Ai, gente, por que tanta raiva no Brasil?

E por que essa coisa maníaca de jogar a raiva só em cima dos nossos bichos?

E chegamos em agosto, mês do desgosto pra alguns, mês do cachorro louco pra outros e mês normal pra quem é normal como a maioria de nós. Espero. Simplesmente criaram essa lenda de que em agosto a maioria das cadelinhas está no cio e os machos ficam doidões. Mentira. Cadelas entram no cio de tempos em tempos, cada uma no seu. Balela. Fake news. Historinha.

Embora agosto tenhamos tido outras tragédias, como A Primeira Guerra Mundial, que começou no dia 1º de agosto de 1914 e as cidades de Hiroshima e Nagasaki, que foram atacadas pelos norte-americanos com bombas atômicas nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, com resultados bem mais que odiosos e inesquecíveis. Sem falar que em 2 de agosto de 1934 Adolf Hitler se torna o führer da Alemanha. E isso ninguém deve se esquecer.

E aí, são só os cachorros que têm raiva? E os outros, têm o quê, ódio, inveja, cisma, dor de corno? Após uma breve pesquisa, uma leitura rápida e que todos deveriam fazer, sabemos que a raiva é transmitida para a gente pelos animais domésticos (gatos e cachorros), normalmente infectados através de morcegos ou ratos.

Segundo uma pesquisa mais ou menos recente feita por uma Health Tech (start up relacionada à saúde e que não tem ainda tradução para nossa língua aborígine), entre os anos 2000 e 2017, ocorreram 188 casos de raiva humana no Brasil, sendo a maioria em homens (66,5%) e em moradores de áreas rurais (67%). Embora as idades tenham variado de 1 a 82 anos, o grupo mais afetado foi o de menos de 15 anos de idade (49,6%). Mordidas de animais foram a exposição mais comum, atingindo principalmente múltiplas áreas do corpo (21,2%), pés (20,2%) e mãos (17%). A maior parte das notificações ocorreu no Nordeste, sendo os estados do Maranhão, Pará e Ceará os com maior número de casos.

Infelizmente, desde 2010 até os dias de hoje, já tivemos 38 mortes de raiva humana urbana, de acordo com a minha vet preferida, dra. Claudia Galli. A vacina antirrábica é a única obrigatória, mas, como quase sempre nessa vida brasileira, não a temos disponível em larga escala. E estamos falando agora da cidade de São Paulo, a melhor e maior cidade do Brasil. Mas que não tem vacinas para todos.

Essa é de São Paulo, mas a campanha é do Brasil

Se você não sabe o histórico do animal que te atacou, você deve tomar as vacinas. Hoje, na barriga, só o soro antirrábico e não é para todos os que foram vítimas dessas coisas fofas e peludas. Mas, se vc já sabe logo de cara quem te mordeu, é só ir ao posto de saúde e tomar por umas quatro semanas as doses da vacina antirrábica. Caso contrário é só tomar uma anual e, se o animal morrer ou acontecer alguma coisa, aí sim a coisa piora e sim, vai tomar o soro na barriga.

E não me venha com essa historinha de que não sabia quem era, de que não deu passou o zap pra ele, que estava bêbado e não tinha ideia de nada. E, pior, acordou e não fez ideia de quem te mordeu. A vacina é de graça, a ignorância é cara, muito cara.

A nossa vacina, a mais potente, sabemos que é dada a cada quatro anos. Um dia a gente vai comemorar o mês de agosto sem raiva, ódio ou dor de corno ou quebra quebra. Doa a quem doer.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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