A Operação Favorito tem como alvo o empresário Mário Peixoto

Preso, Peixoto manteve os tentáculos de sua organização criminosa fornecendo mão-de-obra terceirizada no governo Witzel

Na última semana, o Governo do Rio, foi surpreendido com a operação da Lava Jato, Favorito, que aponta irregularidades e fraudes nas compras de respiradores para tratamento de pacientes com Covid-19. As acusações atingem em cheio as pastas de três secretários: Edmar Santos (Saúde), Lucas Tristão (Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais) e Leonardo Rodrigues (Ciência, Tecnologia e Inovação). Esse último, é empresário do ramo aeronáutico da cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense. A pasta é responsável pela FAETEC.

A Operação Favorito teve como alvo o empresário Mário Peixoto, personagem conhecido no Palácio Guanabara há mais de uma década. Peixoto é muito próximo do secretário Lucas Tristão. Preso, Peixoto manteve os tentáculos de sua organização criminosa fornecendo mão-de-obra terceirizada no governo Witzel, conforme revelaram as investigações com farta documentação e interceptações telefônicas, entre outras provas.

Segundo a matéria exclusiva da Revista VEJA, os negócios de Mário Peixoto, de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), ainda estão entranhados em acordos obscuros na Secretaria de Saúde, de Edmar Santos, na Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e na Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância (Cecierj), ambas subordinadas à pasta de Leonardo Rodrigues.

A Revista VEJA afirma que as exonerações de Edmar Santos, Leonardo Rodrigues e Lucas Tristão não estão descartadas. No domingo (17), o secretário Edmar Santos foi exonerado pelo governador.

Na denúncia da força-tarefa do MPF, os procuradores citam o depoimento do ex-presidente da Faetec Carlos Fernando Riqueza Marinho. Segundo Marinho, havia pressão no órgão para assinar contratos emergenciais com as empresas de Mário Peixoto.

À Polícia Federal, ele disse ter ouvido que o dinheiro desviado seria para abastecer uma possível candidatura do secretário Leonardo Rodrigues à Prefeitura de Mesquita, na Baixada Fluminense, no Rio. A pasta de Rodrigues fechou 36 milhões de reais em contratos com a Atrio Rio Service, de Peixoto.

Leonardo Rodrigues é segundo suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). Os dois se afastaram depois que o pai, Jair Bolsonaro, rompeu com Wilson Witzel. Pressionado pela família presidencial a deixar o cargo após a briga, Rodrigues, empresário do ramo aeronáutico, preferiu continuar como aliado do governador do Rio (Veja).

Em interceptações telefônicas, ele aparece se referindo a Mário Peixoto como “chefe”.

“Verifica-se, pois, que as provas angariadas até o momento pelas investigações demonstram a existência de fortes vínculos entre a organização criminosa e GILSON RODRIGUES, funcionário do primeiro escalão da Secretaria de Ciência e Tecnologia, que exerce a presidência da Fundação CECIERJ e possui influência sobre a FAETEC, ambas entidades públicas que possuem atualmente contratos milionários com as empresas de MÁRIO PEIXOTO”, escreveram os procuradores.

O ex-presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), Carlos Fernando Riqueza Marinho, afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal que o atual presidente da Faetec dizia que “mataria” quem se opusesse à candidatura de seu irmão de consideração, Leonardo Rodrigues, secretário de Ciência e Tecnologia, à Prefeitura de Mesquita — segundo suplente de Flávio Bolsonaro no Senado.

Escreveram os procuradores, citando o depoimento de Marinho:
“Que ademais, Rômulo Massacesi, atual Presidente da Faetec, dizia nos corredores da instituição que mataria qualquer pessoa que atrapalhasse a candidatura do seu irmão, Leonardo Rodrigues (irmão de consideração), à Prefeitura de Mesquita”. Marinho não se sabe se foi força de expressão ou algo mais literal.

Rômulo Massacesi e Leonardo Rodrigues

Leonardo Rodrigues e Rômulo Massacesi, são peixes grandes da política em Mesquita. Léo do Avião como é conhecido na cidade renunciou sua candidatura à prefeitura, sendo hoje, oposição política contra a atual gestão do Executivo da cidade. Em seu lugar, o vereador Leonardo Andrade, vai concorrer à vaga de futuro prefeito de Mesquita.


Rômulo, é conhecido por ser um grande articulador político. Segundo moradores, ele foi o grande responsável pela vitória do último prefeito, Gelsinho Guerreiro, onde também foi secretário de trabalho e renda. Com a saída da família Guerreiro da política, Rômulo se aliou a Leonardo Rodrigues, sendo seu braço direito no Estado.

A Faetec divulgou no último sábado (17), uma nota oficial sobre o escândalo que envolveu a instituição.

A FAETEC, diante das matérias veiculadas que apontam o contrato de fornecimento de mão de obra terceirizada “sem licitação”, informa que um processo emergencial se fez necessário em fevereiro de 2019, durante a gestão anterior, em razão da iminência do início do ano letivo, quando não havia tempo hábil para o processo licitatório.

A atual gestão assumiu e determinou a realização da licitação para o referido serviço, inclusive com a data do certame já marcada. No entanto, o processo foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, para ajustes no plano de trabalho, conforme está público no site da Faetec no menu “Editais de Licitação”.

Para que não houvesse a interrupção das aulas em mais de 110 unidades nem fossem afetados cerca de 60 mil alunos, foi necessário realizar um novo processo de contratação por dispensa de licitação. Recurso esse que está previsto na legislação, seguindo todos os ritos legais e dando conta de todos os pareceres jurídicos e técnicos dos órgãos competentes, principalmente, com a devida cotação de preço, tendo sido vencedora a melhor oferta. Portanto, não configurando nenhuma ilegalidade.

A FAETEC, após constantes diálogos com o TCE e com a sua devida liberação, mesmo em meio à pandemia da COVID-19, já concluiu o formato, edital, termos de referência e todos os preparativos necessários. Sendo assim, informa que a deflagração da licitação acontecerá em alguns dias.

É importante ressaltar que, após a apuração da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da decisão do Juízo, nenhum membro da administração da Faetec foi alvo de qualquer investigação, citação ou medida.

Reiteramos nossa responsabilidade com a Educação Profissional, com a transformação de vidas e, sobretudo, com a transparência das nossas ações”, finaliza a nota.

*As informações são da Revista Veja e portal Saiu no Rio

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