A razão simplesmente não acha

Existe uma abstração forjada pelo conhecimento vulgar que considera a filosofia como mero alvitre, isto é, algo presunçoso. Na contemporaneidade, nos deparamos facilmente com pessoas abordando sobre a retórica, desprovidas de cognição específica, proferindo frases como “isso é apenas filosofia e não serve para nada!” na intenção de desqualificar os argumentos que são divergentes e produzir a imagem de que as concepções opostas não devem ser levadas a sério.

O que realmente ocorre é que a filosofia opera com métodos profundamente intrínsecos às suas premissas, de um modo silogístico e totalmente além do puro elemento das figuras linguísticas, procurando estabelecer conexões firmes entre diversas conclusões de uma maneira lógica. Em síntese, os que têm o costume de “achar coisas” fazem parte do senso comum e da corrente dominante. Supõem absurdos justamente pela falta de entendimento dos princípios filosóficos, empregando referências inadequadas e distorcidas. Isso é frequentemente ocasionado por idealismo religioso e — sobretudo nesta era digital — político.

Aqueles que acreditam que a filosofia não passa de um item subjetivo já se encontram dominados pelas crenças irrefletidas do agrupamento social majoritário, ou seja, estão achando coisas. E, obviamente, acabam cometendo o erro de imaginar conjunções demasiadamente surreais, dado que, pela ausência de cuidados para com a erudição, terminam sem perceber que não sabem o motivo que os fazem ter certas opiniões.

Quem estudou o mínimo dos fundamentos básicos da filosofia percebeu, com efeito, que tal ciência não concede a menor liberdade para suposições medíocres e deturpadas. Se determinados conceitos possuem vínculos entre si e contrariam o senso comum, fica nítido que a sintonia dos mesmos é com a realidade, e não com os julgamentos pré-fabricados de um grupo ou outro, imersos em um fundamentalismo cáustico. Por essa razão que as propriedades filosóficas também levam ao isolamento, uma vez que o ato de pensar é quase sempre taxado como subversão.

Os indivíduos que raciocinam através do parecer da maioria irão conhecer somente o que é ofertado mediante o interesse dos setores mais influentes, com os resultados finais desses pensamentos já ordenados antes de qualquer estimativa pessoal. É assim que um dos eixos que constitui o problema da indução é formulado, trazendo a ilusão de certeza absoluta. É desse modo que os paradigmas funcionam e vêm à tona. Um membro de uma seita religiosa ou facção política valoriza unicamente aquilo que foi definido pelo vértice de sua congregação, e normalmente pragueja tudo o que é diferente. Essa é a metodologia do senso comum.

A filosofia ratifica suas constatações adequadamente por intermédio da correspondência entre os fatos e as reflexões. É por isso que apontam a metafísica como algo capaz de estruturar tudo, exceto o que manifeste desarmonia ante os padrões da lógica. Em vista disso, a idoneidade do raciocínio questiona até o que foi expresso pelas divindades — uma ação que o povo não ousa praticar de forma alguma.

Por

diretoria@oestadorj.com.br

Webjornal O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e