguém trabalhando. Os mais realistas hoje, já contam com Carnaval apenas em 2022.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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