Animais, sempre valiosos

Quem teria o poder de guardar esses animais na lista mais do que valiosa, faz tudo às avessas e nenhuma poupança conseguirá deter essa queda

Beija-flor-de-peito-azul, Tartaruga-de-pente, Garça-branca-grande, Arara-vermelha, Mico-leão-dourado, Onça Pintada, Garoupa. Agora teremos também o Lobo-guará, na lista valiosa de notas brasileiras. Respectivamente: R$ 1, 2, 5, 10, 20, 50, 100 e 200.

O gambá, que não é o mesmo fedorento que vemos na TV e sem toda a pompa daquele rabo branco e preto, é o Saruê, também confundido com uma ratazana, é um animalzinho lindo, com cara de ratinho e mãos ágeis, cheias de dedinhos que encontram nas nossas casas tudo aquilo que retiram dele na floresta. E nem assim é digno de uma nota de Real. Menos mal, diz a lenda que todos os animais que estão nas nossas notas terão o mesmo fim: a inflação galopante os desvalorizará até que sejam esquecidos. Por fim, sumirão e ninguém nem se lembrará deles. De novo.

Foto: Raquel Marques
Saruê levando sua prole para um passeio

O Saruê, também chamado de sariguê ou sarigueia na Bahia, mucura na Amazônia, timbu na Paraíba e em Pernambuco, cassaco no Ceará e no Agreste pernambucano, micurê no Mato Grosso, taibu, tacaca e ticaca em São Paulo e Minas Gerais, não oferece risco a ninguém, é um gambazinho muito esperto, que se finge de morto a qualquer sensação de perigo.

De acordo com o site do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo, os gambás encontrados no Estado de São Paulo pertencem ao gênero Didelphis e se dividem em duas espécies: Aurita, chamada de gambá-de-orelha-preta e mais incidente no litoral e na capital paulistas, e Albiventris, conhecida como gambá-de-orelha-branca e mais frequente no interior de São Paulo. Ambos são muito semelhantes e se diferenciam, basicamente, pela cor e formato das orelhas. Os gambás são animais de hábitos noturnos, que vivem em árvores e têm ampla variação nas escolhas alimentares. “Eles comem frutas, folhas, raízes, insetos, larvas, ovos e até pequenos roedores e mamíferos”, explica Cristina Maria Pereira Fotin, integrante da Comissão Técnica de Médicos-veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP.

Segundo Cristina, a circulação de gambás em trechos urbanos é considerada uma resposta à degradação ambiental. Em regiões em que os projetos respeitaram vegetações naturais, o animal se mantém em seu habitat, já em áreas nas quais não houve essa preservação, os gambás saem em busca de alimento ou abrigo e acabam adentrando casas.”

Nosso instinto falha sempre que resolvemos “por bem” aniquilar (???) um animal que só quer o que você tem, porque está tudo ali, facinho, à mão. Não custa nada, vai. Deixa de ser muquirana e põe um pouco de amor na sua vida pra eles todos, que são, além de tudo, vorazes comedores de barata! Quem ainda tinha dúvidas da versatilidade desse gambazinho, ponha a mão na consciência, esquece essa coisa de ratazana e deixa o carinha (sobre)viver em paz.

Pior ainda é saber da ignorância de alguns brasileiros, que não costumam se aprofundar em pesquisas para saber da eficiência de certos animais nossos, brasileiros, que fazem a faxina, a semeadura e outras “habilidades jardinísticas”.

Tudo isso serve apenas para mostrar o quanto erramos nessa nossa vida corrida, ao vermos animais que, supostamente e erroneamente, nos fazem mal. O contrário é mais verdadeiro, nós os fazemos mal, dando e deixando comida à vontade, fazendo com que eles se aproximem cada vez mais de nossas casas, deixando seu habitat para viverem mais perto das comodidades, afinal, quem não quer mesa posta, com comidas variadas? Só que um dia isso acabe, e depois?

Nosso instinto falha, sempre que resolvemos “por bem” aniquilar (???) um animal que só quer o que você tem, porque está tudo ali, ‘facinho’, à mão. Deixa de ser muquirana e põe um pouco de amor na sua vida pra eles todos, que são, além de tudo, vorazes comedores de barata! Quem ainda tinha dúvidas da versatilidade desse gambazinho, ponha a mão na consciência, esquece essa coisa de ratazana e deixa o carinha viver em paz.

Só por isso, o saruê não pode ser da família real do Real. Sorte nossa.
Vida longa a eles também.

Por

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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