Acabou a novidade ou falta criatividade?

Estamos em 2019 e desde que comecei a entender o que é cultura, e isso vai lá pros idos dos anos de 1970, que não vejo uma época em que nada se cria. A inspiração está em falta? Às vezes me surpreendo com essa conclusão que cheguei depois de algum tempo tentando entender o que se faz e o que se fez. O Brasil acho que sofreu mais com essa ausência de criatividade cultural. Hoje observamos uma quantidade imensa de “artistas” em todas as áreas que teimam em acreditar que o que fazem é arte. Triste perceber que estão enganados.

Passamos por várias fases no passado que nos trouxeram muito orgulho e esperança de que faríamos de nosso povo um poço de cultura. Subsídios para isso nós tínhamos e temos ainda, o que falta é acertar o ponto. Apertar o botão certo. Dar o start e seguir adiante. O fato é que, quando a inspiração começou a falhar, a mídia resolveu interferir e dar destaque a algumas vertentes que talvez não estivessem prontas. E isso fez com que precocemente o sucesso viesse e assim como chegou, partiu sem deixar saudades. Talvez se tivesse sido explorado dentro do tempo e da aceitação natural, sem forçar a barra, hoje estaria na lembrança do povo.

Na música, por exemplo, tivemos muitos artistas talentosos como Mutantes, Secos & Molhados, Beto Guedes, Caetano e Gilberto Gil, entre outros que trouxeram o novo e mudaram a forma de pensar e agir de uma geração. Isso é cultura de massa e traz mudanças importantes para um povo.

Em outros setores da cultura também tivemos muitas novidades e em uma época que se expressar não era uma forma muito segura. De lá pra cá tivemos alguns ótimos nomes que surgiram fazendo arte, nos emocionando e nos dando voz, sentido. Nos anos 70, no auge da ditadura militar, o governo criou dois órgãos para fomentar a cultura no país e tirar da população a ideia de que a censura tinha chegado para inibir e coibir a criação cultural no país, a Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e Empresa Brasileira de Filmes (EMBRAFILME).

Os dois têm a responsabilidade de criar politicas públicas para o incentivo da cultura no Brasil. Sabemos que existem situações que são deixadas de lado por esses sistemas que infelizmente deixam uma parcela significativa de futuros novos talentos de fora do bolo. Isso na verdade é uma antipolítica cultural, mas o que podemos fazer para mudar? Sinceramente, não sei. Espero que alguém consiga mudar isso, pois ver dinheiro público gasto em projetos ligados a artistas já consagrados, em detrimento daqueles para quem esses mesmos órgãos foram criados é simplesmente vergonhoso.

O Brasil é um berço de novos talentos e artistas nascem a todo momento e uma hora precisam mostrar sua arte e não conseguem. Chegou a hora de buscarmos a renovação. Esse hiato cultural que se formou ao longo do tempo está fazendo o país estacionar culturalmente. Precisamos arriscar. Necessitamos de coragem para alcançarmos o objetivo da arte que é transcender o real e fazer valer a fantasia, a criatividade. Seja em qualquer âmbito, a arte faz o indivíduo crescer como homem e enobrece a alma. Vamos cantar, dançar, interpretar, amar.
Viva a arte!

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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