Adeus ano, meu velho

A primeira década acabou e a nova já começa senil

E chegou o fim. O fim da picada, o fim do covid-19 ou o fim do mundo? Nenhum deles, só o tão esperado fim do ano, afinal, que fim de década foi essa? Aposto que nem Nostradamus teria arranjado final mais espetacular, porque, pelas contas dele, o nosso fim já teria sido na mudança de século.

Vamos lá fazer a tortura de relembrar tudo o que não deveria nem ter acontecido, afinal, somos seres humanos e deveríamos reconhecer os nossos erros. Mas, por exatamente sermos humanos, temos um ego enorme e a maioria de nós não admite errar. E não temos esse hábito de reconhecer os próprios erros, nem em DRs. Para que mexer nas feridas, por que não deixaram que cicatrizem? Para que não forme uma queloide já seria um bom motivo, para consertar o que fizemos de errado seria outro. Para vivermos em paz seria o ideal.

Não poderia deixar de citar aqueles que, invariavelmente aparecem na rua e soltam 1, 2, um milhão de fogos, talvez com o intuito de assustar os animaizinhos que vivem no conforto do lar que esses seres nunca tiveram. Comemorar uma data não é de longe motivo pra judiar dos outros. Que a misericórdia divina pairem nas suas consciências imundas e parem de soltar rojões sem nenhum propósito. Pronto, falei de novo!

cachorro gato fogos de artificio
Sem comentários, só lamentos por mais esse ano

Num segundo momento, agora de alma meio lavada, me lembro do incêndio no Pantanal em setembro, quando uma onça, o Ousado, foi a protagonista de um resgate incrível e de uma recuperação igualmente impressionante. Ousado cometeu a ousadia de sobreviver, literalmente em carne viva, até o seu resgate, na beira do rio Corixo Negro, em Poconé, MT. Ousado sobreviveu, virou celebridade e está de volta ao seu habitat ainda em fase de recuperação. O habitat e o Ousado. Outros tantos não tiveram essa sorte, mas o recado foi dado.

Enquanto isso, durante o ano, uma cobra de sete metros ataca família dentro de carro no Mato Grosso, mais de 50 caranguejos gigantes invadem churrasco de família na Austrália, Jacaré gigante é flagrado em campo de golfe na Flórida, homem encontra cobra venenosa em casa e o animal tem 35 filhotes na Índia, entre outras tantas bizarrices. Você soube disso? Não? Nem eu. Nem muitos de nós. Mas está lá no Google, ele nos lembra. E o ano andou.

No outro lado do mundo, mais precisamente no Paquistão, um elefante chorou muito quando viu sua companheira de vida Saheli morrer depois de, disseram na época, ter tido um problema cardíaco. Na verdade sua morte foi por sepse, já que o zoológico em que estavam tinha essa horrível mania de espetar os elefantes com ganchos infectados entre outras coisas assustadoras, para que se movimentassem e deixassem o público feliz.
Em tempo: Saheli, em urdu, língua oficial do Paquistão, signifiga ‘amiga’.

Entre onças pintadas e animais diversos querendo apenas sobreviver, vemos e temos a nossa própria mascote, essa indesejada e cruel: a gripe que não é gripe, a vacina que não é vacina, a morte que não é morte. E que rodou o mundo todo sem nos deixar uma pista ou ao meno sum manual de sobrevivência. Em um mundo que não é mundo. Claro que somos humanos inteligentes, cientistas e obedecemos os protocolos e as datas festivas que se danem, a gente comemora depois, afinal o Roberto Carlos Especial de fim de ano está sempre (sempre!!) por aqui, agora na versão 209.876.133a

A Missa do Galo e a Rainha Elisabeth II também continuam por aí e não me deixam mentir.

Que o novo ano e a nova década tragam o equilíbrio entre as almas dos poderosos e deixem-nos em paz, por favor! FELIZ 2021!

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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