Amanhã? Talvez

Quando os sonhos se confundem com a realidade, tudo que podemos fazer é usar de toda a nossa força para nos libertarmos de algo que, se deixarmos, nos arrastará a profundezas nunca antes navegadas

Acordei com uma sensação estranha. Parecia que tudo que valia a pena não tinha mais sentido. O ar, a natureza e a beleza de ser, simplesmente se apagaram e não nos deixaram opções. O mundo parece que virou uma vala incandescente, onde quase tudo se perdeu no ostracismo da beleza que de uma hora para outra, metamorfoseou-se em deformidade sócio cultural epidêmica. Nos transformamos em doentes da alma.

Diante da evolução humana tecnológica, esquecemos de dar um upgrade nas vias da inteligência e nos atualizarmos com o que há de melhor ou, pelo menos, deveria haver, que é a sensatez. Vivemos em várias variantes. Crises humanas existenciais juntam-se a necessidades extremas. Necessidade de viver dignamente. Necessidade de poder ir e vir. necessidade de liberdade de expressão. Necessidade de ter necessidade.

Passei o dia buscando um motivo para que meu humor e esperança ressurgissem das cinzas jogadas em nossa cabeças através de factóides e inverdades ou seria uma “nova verdade”? Muito difícil de engolir. Quem nós mais esperávamos que nos amparassem com suas forças supremas e nos dessem a dignidade e o orgulho são os primeiros a nos sufocar e nos reprimir incondicionalmente. Nos pondo contra um paredão de incertezas e neutralizando nossas reações.

Continuei a pensar em como o dia terminaria. Não quero mais pensar. Me recuso. Certa vez acreditei que o homem era capaz de evoluir em prol da humanidade e fazer dela um motivo de satisfação celestial. Onde erramos? Não sei. Algumas vezes me peguei fazendo essa pergunta e em todas elas não encontrei a resposta. Fica mais fácil aceitar o que não se pode mudar. Não não fica. Não pode. Não devemos.

O sol nasce para todos, mas nem todos sabem disso

No fim da tarde, com o pôr do sol, meu coração quis acreditar que amanhã será um novo dia e com ele, a esperança se renova. Mas como meu coração ultimamente anda me enganando, não consegui acreditar 100%. Não é para menos, todas as vezes em que me enchi de júbilo, algo ruim aconteceu e nos levou a degraus abaixo. Será que estou me tornando um negacionista? Creio que não. Apenas deixei de crer no amanhã. Aliás, existia um programa com esse nome, “Posso crer no amanhã”, eu acho.

Não sou ranzinza e não perdi a esperança em dias melhores. mas vamos combinar que os dias cinzas não são bons. O sol precisa voltar a brilhar e com ele nossa alegria de viver e que, quando a chuva cair, que traga consigo toda a beleza do amanhecer e o orvalho de cada dia. Que o céu azul nos possibilite entender a magnitude de uma ação para que nosso pensamento lúdico nos torne cada vez mais donos de nossos desejos e conquistas.

Como diria Guilherme Arantes, “Amanhã será um lindo dia”.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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