A reinvenção do formato ‘theatrical’

Esqueça a melancolia dos típicos e tradicionais ‘Cinema Paradiso’, os tipos de cinema que apresentaremos a seguir são exemplos bem sucedidos de reinvenção do formato ‘theatrical’

Em tempos pandêmicos, o ato de frequentar uma sala convencional de cinema torna-se um desafio, vale lembrar que segundo dados levantados pelo consórcio de imprensa, o país registra duas semanas seguidas de estabilidade nas mortes por Covid-19, em patamar elevado, a média móvel é de 1.870 mortes por dia.

Para ser mais exato, o Brasil contabiliza 462.966 óbitos e 16.547.674 casos, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com informações das secretarias de Saúde. Foram 2.346 mortos registrados em 24 horas. Por isso, convém alertar que embora grande parte das cidades brasileiras já tenha flexibilizado bastante a abertura dos cinemas, a Covid-19 ainda é uma realidade presente em nosso dia a dia, a pandemia ainda não acabou pessoal, fiquem em casa.

Sabemos que vocês estão em casa tomando todos os cuidados necessários, nisso resolvemos matar sua saudade de visitar um cinema. Esqueça a melancolia dos típicos e tradicionais ‘Cinema Paradiso’, os tipos de cinema que apresentaremos a seguir são exemplos bem sucedidos de reinvenção do formato ‘theatrical’, e que na década passada se tornaram atrações à parte por fugirem dos modelos convencionais que conhecemos em nosso país. Muitos são antigos prédios ou salas de ruas revitalizadas, com fachadas charmosas, suntuosas, antigas e atrativas. Podemos observar que a maioria desse grupo expoente apostou em serviços diferenciados para fidelizar seu seleto público. Contudo, todos partilham de uma programação diferenciada, o que ajuda a torna-los especiais.

Confira alguns:

Alamo Ritz

Alamo Ritz

A rede Alamo Drafthouse ficou famosa pela política de tolerância zero com uso de celular. Além da exigência do silêncio total, o forte da casa é a programação diferenciada, garantia de felicidade para cinéfilos e públicos especializados. Há sessões de filmes de terror raros em 35 mm, sing-a-longs (musicais com legendas para o público cantar junto), apresentações de stand-up comedy e sessões apresentadas por drag queens. Há ainda exibições harmonizadas com vinhos e menus temáticos. O mais famoso cinema da rede é o Ritz, da cidade de Austin, no estado estadunidense do Texas.

AMC Empire

AMC Empire

O AMC Empire é um imenso megaplex de 25 salas construído no interior de um prédio de 1912, em plena Times Square, em Nova York. A fachada e boa parte do interior foram mantidos, e por isso o AMC consegue juntar o charme dos antigos cinemas de rua com o conforto dos melhores multiplex. Graças ao seu tamanho e a uma programação diferenciada, que combina os mais procurados blockbusters e os mais cultuados filmes independentes (alguns com exibição exclusiva), além de sessões especiais como as do Metropolitan Opera, antes da pandemia o cinema atraia mais de dois milhões de espectadores por ano e tem conseguido, assim, se manter como o número um dos Estados Unidos em público e renda.

 Arclight Hollywood

Arclight Hollywood

O que chama mais atenção no Arclight Hoolywood é o dono da fachada, erguido em 1963 e hoje cenografado para grandes lançamentos – até um Homem-Aranha inflável gigantesco já foi afixado ali. O multiplex de 14 salas tem um saguão com um enorme painel informativo que imita os de aeroportos, e lanterninhas para reprimir o uso de celulares. É proibido entrar depois da hora. Há também um bistrô e uma loja de souvenir. Membros inscritos acumulam pontos, e ganham descontos e ingressos. Nas sessões para maiores de 21 anos, bebidas alcoólicas podem ser levadas para a sala de exibição.

The Castro

The Castro

Construído em 1922, o Castro chama atenção pela fachada barroca, inspirada numa catedral mexicana. Até hoje, o cinema mantém relíquias como um lustre extravagante e um órgão Wurlizer, usado antes de sessões. A programação é toda especial, com pequenos festivais de nicho como o de filmes judaicos, além de maratonas e sessões sing-a-longs.

Ciné de Chef

Ciné de Chef

Existem cinemas com bistrôs ou cafés caprichados. Mas a proposta desse cinema sul-coreano vai um pouco além. O lugar é um restaurante luxuoso, com cardápios franceses e italianos criados por chefs do Le Cordon-Bleu, que podem ser consumidos no salão ou dentro da sala de exibição. São apenas duas salas de cinema, com 30 lugares, sofás para casais, cadeiras de design e mesinhas para apoiar drinques e comidas. Os ingressos custavam em 2011, entre US$ 50 e US$ 90.

Electric Cinema

Electric Cinema

Erguido em 1911, o cinema da Portobello Road, com seu característico domo, sobreviveu a guerras, a chegada dos multiplex e a recente pandemia de Covid-19. Antes de se adaptar aos novos tempos, chegou a fechar em 1987. Hoje, consegue se manter graças a uma bresserie anexa e a um bar dentro da sala de exibição, onde passam mostras dedicadas a nomes como John Carpenter e Ennio Morricone.

Film Forum

Film Forum

Herdeiro dos cineclubes dos anos 70 e hoje um dos mais tradicionais cinemas de arte de Nova York, o Film Forum é uma organização sem fins lucrativos, com recursos vindos da iniciativa privada, do governo e de doações individuais. A ênfase é na curadoria, com programação exclusivamente dedicada aos filmes de arte e estrangeiros. Os sócios pagam uma anuidade dedutível do imposto de renda e ganham ingressos e descontos. Também conta com um programa de apoio a novos cineastas.

Le Champollion

Le Champollion

Aberto em 1938, o Le Champo (como o cinema do Quartier Latin é carinhosamente chamado) é um dos preferidos dos cinéfilos parisienses. São apenas duas salas, que ocupam o espaço de uma antiga livraria. Em 1980, sofreu uma grande reforma e, nos 2000, só não foi fechado por clamor popular. A programação é de mostras e clássicos. Eles também promovem maratonas que varam a madrugada e terminam num café da manhã. Em algumas sessões especialistas se apresentam.

Pathé Schouwburgplein

Pathé Schouwburgplein

Com seu prédio cúbico, cheio de recortes, o Pathé mais parece um museu de arte contemporânea. Mas trata-se de um cinema de ponta: sete salas, que vão de 200 a 760 lugares, e telas gigantescas. A programação mistura blockbusters, filmes de arte e conteúdo especial, como óperas.

Rooftop Cinema

Rooftop Cinema

Difícil identificar o prédio comercial onde está instalado o Rooftop Cinema. Sem logotipo na fachada, com várias lojas no nível da rua, o endereço mantém uma programação regular de cinema em sua cobertura. O espaço ao ar livre conta com 160 assentos (que parecem com cadeiras de praia) sobre grama sintética. O programa mistura clássicos, filmes de arte e lançamentos. Um bar que serve bebidas fica aberto depois das sessões, até o começo da madrugada.

 

* Com informações da Revista Filme B (edição de novembro de 2011)

* Com dados do consórcio de imprensa a partir de informações coletas pelas secretarias de Saúde (no dia 1 de junho de 2021)

 

Por

vanderlei.tenorio@oestadorj.com.br

É editor da página Cinema e Geografia, comentarista, colunista e repórter de cinema. Escreve para 4 portais e 1 site.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e