Amigo não se guarda, se usa

Conversando com um grande amigo, o Juarez Botelho, tiramos a tarde para falar sobre o sentido da amizade. Aquela que carregamos para sempre, aquela que nos deixa com o coração leve e apertado. Isso mesmo, a amizade

A amizade é coisa para se guardar no peito e na alma de cada um. Muitos viverão sem ao menos ter tido a oportunidade de vivenciar essa dádiva. Dizem que família a gente não escolhe, mas amigos sim. Eu penso diferente, pois amigos não escolhemos pura e simplesmente, eles surgem de várias maneiras. Afinidade, cumplicidade, irmandade, sintonia, gostos, etc.

Tantas são as possibilidades. Aquele amigo do peito, aquele melhor amigo, aquele confidente, aquele para as horas de pura alegria, aquele para os momentos difíceis, aquele para o que der e vier, aquele para rir juntos, aquele que te dará o ombro amigo ou aquele que você dará seu ombro, enfim, amigo é isso. Quem tem amigo não morre pagão, e é verdade. Com um amigo se vai ao infinito e além.

Agora, já imaginou aquela amizade que atravessa décadas, que passa ano e entra ano e está ali, mesmo que intocável, mas que você sabe que ao primeiro acorde, está lá, como sempre esteve, pronta a te ajudar. Pois é, é dela que eu quero falar hoje. A amizade que mesmo distante se faz presente nas lembranças, nas histórias, na vida. Quem tem amigo, nunca está sozinho, pois ele surge como a válvula que faltava para seu escape mental ou emocional. E quando bate a saudade, o que fazer? Bem, hoje podemos ligar ou simplesmente enviar uma mensagem. Conversar pela câmera do celular, obrigado tecnologia por trazer de volta o meu amigo para aquela resenha especial.

Meu time venceu o do meu amigo, preciso ligar pra ele para bagunçar com seu dia. Ele vai ficar irritado, trocaremos algumas farpas, mas tudo premeditadamente descriminado em nosso contrato vitalício de amizade, mas depois damos aquela risada e pronto, resolvido, vamos almoçar juntos. Isso é amizade verdadeira. E aqueles dias em que estamos certos de estar fazendo o correto e lá vem ele de novo e nos derrama um balde de água fria, nos mostrando que precisamos ser mais prudentes, pensar um pouco mais. E não é que ele estava certo, ainda bem que tenho um grande amigo.

Quando eu era criança, tinha um amigo imaginário, e você, também tinha? Pois é, engraçado né, pois agora, depois de velho, adquirimos amigos virtuais, tão importantes quanto os reais e os imaginários. E sabe por quê? Isso mesmo, porque são amigos. Palavra mágica e dadivosa. Com me orgulho dos meus amigos. E quando digo amigos, me refiro a todo o tipo. Quem não tem amigo não sabe o significado da palavra amor, e é simples, a amizade está em todas as pessoas que nos cercam durante a vida, nossos pais, irmãos, tios, primos, avós e amigos. Está vendo, é característica proeminente do ser humano.

E hoje me considero uma pessoa que pode se dar ao luxo de dizer que tem amigos. E olha que não são poucos. Amigos para todo e qualquer tipo de ocasião. Isso mesmo, é importante você classificar seus amigos em esferas. Lembra lá em cima? O amigo pra chorar, o pra sorrir, então, para cada ocasião, existe um amigo de plantão. Até rimou, mas foi sem intenção, e olha ela aí de novo. Quando falamos de amizade, até as palavras soam melodicamente. Que lembrança boa daquele primeiro baile com o amigo, aquela primeira viagem, primeira festa, primeiro futebol, primeiro amigo a saber do seu primeiro amor, são tantas as lembranças, que perdemos a noção do tempo.

E o que mais importa é saber que ele está ali, que quando eu precisar ele vai estar ali, exatamente como era antigamente. E hoje na cidade do Rio de Janeiro existe um grupo de amigos assim, exatamente como eu citei no texto acima. Uma amizade que já dura 42 anos. São três gerações de amigos que se reúnem faz 12 anos. Por ano são aproximadamente três a quatro encontros. Claro que durante a pandemia não houve confraternização. E nesse período e por conta da doença, houveram perdas significativas. Mas como dizemos, a vida continua e temos que continuar por nós e por quem já se foi.

E para marcar a volta dos Encontros desse grupo denominado “Amigos da Igrejinha” ou “Queridos Amigos” como também são chamados carinhosamente, dia 30 de julho foi a data marcada para um novo evento. A expectativa é grande para que todos possam estar presentes. A saudade e a vontade de dar aquele abraço que está amarrando os braços já está afrouxando a ansiedade que bate no peito. Está chegando a hora, como se imagina uma debutante ansiosa por dançar com seu príncipe no seu baile. A nossa debutante amizade já passou por vários estágios e hoje se apresenta como uma aura capaz de cobrir todos os amigos num só segundo e abraçar a cada um deles com a mesma intensidade.

Encontro dos Amigos da Igrejinha em 2017. Expectativa de muitos abraços e risos
no próximo encontro

Estamos contando os nossos filhos e em breve serão os filhos dos nossos filhos que darão continuidade ao que lá atrás começou sem pretensão nenhuma e hoje é um dos principais grupos de amigos da cidade maravilhosa. Quer nos conhecer? Prazer, faço parte dos “Amigos da Igrejinha de São Cristóvão”.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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