A Grávida de Interlagos

Uma alusão ilusória de uma gatinha prenhe que nunca pare (do verbo parir)

O nome dela é Suellen, uma gatinha linda, vira-lata, ex de rua, ex de favela, agora em casa. Prenhe. E que não entra em trabalho de parto de jeito nenhum e é esse o meu dilema do dia, da semana, do mês. Será que ela tem vergonha por ter sido de rua, será que ela ainda tem traumas por ter sido amarrada pelo pescoço até formar uma ferida e fugir sem eira nem beira? Isso pode virar roteiro de série ou letra de música.

Suellen encontrou a beira, bem perto do seu abismo, foi só esticar a patinha que entrou aqui, ali, debaixo e em cima de tudo. Como todo gato faz. E a barriga cresceu, virou uma ponta para um lado, cresceu mais um pouco, apontou paro outro lado e só. Nada de nascer. Nem um miauzinho escondido, nem um cantinho escurinho, nada.

Minha Suellen de Interlagos

Tenho medo dela ser outra Grávida de Taubaté. Seria a Grávida de Interlagos? Sairia no Datena, passando depois pelo Jornal Nacional como a gatinha abandonada, ex-prisioneira, ex-favelada que encontrou uma casa que a acolhesse até o descobrimento da farsa. Imagino a cena com o Bonner e a Renata Vasconcelos na escalada, chamando a Glória Maria e a Andréia Sadi para a entrevista. Sim, Glória Maria por ser um ícone de entrevistas com flagelados e Andréia Sadi porque está grávida de gêmeos. E porque gosto dela.

Logo após, imagino a farsa dentro da farsa, já prevendo que nos próximos dias, de acordo com e minha vet preferida e que sempre cito-a aqui, a menininha vai ter que parir, de um jeito ou de outro, querendo ou não, vai e pronto! A lua já mudou ‘trocentas’ vezes, os astros já viraram de ponta cabeça e ela continua lá, brincando de bolinha e comendo tudo o que vê nos pratos. De todos.

Agora terei que saber também quem é o(s) pai(s) das crianças porque ela vai querer fazer teste de DNA pra saber e querer que o(s) pai(s) também assumam a criação dos pimpolhos até o primeiro mês, quando, gatos ingratos que são, cairão pelo mundo janela afora, lá no quintal de casa, bem longe, desbravando os vasos e a grama, caçando lagartixas, baratas e, com sorte e com bônus, uns grilos e gafanhotos crocantes. Quem disse que gato vira lata é gato de rua, não sabe o quanto esses gatos são gratos com os pratos no gramado. E com direito a trava língua.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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